Publicado 27/04/2026 13:16

A OMS apela a um "diálogo sereno" e à "responsabilidade" para pôr fim à greve dos médicos na Espanha

Os médicos de Valência iniciam uma nova semana de greve em defesa de um Estatuto-Quadro próprio e para exigir à Secretaria de Estado melhores condições de trabalho
CESM

MADRID 27 abr. (EUROPA PRESS) -

O chefe da Unidade de Pessoal de Saúde e Serviços de Saúde da Divisão de Sistemas de Saúde do Escritório Regional da OMS para a Europa, Tomás Zapata, pediu um “diálogo sereno” e “responsabilidade” para resolver a greve dos médicos na Espanha.

“Precisamos reunir as partes e contar com a boa vontade de todos os atores envolvidos, pois essa situação prejudica os profissionais, o sistema e os pacientes”, afirmou nesta segunda-feira durante sua participação na Comissão de Saúde do Congresso.

Zapata destacou que existe uma “oportunidade” para redefinir as regras dos profissionais de saúde, já que, desde a aprovação do último Estatuto-Quadro, em 2003, “tudo mudou muito”. “Precisamos que todos os profissionais estejam envolvidos nas soluções, e acredito que esse seja o caminho a seguir”, acrescentou.

Durante sua audiência, ela analisou os pontos fracos e as oportunidades do Sistema Nacional de Saúde no que diz respeito ao planejamento de políticas de pessoal de saúde. Nesse sentido, ela ressaltou que os profissionais de saúde são um “tema central” para a sustentabilidade do sistema na Espanha.

“É uma oportunidade para que todos os atores envolvidos unam forças e pensem a longo prazo, agindo com responsabilidade para melhorar a situação do pessoal de saúde. Estou ciente da greve dos médicos e das negociações do Estatuto-Quadro. Devemos apelar ao diálogo e construir pontes para encontrar soluções em benefício do sistema de saúde e da população”, afirmou.

A ESPANHA POSSUI UMA ALTA DENSIDADE DE MÉDICOS

O porta-voz da OMS explicou que na Europa está a registar-se um aumento das listas de espera, um aumento da carga de trabalho dos profissionais e uma diminuição da confiança da população nos sistemas de saúde.

No entanto, salientou que, embora o número de médicos tenha aumentado na Europa, o de enfermeiros não seguiu a mesma tendência. Nos últimos anos, a densidade de médicos cresceu cerca de 20% na maioria dos países, incluindo a Espanha, onde o aumento chega a 22% e se situa acima da média europeia.

“Por outro lado, a densidade de enfermeiros registrou um aumento mais moderado, de cerca de 8% na Europa, enquanto a Espanha permanece abaixo da média europeia nesse indicador”, especificou.

Além disso, destacou que a Espanha é o terceiro país europeu com maior número de médicos formados no exterior, atrás apenas do Reino Unido e da Alemanha. Nesse sentido, ele observou que esses profissionais provêm principalmente de países como Colômbia, Argentina, Cuba e Venezuela, e ressaltou que a Espanha é um “importador líquido de médicos” no contexto europeu.

SAÚDE MENTAL RELACIONADA ÀS CONDIÇÕES DE TRABALHO

Zapata destacou que a OMS realizou, em novembro passado, a maior pesquisa já realizada até o momento sobre saúde mental de médicos e enfermeiros na Europa, com a participação de 29 países e mais de 120.000 profissionais, cujos resultados foram publicados na revista “The Lancet”.

“Nos resultados, vemos que um em cada três médicos e enfermeiros apresenta sintomas compatíveis com depressão, uma prevalência cinco vezes superior à da população em geral, pelo que devemos levar isso muito a sério a nível europeu”, assinalou.

Além disso, indicou que um em cada quatro profissionais apresenta sintomas de ansiedade e que cerca de 10% teve pensamentos suicidas no último ano. “A Espanha está ligeiramente acima da média europeia em depressão, mas muito próxima da média em ansiedade”, precisou.

O responsável da OMS também destacou que os profissionais mais jovens apresentam pior saúde mental do que os mais velhos, um fato que poderia estar relacionado, entre outros fatores, às condições de trabalho.

Nesse sentido, ele lembrou que, segundo dados de organizações profissionais, cerca de 80% dos médicos residentes na Espanha trabalham mais de 48 horas semanais, ultrapassando o limite estabelecido pela regulamentação europeia, o que poderia influenciar nessa deterioração.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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