MADRID 1 jun. (EUROPA PRESS) -
A Organização Médica Colegial (OMC) assinou a “Declaração de Madri” para conter a esteatose hepática metabólica, comumente conhecida como fígado gorduroso, e torná-la uma prioridade estratégica de saúde pública, diante de sua elevada prevalência, sua progressão silenciosa e seu impacto transversal sobre a morbimortalidade.
“A ausência histórica de reconhecimento institucional contribuiu para atrasos no diagnóstico, subidentificação do risco e desigualdade no acesso a intervenções eficazes”, destaca o documento, já assinado por profissionais vinculados a instituições de referência como o Instituto de Saúde Carlos III, o Hospital Gregorio Marañón, o Hospital Puerta de Hierro, a Clínica Universidade de Navarra, o Hospital Marqués de Valdecilla, o Hospital Fundação Alcorcón, o ISGlobal, o CIC bioGUNE e a Plataforma de Organizações de Pacientes.
Este documento de consenso surge como um apelo à ação urgente diante de uma patologia silenciosa que já afeta mais de um terço da população mundial e que, na Espanha, conta com dois milhões de pessoas sem diagnóstico. A assinatura, que contou com a presença do presidente da OMC, Tomás Cobo, ocorre em um momento crucial, poucas semanas depois de a Assembleia Mundial da Saúde ter instado os países a integrar a saúde hepática em suas estratégias nacionais de combate às doenças não transmissíveis.
Com a assinatura desta Declaração, a OMC “reafirma seu compromisso” com a liderança médica como pilar fundamental da qualidade do atendimento. A OMC ressalta que garantir a segurança do paciente passa, inevitavelmente, por assegurar um diagnóstico precoce e um tratamento preciso.
Para Tomás Cobo, “esse consenso reflete a necessidade de abordar as doenças crônicas a partir de uma perspectiva integral. A segurança do paciente e a eficácia do tratamento dependem da nossa capacidade de detectar o risco na Atenção Primária e coordenar todos os níveis de assistência”.
DEZ LINHAS DE AÇÃO PRIORITÁRIAS
A Declaração de Madri propõe um roteiro com dez medidas estratégicas, entre as quais se destacam: o reconhecimento da doença como um problema prioritário de saúde pública; a implementação de ferramentas de triagem precoce na Atenção Primária; a criação de modelos multidisciplinares e a redução das desigualdades em saúde; transformar o diagnóstico em ação assistencial eficaz; e orientar os modelos assistenciais para o valor clínico real.
Além disso, é necessário incorporar a equidade como princípio estrutural; promover a alfabetização metabólica e a comunicação livre de estigma; integrar a EHmet nas políticas nacionais de combate às doenças não transmissíveis e garantir avaliação, transparência e prestação de contas.
A Declaração de Madri faz um apelo aos responsáveis políticos, instituições de saúde, sociedades científicas, profissionais de saúde e sociedade civil para impulsionar uma resposta coordenada e baseada em evidências contra a EHmet.
O texto lembra que a doença metabólica é profundamente condicionada por determinantes sociais, econômicos e comerciais da saúde. As desigualdades na alimentação, educação, ambiente urbano ou acesso à saúde influenciam diretamente o risco e a progressão da EHmet.
De acordo com a declaração, as estratégias de saúde devem evitar que o diagnóstico se torne um rótulo clínico sem capacidade real de intervenção, especialmente em populações vulneráveis. A equidade deve ser explicitamente integrada nas políticas, diretrizes clínicas e modelos organizacionais. Em termos operacionais, os modelos de financiamento e de acesso às novas terapias devem incorporar critérios explícitos de equidade, de modo que sua introdução não amplie as lacunas que se pretende eliminar.
Da mesma forma, “as intervenções sobre estilos de vida só são eficazes quando se adaptam ao contexto social, econômico e cultural de cada pessoa, e não quando são prescritas no vácuo”, acrescenta.
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