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MADRID 2 jul. (EUROPA PRESS) -
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou nesta quinta-feira o início, na República Democrática do Congo (RDC), do ensaio clínico “PARTNERS”, que avaliará o anticorpo monoclonal “MBP134” e o antiviral remdesivir, administrados separadamente e em combinação, como tratamento contra o ebola.
“O estudo está sendo coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica da República Democrática do Congo (RDC), com o apoio de uma coalizão de parceiros, incluindo a OMS, e é realizado em estreita colaboração com as comunidades afetadas”, afirmou Tedros em uma coletiva de imprensa.
Nesse contexto, o diretor-geral da OMS explicou que os pacientes que participarem do ensaio receberão atendimento integral de apoio e acompanhamento exaustivo. “Também estamos trabalhando para garantir que eles tenham acesso a ambos os medicamentos caso se mostrem seguros e eficazes no ensaio”, acrescentou.
Além disso, Tedros informou que, nesta quinta-feira, a OMS também autorizou o uso de emergência do primeiro teste de diagnóstico molecular para o vírus Ebola Bundibugyo.
No entanto, o diretor-geral da OMS alertou que o surto de ebola continua se expandindo na RDC, com uma média de 38 novos casos confirmados por dia nas últimas duas semanas. “Até o momento, foram confirmados 1.406 casos e 438 pessoas faleceram”, acrescentou.
Por outro lado, ele destacou que a capacidade de realização de testes aumentou para 10 laboratórios, localizados mais próximos das comunidades afetadas. Além disso, ela afirmou que o rastreamento de contatos melhorou, “embora ainda seja necessário identificar muito mais contatos por caso”, observou.
Além disso, a capacidade de tratamento foi ampliada, com aproximadamente 650 leitos disponíveis em 22 centros de saúde: “Embora cerca de 96% dos leitos estejam ocupados atualmente, estamos trabalhando para adicionar outros 300”, indicou.
Tedros também alertou que, apesar de todos esses avanços, ainda há “desafios importantes”, como a desconfiança e a violência. “Nesta mesma semana, um centro de tratamento do ebola na província de Ituri foi atacado, causando a morte de duas pessoas. O centro foi incendiado e os pacientes fugiram”, afirmou.
“Esses atos não apenas colocam em risco os pacientes e os profissionais de saúde, mas também dificultam os esforços para conter a transmissão e salvar vidas. A complexidade do surto exige uma coordenação estreita em todo o sistema das Nações Unidas”, declarou.
VÍRUS DE MARBURGO EM UGANDA
Em seguida, Tedros informou que não foram notificados novos casos de ebola em Uganda desde o último dia 21 de junho. No entanto, ele destacou que, na terça-feira, o país notificou à OMS um caso confirmado da doença causada pelo vírus de Marburgo no distrito de Kyegegwa, no oeste do país.
“O caso foi identificado por meio do reforço da vigilância epidemiológica do ebola. As autoridades de saúde informaram à OMS que estão monitorando todos os contatos identificados, mas, até o momento, nenhum deles apresentou sintomas”, explicou.
Nesse sentido, ele afirmou que a OMS está apoiando as investigações para determinar a fonte de exposição, avaliar o risco à saúde pública e promover a participação da comunidade.
CONTINUAM AS NEGOCIAÇÕES SOBRE O ACORDO DE PANDEMIAS
Por fim, Tedros destacou que os surtos de hantavírus, ebola e marburgo demonstram a importância da cooperação internacional para enfrentar as ameaças à saúde. “Nenhum país pode lutar sozinho”, acrescentou.
Nesse sentido, ele informou que, na próxima semana, os Estados-membros da OMS se reunirão novamente para dar continuidade às negociações sobre o sistema de Acesso a Patógenos e Distribuição de Benefícios previsto no Acordo sobre Pandemias da OMS.
“As divergências persistem, mas uma coisa está clara: os países continuam comprometidos em encontrar pontos em comum e chegar a um consenso”, concluiu.
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