Publicado 12/08/2026 13:04

A OMS alerta que o surto de ebola na RDC continua em fase avançada, após registrar 4.450 casos e 2.060 mortes

Autoridades no local acreditam que o surto pode se prolongar por seis a 12 meses

Archivo - Arquivo - KINSHASA, 24 de junho de 2026  -- Profissionais da área médica acompanham um paciente com ebola até um centro de tratamento da doença em Mongbwalu, na província de Ituri, na República Democrática do Congo, em 20 de junho de 2026.   A R
Shi Yu / Xinhua News / Europa Press / ContactoPhot

MADRID, 12 ago. (EUROPA PRESS) -

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou nesta quarta-feira que o surto de ebola que afeta a República Democrática do Congo (RDC) continua bem à frente, após registrar 4.449 casos confirmados e 2.061 mortes.

“Já é a segunda maior epidemia de ebola já registrada e está se espalhando mais rapidamente do que qualquer surto anterior de ebola. No ritmo atual, está a caminho de superar o surto de ebola que ocorreu na África Ocidental de 2014 a 2016”, afirmou em coletiva de imprensa após sua viagem na semana passada à RDC.

Segundo ele, “o mais preocupante” é que uma alta porcentagem das mortes continua ocorrendo nas comunidades, em vez de nas unidades de tratamento, o que indica a existência de cadeias de transmissão desconhecidas; e, enquanto elas não forem identificadas e interrompidas, não será possível conter o surto.

“O atendimento clínico precoce e os enterros seguros e dignos são, portanto, fundamentais para interromper a transmissão do ebola. E ambos dependem da confiança das comunidades afetadas, o que significa que o engajamento comunitário e a apropriação comunitária são essenciais. Não há outra maneira”, destacou.

Com o foco na interrupção da transmissão, ele explicou que a OMS, sob a liderança do governo da RDC e com a colaboração de parceiros, está trabalhando para identificar cada caso suspeito e prestar atendimento, a fim de atingir a meta de 95% no rastreamento de contatos, necessária para conter a transmissão e que atualmente está em torno de 80%.

Outro dos objetivos, segundo ele, é triplicar os recursos, atingindo 3.000 leitos em 12 semanas e recrutando e treinando três profissionais de saúde para cada paciente. “Isso representa milhares a mais do que temos no momento”, precisou.

No entanto, ele destacou que houve um progresso significativo e que mais de 21.000 profissionais de saúde já foram treinados, além de que os centros de tratamento, equipes de sepultamento seguro, laboratórios e o engajamento comunitário estão em operação nas províncias afetadas, alcançando centenas de milhares de pessoas.

VACINAS E TERAPIAS ESPECÍFICAS

Nesse sentido, comemorou que 886 pacientes se recuperaram, mesmo sem o uso de terapias específicas e vacinas, que, segundo ele, estão avançando nos ensaios clínicos. Especificamente, ele destacou que duas vacinas projetadas especificamente contra o vírus Bundibugyo — causador deste surto e para o qual não há tratamento nem vacina específicos — já iniciaram ensaios de segurança de fase 1 em seres humanos.

Além disso, destacou que dois novos estudos em animais sobre a vacina contra o vírus Ebola Zaire — a espécie mais comum e responsável por surtos anteriores — apresentaram evidências promissoras de proteção cruzada em animais. “A OMS recomendou a inclusão da vacina em um ensaio clínico de fase três, que esperamos iniciar o mais rápido possível”, lembrou.

“Ao mesmo tempo, estamos avançando rapidamente para gerar evidências sobre tratamentos. O ensaio ‘Partners’, patrocinado pela OMS, atingiu agora a marca de 100 pacientes”, acrescentou.

Em seguida, ele enfatizou que o desafio no qual devem trabalhar agora consiste em implementar essas intervenções na escala e na velocidade necessárias para antecipar-se ao surto. Para isso, afirmou que é necessário financiamento e, a esse respeito, detalhou que, dos 518 milhões de dólares (cerca de 449 milhões de euros) necessários para o Plano Continental de Preparação e Resposta, já foram desembolsados 264 milhões (cerca de 229 milhões de euros).

“Precisamos de um financiamento que seja oportuno, eficaz e sustentável. E também precisamos de acesso e segurança nas áreas afetadas para garantir que a resposta possa operar de maneira segura e eficaz”, enfatizou.

PICO DA EPIDEMIA

Sobre uma data estimada para atingir o pico da epidemia, o diretor de Operações de Saúde, Emergências, Alerta e Resposta, Abdirahman Mahamud, destacou na mesma coletiva de imprensa que é preciso levar em conta que não se trata de um surto homogêneo, portanto, em algumas áreas o pico ainda não foi atingido, enquanto em outras já se começou a observar uma redução no número de casos.

“A menos que combatamos o foco principal, que é a região metropolitana de Bunia, continuaremos vendo uma onda atrás da outra”, afirmou.

Em seguida, ele destacou que o surto anterior se prolongou por mais de dois anos. “Não queremos que isso se repita”, enfatizou, acrescentando que a esperança é contê-lo nos próximos seis meses, embora tenha precisado que existe um cenário mais desfavorável no qual esse surto poderia durar entre nove e 12 meses.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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