Publicado 24/07/2025 14:02

A OMS alerta para o risco de morte causado por medicamentos contaminados em países de baixa e média renda

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TOWFIQU AHAMED/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 24 jul. (EUROPA PRESS) -

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) publicaram conjuntamente um relatório revelando descobertas sobre a ameaça "persistente e evitável" de medicamentos contaminados, que, segundo eles, têm ceifado vidas e comprometido a saúde de pacientes, principalmente crianças, por meio da ingestão de medicamentos com níveis "perigosamente altos" de substâncias químicas tóxicas.

O documento lembra que, nos últimos 90 anos, pelo menos 25 incidentes documentados de contaminação de excipientes causaram mais de 1.300 mortes em todo o mundo, muitas delas de crianças. Esses incidentes geralmente ocorrem devido a vulnerabilidades sistêmicas na cadeia de suprimentos global de excipientes farmacêuticos e afetaram "desproporcionalmente" as pessoas em países de baixa e média renda (LMICs), onde, segundo o documento, a supervisão regulatória e o acesso a medicamentos de qualidade garantida podem ser limitados.

Intitulado 'Contaminated medicines and the integrity of the pharmaceutical excipient supply chain' (Medicamentos contaminados e a integridade da cadeia de suprimentos de excipientes farmacêuticos), o relatório destaca uma crise de saúde pública "trágica e contínua": a contaminação de medicamentos com produtos químicos tóxicos de grau industrial, especialmente dietilenoglicol (DEG) e etilenoglicol (EG).

"Essas substâncias são usadas como solventes industriais e anticongelantes, mas podem causar sérios problemas de saúde e podem ser fatais se ingeridas, mesmo em pequenas quantidades, especialmente em crianças. Muitas vezes, elas são substituídas ilegalmente por excipientes de grau farmacêutico, como propilenoglicol, glicerina e sorbitol, ingredientes usados na formulação de medicamentos como xaropes para tosse e paracetamol", enfatizam as organizações.

A maioria dos casos recentes diz respeito a medicamentos líquidos orais de baixo custo que podem ser comprados sem receita médica. Na maioria dos casos, esses medicamentos foram comercializados especificamente para crianças e são medicamentos registrados disponíveis em farmácias, boticários ou mercados informais de rua.

O relatório revela como as redes criminosas exploram a volatilidade do mercado e as brechas regulatórias para introduzir substitutos tóxicos na cadeia de suprimentos.

Ao fazer isso, o relatório destaca o uso de rótulos falsificados e a substituição de excipientes legítimos por produtos químicos tóxicos, como o propilenoglicol. Além da comercialização de excipientes falsificados por meio de plataformas on-line, incluindo comércio eletrônico e mídia social.

Ele também denuncia a falta de supervisão regulatória para fabricantes e distribuidores de excipientes de alto risco, bem como as deficiências na vigilância pós-comercialização e nos mecanismos de fiscalização nos países fabricantes e importadores.

APELO À AÇÃO

O relatório pede uma ação global urgente para fechar as lacunas regulatórias, fortalecer a supervisão das cadeias de suprimento de excipientes e proteger todas as populações, especialmente as mais vulneráveis, como as crianças, de envenenamentos evitáveis e mortais.

O relatório reforça a importância de sistemas regulatórios de medicamentos fortes e eficazes para garantir o acesso a produtos seguros, eficazes e de qualidade garantida.

Complementando essa perspectiva de saúde pública, o UNODC destaca a dimensão criminal do problema, documentando como grupos criminosos organizados falsificam documentação, substituem produtos químicos de grau industrial e exploram plataformas digitais para se infiltrar ilegalmente na cadeia de suprimentos farmacêutica global com substâncias tóxicas e não regulamentadas.

Portanto, o relatório destaca a necessidade de melhores estruturas regulatórias e mecanismos de fiscalização, maior conformidade por parte dos fabricantes e distribuidores e maior transparência e rastreabilidade na cadeia de suprimentos de excipientes.

As organizações alertam que, em muitos casos, os medicamentos contaminados são resultado de comportamento criminoso intencional. "Enfrentar essa ameaça exige esforços coordenados de todas as partes interessadas, incluindo agências de aplicação da lei, funcionários da alfândega, promotores e agências anticorrupção", afirmam.

O relatório pede maior cooperação entre fronteiras, maior capacidade investigativa e o uso de instrumentos legais internacionais, como a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (UNTOC).

A OMS e o UNODC, portanto, conclamam os Estados Membros, as autoridades regulatórias nacionais, os agentes da justiça criminal, as agências de aplicação da lei, os fabricantes de produtos farmacêuticos e os distribuidores de excipientes a tomarem medidas decisivas imediatamente para evitar novas tragédias evitáveis.

"Se não agirmos agora, corremos o risco de condenar as futuras gerações de crianças aos mesmos danos inaceitáveis e evitáveis", concluem.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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