Publicado 02/05/2026 12:09

A OMS afirma que quase um terço dos 43 indicadores dos ODS relacionados à saúde apresentam "grave escassez de dados"

A OMS afirma que quase um terço dos 43 indicadores dos ODS relacionados à saúde apresentam "grave escassez de dados"
GENNA PRINT/OMS

MADRID 2 maio (EUROPA PRESS) -

A Região Europeia da Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou um estudo que constatou que quase um terço dos 43 indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 relacionados à saúde enfrentam uma “grave escassez de dados”, o que se acentua em algumas áreas que não dispõem de informações em mais de 90% dos aspectos estabelecidos.

“Quando nos faltam os dados corretos, as comunidades mais vulneráveis tornam-se invisíveis para os responsáveis pelas políticas”, explicou a diretora de Sistemas de Saúde da referida região dessa organização internacional, a Dra. Natasha Azzopardi Muscat, que acrescentou que os ODS, por outro lado, “se basearam na promessa de não deixar ninguém para trás”, algo que não pode ser cumprido “sem dados precisos”.

Nesse contexto, a OMS se referiu a “lacunas de dados” para explicar a situação atual, as quais “prejudicam os objetivos-chave relacionados à saúde”. “Esperamos que este estudo sirva como um chamado à ação para que os governos e os parceiros tratem os sistemas de informação em saúde como a infraestrutura essencial que são”, afirmou Azzopardi Muscat.

Cofinanciado pela União Europeia (UE), este trabalho avaliou a distribuição dos dados ausentes, abrangendo os 194 Estados-membros da OMS durante o período compreendido entre 2015 e 2024. Durante esse período, a porcentagem de dados ausentes variou, já que em 2024, 41 dos 43 indicadores apresentavam mais de 90% de informações inexistentes, em comparação com 11 em 2019.

Além disso, esta pesquisa oferece outros dados, como o fato de que quase metade dos indicadores se baseia principalmente em estimativas modeladas, 35% em dados reportados pelos países e 16% em uma combinação de ambos. Os indicadores baseados em estimativas tendem a abranger mais nações, o que demonstra que muitas têm dificuldades para coletar e apresentar dados primários regularmente.

OBSTÁCULOS À INFORMAÇÃO

Quanto aos fatores que influenciam as variações nos dados ausentes, verifica-se que alguns indicadores se referem a questões sociais ou políticas delicadas, como a violência e o abuso de menores, nas quais a coleta e o compartilhamento de informações podem esbarrar em obstáculos. Por outro lado, outros são conceitualmente complexos e dependem de pesquisas em grande escala que raramente são realizadas.

Diante desse panorama, “temos o mandato dos Estados-Membros de coletar e divulgar estatísticas de saúde”, destacou o consultor regional para dados, Inteligência Artificial (IA) e saúde digital da Região Europeia da OMS, o Dr. David Novillo Ortiz. “No entanto, as lacunas nos dados relatados tornam isso um desafio e enfraquecem a eficácia das decisões políticas dos países”, afirmou.

Nesse sentido, ele declarou que, se se deseja “concretizar as ambições dos ODS e do 14º Programa Geral de Trabalho da OMS”, é “indispensável” um “investimento sustentado em dados oportunos e de alta qualidade”. “Dessa forma, é possível medir o progresso e as desigualdades não passam despercebidas”, confirmou.

OS RESULTADOS AJUDAM A ESTABELECER PRIORIDADES

Nesse sentido, a organização destacou que dados “precisos e oportunos” são “uma pedra angular da governança global eficaz em saúde”. Estes “ajudam os governos e as organizações internacionais a estabelecer metas claras, identificar prioridades, acompanhar os avanços e abordar as desigualdades”, enfatizou.

Por outro lado, “quando os dados de saúde são incompletos, desatualizados ou inconsistentes, é mais provável que as decisões se baseiem em suposições do que em evidências”, continuou, acrescentando que isso “pode levar ao mau uso de recursos, ao reconhecimento tardio de ameaças emergentes à saúde e a uma supervisão deficiente sobre se as políticas estão funcionando”.

Além disso, este estudo aponta que dados “deficientes” também “prejudicam a prestação de contas”, pois “os governos e as instituições não conseguem demonstrar claramente o progresso ou explicar os contratempos se a base de evidências for escassa”. “Para os cidadãos, as lacunas nos dados podem significar que as necessidades de saúde de certos grupos, como mulheres, idosos, crianças, pessoas com deficiência ou aqueles que vivem na pobreza ou em áreas remotas, sejam ignoradas”, afirma.

Diante dessa situação, os autores deste trabalho exigiram “uma maior coordenação dos dados, em particular entre os Ministérios da Saúde e os institutos nacionais de estatística”, bem como “melhorar a pontualidade dos dados e abordar as deficiências persistentes na desagregação”. Defende-se também a implementação rotineira de avaliações dos sistemas de informação em saúde “para identificar barreiras políticas, técnicas e de infraestrutura à disponibilidade de dados”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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