MADRID 10 dez. (EUROPA PRESS) -
A Ordem dos Médicos da Espanha (OMC) e sua Fundação para a Formação (FFOMC) apresentaram nesta quarta-feira um guia pioneiro para lidar com a dor aguda, um dos principais motivos de consulta médica e que afeta até 40% dos pacientes hospitalizados e quase a metade dos que chegam ao Departamento de Emergência.
"Esse guia dá um passo decisivo no tratamento personalizado porque, apesar de sua alta prevalência, o tratamento da dor aguda continua sendo desigual e, muitas vezes, mal adaptado às características do paciente", disse o secretário-geral da OMC, Dr. José María Rodríguez Vicente, durante uma coletiva de imprensa.
O guia 'Guidelines for action and follow-up in acute pain adapted to each patient', produzido com o patrocínio da empresa farmacêutica Zambón, é destinado aos profissionais de saúde e busca ajudar a personalizar e melhorar a abordagem eficaz da dor aguda em cada caso, com ênfase especial na emergência e na atenção primária.
Ele foi desenvolvido a partir de uma perspectiva multidisciplinar e atualiza os conceitos de detecção e tratamento da dor para favorecer a prática clínica, adaptando-se às necessidades específicas de cada pessoa.
Rodríguez enfatizou que esse documento visa a mudar a falta de acompanhamento pós-operatório ou a "má coordenação" entre os diferentes níveis de atendimento, que são "barreiras comuns" enfrentadas pelos pacientes.
"O desafio está em abandonar os esquemas gerais para adotar um modelo de atendimento que valorize a dor como uma experiência individual e que adote o tratamento de acordo com as circunstâncias químicas, funcionais e psicossociais de cada paciente", enfatizou.
TRATAR A DOR É A "PRIMEIRA FUNÇÃO" DA EQUIPE DE SAÚDE
O diretor da Unidade de Dor dos Hospitais HM e coordenador do guia, Dr. Juan Perez Cajaraville, expressou que tratar a dor é a "primeira função" do pessoal de saúde e que é "essencial" evitar que ela se torne crônica, o que pode piorar a qualidade de vida das pessoas.
"O único objetivo deste guia é (...) facilitar o tratamento precoce, imediato e eficaz da dor aguda, a fim de evitar maiores problemas fisiológicos e psicológicos. Se você não trata a dor, no final ela tem muitas consequências, consequências físicas e psicológicas", acrescentou.
Assim, o documento fornece diretrizes específicas para esses níveis de atendimento. No Departamento de Emergência, ele enfatiza a importância de medir a dor na área de triagem, ressaltando que a dor intensa deve ser tratada em menos de dez minutos; enquanto na Atenção Primária, foram incluídos os aspectos fundamentais a serem observados para o encaminhamento aos Departamentos de Emergência ou Unidades de Dor dos hospitais.
"Esse guia nos ajudará a evitar a cronificação da dor, a facilitar a recuperação geral do paciente, a reduzir possíveis complicações fisiológicas e também a reduzir a ansiedade, o medo e o estresse que a dor aguda gera, especialmente quando não é tratada precocemente", disse Pérez.
O POTENCIAL DA TELEMEDICINA
Quando se trata de estabelecer algumas das formas de agir, o guia também enfatiza o caso da telemedicina por seu "grande potencial", tanto para a consulta entre profissionais quanto para o acompanhamento do paciente.
Também se refere ao tratamento com medicamentos do tipo opioide, drogas de dupla ação, como o tramadol e o tapentadol; e aborda os analgésicos tópicos e a recomendação do uso de anti-inflamatórios não esteroides por sua ação anti-inflamatória, analgésica e antipirética, com destaque para o ibuprofeno.
O guia também faz parte de uma atividade de treinamento contínuo e credenciado, conforme apontado pela diretora técnica da FFOMC, Elena Fernández Martínez, e que tem como objetivo "informar e treinar".
"Como uma atividade de ensino à distância credenciada, garantimos que o profissional de saúde obtenha créditos que validem e atualizem oficialmente suas competências. O objetivo é facilitar o trabalho diário do profissional, melhorar a continuidade do atendimento e, por fim, o atendimento ao paciente", disse Fernández.
Esse documento também é endossado pela Sociedade Espanhola de Dor (SED), pela Sociedade Espanhola de Medicina de Família e Comunidade (semFyC) e pela Sociedade Espanhola de Medicina de Emergência (SEMES).
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático