Publicado 02/09/2026 08:00

A OMS alerta para as desigualdades no tratamento do câncer infantil, com mais de 275 mil diagnósticos em todo o mundo em 2024

Archivo - Arquivo - Criança com câncer
FATCAMERA/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 2 set. (EUROPA PRESS) -

A Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (IARC, na sigla em inglês), órgão da Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou sobre as desigualdades entre as regiões do mundo na detecção e no tratamento do câncer infantil, do qual mais de 275 mil crianças e jovens de até 19 anos receberam diagnóstico em 2024.

A IARC afirmou, no âmbito do Mês de Conscientização sobre o Câncer Infantil, que os números reais de diagnósticos poderiam ser “muito maiores” do que as últimas estimativas do GLOBOCAN, devido às dificuldades no diagnóstico e às deficiências no acesso a serviços de saúde, exames diagnósticos e registros de câncer em muitos países.

A entidade destacou que pesquisas recentes de seus cientistas e parceiros demonstram que as disparidades no câncer infantil vão muito além da quantificação da carga da doença. Nesse sentido, alertou que a África, a Ásia, a América do Sul e o Caribe concentram quase 94% das mortes por câncer infantil, e que as crianças dessas regiões têm quase o dobro de chances de morrer de câncer do que as da Europa e da América do Norte, apesar de estas últimas apresentarem taxas de incidência mais elevadas.

Nesse contexto, a IARC destacou as pesquisas que vem realizando para abordar essas diferenças e, entre elas, mencionou o projeto “Câncer Infantil: Epidemiologia, Pesquisa e Ómicas” (CICERO), que iniciou um trabalho de campo no Quênia, no Malaui e na Tanzânia para compreender melhor os atrasos no diagnóstico, o acesso aos cuidados, a adesão ao tratamento e os resultados.

Além disso, a agência observou que os tipos de câncer mais frequentes em crianças e jovens são muito diferentes daqueles que ocorrem principalmente em adultos, e que as causas da doença nos casos infantis são muito menos compreendidas, o que dificulta sua prevenção.

A pesquisa nessa área concentra-se em aprofundar o impacto da suscetibilidade genética e das exposições ambientais antes do nascimento e durante a infância. O projeto “Suscetibilidade, Exposições Ambientais e Início da Doença na Leucemia Mieloide Aguda” (SEED-AML), que a IARC realizará em parceria com parceiros internacionais, busca esclarecer esses eventos precoces e melhorar a prevenção.

ESTUDOS SOBRE EXPOSIÇÕES AMBIENTAIS

O projeto Epi-BEAM também tem como foco compreender como as exposições ambientais contribuem para o câncer infantil. Em particular, ele se concentra em investigar se a exposição precoce a micotoxinas, contaminantes alimentares, pode interagir com a infecção pelo vírus de Epstein-Barr e induzir alterações epigenéticas que aumentem o risco de desenvolver linfoma de Burkitt, um dos cânceres infantis mais comuns em algumas regiões da África Subsaariana.

Também com foco nas exposições ambientais, o projeto “ELI-ALL” (Rumo à Eliminação da Leucemia Linfoblástica Aguda em Crianças) obteve recentemente financiamento para estudar como fatores como a poluição atmosférica, as substâncias perfluoroalquílicas e polifluoroalquílicas (PFAS) e os pesticidas contribuem para o desenvolvimento de clones pré-leucêmicos e o subsequente aparecimento da LLA.

A IARC lançou recentemente um novo subsite do Observatório Mundial do Câncer, chamado SURVCAN, que permite visualizar a sobrevida ao câncer infantil, com base em dados populacionais de alta qualidade da África, Ásia, América Latina e Caribe.

Os esforços dos pesquisadores da agência para impulsionar a ação global contra o câncer infantil, que também incluem iniciativas como a padronização e o aprimoramento do registro de casos, visam garantir que todas as crianças, independentemente de onde morem, tenham maiores chances de sobreviver ao câncer. A OMS tem como meta atingir uma taxa de sobrevivência de pelo menos 60% em nível mundial até 2030.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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