Publicado 20/05/2026 08:55

A OMS alerta para o alto risco de ebola na RDC e em Uganda, mas mantém a classificação como baixo risco em nível mundial

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma coletiva de imprensa, em 11 de maio de 2026, em Granadilla de Abona, Tenerife, Ilhas Canárias (Espanha). A ministra da Saúde, Mónica Garcia, lançou e
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MADRID 20 maio (EUROPA PRESS) -

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que o risco da epidemia de ebola é “alto” na República Democrática do Congo e em Uganda, bem como em nível regional, embora tenha esclarecido que, em nível mundial, continua sendo “baixo”.

Durante uma coletiva de imprensa, Tedros lembrou que no último domingo declarou uma emergência de saúde pública de importância internacional devido à epidemia de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda. “Tomei essa medida em conformidade com o Artigo 12 do Regulamento Sanitário Internacional, após consultar os Ministros da Saúde da RDC e de Uganda, e tendo em vista a necessidade de agir com urgência”, afirmou.

No entanto, ele precisou que determinou que a situação não constituía uma emergência pandêmica, a classificação mais alta de acordo com o Regulamento Sanitário Internacional. “Após declarar a Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, convoquei imediatamente um Comitê de Emergência nos termos do RSI, que se reuniu ontem e concordou que a situação constitui uma emergência de saúde pública de importância internacional, mas não uma emergência pandêmica”, especificou.

Nesse contexto, indicou que, até o momento, foram confirmados 51 casos na República Democrática do Congo, nas províncias setentrionais de Ituri e Kivu do Norte, incluindo as cidades de Bunia e Goma. “Embora saibamos que a magnitude da epidemia na RDC é muito maior”, acrescentou.

Por sua vez, Uganda também informou à OMS sobre dois casos confirmados na capital, Kampala, incluindo uma morte, entre duas pessoas que viajaram da RDC para Uganda.

Além disso, foi notificado o caso de um cidadão norte-americano que trabalhava na República Democrática do Congo e que testou positivo, sendo posteriormente transferido para a Alemanha para receber tratamento.

“Existem vários fatores que justificam uma séria preocupação com o potencial de uma maior propagação e mais mortes. Além dos casos confirmados, há quase 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas. Prevemos que esses números continuarão aumentando, dado o tempo que o vírus esteve circulando antes que o surto fosse detectado”, declarou o diretor-geral da OMS.

Da mesma forma, ele ressaltou que “foram registradas mortes entre profissionais de saúde, o que aponta para uma transmissão associada às atividades de saúde”, ao mesmo tempo em que lembrou que “há um movimento significativo de população na região” de Ituri, marcada pela “grande insegurança” devido ao recrudescimento do conflito desde o final de 2025.

Em seguida, Tedros destacou que a epidemia é causada pelo vírus Bundibugyo, uma variante do vírus Ebola para a qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados. Diante dessa situação, ele ressaltou que medidas devem ser tomadas para conter a propagação do vírus e salvar vidas.

“A OMS conta com uma equipe no terreno que apoia as autoridades nacionais em sua resposta. Enviamos pessoal, suprimentos, equipamentos e recursos financeiros. Para reforçar nossa resposta, aprovei US$ 3,4 milhões adicionais do Fundo de Contingência para Emergências, elevando o total para US$ 3,9 milhões”, declarou.

Nesse sentido, a presidente do Comitê de Emergências, Lucille Blumberg, destacou que, após a primeira reunião, é urgente mobilizar recursos, pessoal adicional e impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento de contramedidas.

“A vigilância, a identificação de contatos, a necessidade de prevenção e controle de infecções, bem como a proteção dos profissionais de saúde e de suas famílias, são absolutamente prioritárias, assim como a proteção de vidas e meios de subsistência”, indicou Blumberg.

NÃO EXISTEM VACINAS PARA A VARIANTE BUNDIBUGYO

Por sua vez, o médico da OMS Vasee Moorthy insistiu que, para a cepa Bundibugyo, não existem vacinas nem tratamentos aprovados, embora tenha precisado que já se está trabalhando no desenvolvimento de possíveis vacinas. “As informações de que dispomos indicam que isso provavelmente levará entre seis e nove meses”, afirmou.

Da mesma forma, a doutora da OMS Anaïs Legand destacou que a prioridade imediata é estabelecer uma plataforma de resposta que inclua um centro de tratamento seguro e otimizado, bem como canais adequados de encaminhamento de pacientes, com o objetivo de garantir a detecção e o atendimento precoce de todos os casos suspeitos, enquanto se preparam os próximos ensaios de terapias candidatas promissoras.

Por fim, em relação à proibição de viagens para Uganda e a República Democrática do Congo, o Dr. Abdirahman Mahamud apoiou o rastreamento de contatos, o acompanhamento desses contatos, o isolamento e o encaminhamento imediato.

“Nossa recomendação é que todos os contatos e todos os casos não viajem (...). Esse é o primeiro passo de proteção em termos de segurança sanitária global. O segundo elemento é que os países estão realizando controles nos pontos de saída. Tanto Uganda quanto a República Democrática do Congo já estão fazendo isso”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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