MADRID 3 set. (EUROPA PRESS) -
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que Timor-Leste eliminou o tracoma como problema de saúde pública, sendo este o último país da região do Sudeste Asiático onde havia suspeita de que a doença — principal causa infecciosa de cegueira no mundo — fosse endêmica.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, parabenizou o país por essa “importante conquista” e destacou que isso representa um “passo significativo” em direção à meta de eliminar o tracoma em todo o mundo até 2030.
A OMS destacou que seu reconhecimento se baseia em evidências coletadas ao longo de vários anos, período em que também foi documentada a capacidade do sistema de saúde de detectar, investigar e gerenciar os casos que possam surgir no futuro.
Conforme detalhado, entre 2015 e 2017 foram realizadas diversas investigações nas quais foram examinadas crianças da ilha de Atauro, pacientes que procuravam clínicas oftalmológicas em todo o país e foram realizadas visitas domiciliares específicas. Nessas análises, não foi detectado nenhum caso de tracoma.
Posteriormente, Timor-Leste gerou mais evidências por meio de diversos estudos e, especificamente, uma análise realizada em 2025 com crianças de um a cinco anos não revelou evidências de transmissão em um nível que exigisse uma intervenção de saúde pública específica para o tracoma.
BENEFÍCIOS PARA A SAÚDE PÚBLICA
“Timor-Leste demonstrou mais uma vez que uma liderança nacional sólida, evidências de alta qualidade e serviços de saúde integrados podem gerar benefícios duradouros para a saúde pública”, destacou o responsável pelo Escritório Regional da OMS para o Sudeste Asiático, Nilesh Buddha.
Por sua vez, a ministra da Saúde do Governo de Timor-Leste, Élia A. dos Reis Amaral, destacou o “orgulho nacional” após a eliminação do tracoma como problema de saúde pública e afirmou que o reconhecimento por parte da OMS renova a determinação do país em promover a cobertura universal de saúde e construir um sistema de saúde equitativo e resiliente.
“Fazemos um apelo à comunidade global de saúde para que aprofunde a cooperação e a solidariedade, de modo que todos os países e todas as comunidades possam superar as doenças evitáveis e garantir um futuro mais saudável para as gerações futuras”, afirmou.
Assim como outros países que contam com o aval da OMS, Timor-Leste manterá a capacidade de identificar e tratar casos individuais de triquíase e outras doenças oculares por meio de seu sistema de atendimento oftalmológico. São oferecidos serviços especializados, incluindo cirurgia de triquíase, por meio do Centro Nacional de Oftalmologia do Hospital Nacional Guido Valadares, em Díli, e de programas de extensão comunitária nos municípios.
Os programas nacionais continuam ampliando o acesso à água potável, ao saneamento e à higiene. A vigilância do tracoma será integrada às plataformas nacionais de vigilância de doenças e de doenças tropicais negligenciadas já existentes.
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