MADRID 28 jul. (EUROPA PRESS) -
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o mundo ainda não está no caminho certo para eliminar o vírus da imunodeficiência humana (HIV), as hepatites virais e as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) como ameaças à saúde pública até 2030, uma meta assumida pelos Estados-membros.
Isso consta de um relatório de avaliação da implementação das Estratégias Globais do Setor da Saúde contra os três tipos de infecções, estabelecidas para o período de 2022 a 2030, no qual é apresentada uma análise da primeira metade do período, detalhando os avanços alcançados e as lacunas persistentes para identificar as ações prioritárias a serem realizadas nos próximos anos.
O documento, publicado durante a 26ª Conferência Internacional sobre a AIDS, realizada no Rio de Janeiro (Brasil), e no âmbito do Dia Mundial da Hepatite, indica que o HIV, as hepatites virais e as DSTs são responsáveis, em conjunto, pela morte de cerca de 2,3 milhões de pessoas a cada ano, além de causarem uma morbidade considerável e incapacidades de longo prazo.
No que diz respeito aos avanços, o maior progresso foi alcançado na área do HIV, segundo a OMS, com a redução tanto do número de novos casos quanto das mortes relacionadas à infecção desde 2010. No final de 2025, estimava-se que 32 milhões de pessoas que viviam com o HIV recebiam tratamento.
No entanto, nove milhões de pessoas ainda não têm acesso a tratamentos vitais contra o HIV, e as novas infecções continuam aumentando em várias regiões, especialmente entre populações-chave, como homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, usuários de drogas injetáveis, pessoas transgênero e pessoas encarceradas.
Além disso, a OMS destacou os problemas decorrentes da redução do financiamento internacional para o combate ao HIV, o que interrompeu, no ano passado, os programas de prevenção em vários países, incluindo o acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP). Embora alguns governos tenham intervindo para manter os serviços, dados preliminares indicam que o uso da PrEP diminuiu em vários países e comunidades.
HEPATITES VIRAL E IST
No que diz respeito às hepatites virais, as infecções anuais por hepatite B diminuíram 32% e as mortes relacionadas à hepatite C caíram 12% em todo o mundo desde 2015. Apesar disso, a hepatite viral continua sendo uma das doenças infecciosas mais letais do mundo, causando cerca de 1,3 milhão de mortes em 2024, com uma mortalidade em ascensão.
No caso da hepatite B, as mortes relacionadas aumentaram 17% desde 2015 e a cobertura de diagnóstico e tratamento continua “baixa”, apesar de haver medicamentos eficazes disponíveis. Nesse contexto, a OMS instou à eliminação das barreiras financeiras, sociais e sistêmicas que continuam limitando o acesso à prevenção, aos exames, ao tratamento e aos cuidados relacionados à hepatite para milhões de pessoas.
Os avanços no combate às ISTs têm sido desiguais. Enquanto alguns países reforçaram suas políticas nacionais e melhoraram a detecção e o tratamento da sífilis durante a gravidez, a cobertura da vacinação contra o vírus do papiloma humano (VPH) aumentou modestamente. Por sua vez, as taxas de ISTs estão aumentando em vários países e comunidades, e observa-se uma crescente resistência aos antibióticos utilizados no tratamento da gonorreia.
Nesse sentido, a OMS destacou as deficiências persistentes na vigilância, no diagnóstico, no financiamento e nos sistemas de informação em saúde, explicando que elas limitam ainda mais a capacidade dos países de monitorar a epidemia e ampliar os serviços eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento.
SERVIÇOS DE SAÚDE INTEGRADOS E RESILIENTES
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que este relatório “conta duas histórias”; por um lado, “demonstra o que é possível quando os países investem em saúde, comunidades e ciência”, mas, por outro, “também mostra a rapidez com que o progresso pode ser revertido por interrupções no financiamento, emergências humanitárias e desigualdades persistentes”.
Nesse sentido, o relatório destaca que os anos que restam até 2030 oferecem “uma oportunidade para corrigir o rumo” com base nos avanços alcançados e nas lições aprendidas. Como prioridade de ação, Adhanom Ghebreyesus destacou a construção de sistemas de saúde “integrados e resilientes que alcancem aqueles que se encontram em situação de maior vulnerabilidade”.
A esse respeito, a OMS observou que os países com os melhores resultados oferecem cada vez mais serviços para o HIV, a hepatite viral e as DSTs por meio da Atenção Primária (AP), juntamente com serviços para a tuberculose, a saúde sexual e reprodutiva, a saúde materno-infantil e as doenças não transmissíveis.
Paralelamente, destacou a importância de eliminar a transmissão vertical, materno-infantil, do HIV, da sífilis e da hepatite B, e valorizou a oportunidade oferecida pelas soluções de saúde digital, o fortalecimento de sistemas interoperáveis de vigilância e informação em saúde, a ampliação de plataformas de testagem para múltiplas doenças e a garantia de acesso equitativo às inovações.
A OMS também relembrou a recente publicação de suas primeiras diretrizes consolidadas para a prestação de serviços relacionados ao HIV, que visam ajudar os países a organizar a prevenção, a testagem, o tratamento e o cuidado de longo prazo do HIV, bem como as diretrizes disponíveis sobre a vigilância do HIV.
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