MADRID 17 jun. (EUROPA PRESS) -
A Organização Médica Colegial (OMC) e a Aliança Médica pela Saúde Planetária (Amesap) realizaram nesta quarta-feira um evento no qual a classe política demonstrou ter assumido o problema climático atual, ressaltando que as mudanças climáticas representam, portanto, “um desafio à saúde”.
Alcançar “um amplo consenso” sobre o assunto e avançar rumo a “um pacto de Estado diante da emergência climática” foram os objetivos apresentados nesse sentido pela presidente da Comissão de Transição Ecológica e Desafio Demográfico do Congresso dos Deputados, Cristina Narbona, durante o encontro “Saúde, sustentabilidade e sistema de saúde: um compromisso nacional”, realizado em Madri.
Nesse encontro, segundo a OMC e a Amesap, foi reivindicada “uma resposta nacional diante do impacto do clima na saúde”, já que “as mudanças climáticas não são mais apenas um debate ambiental”. “Seus efeitos sobre a saúde, o surgimento de novos riscos para a população e a pressão sobre os serviços de saúde obrigam a colocá-lo também no centro da agenda de saúde”, declararam.
“A resposta a esse desafio deve necessariamente contar com o setor de saúde”, sendo “fundamental” a participação “dos médicos”, continuou a ex-ministra do Meio Ambiente, enquanto o presidente da Comissão de Saúde do Congresso dos Deputados, Agustín Santos Maraver, alertou que “os impactos na saúde decorrentes das mudanças climáticas já exigem uma resposta estrutural”. “As notícias não são boas”, afirmou ele.
Segundo ele, já foi ultrapassado “o limite do ‘Acordo de Paris’” e ainda não existe “um modelo de gestão adequado”. “A Europa deverá se preparar para riscos infecciosos até agora pouco comuns em seu território”, alertou ele, por outro lado, ao mesmo tempo em que defendeu “um sistema de saúde pública forte” para “responder a esse novo cenário”, o que será “fundamental”.
Em seguida, a porta-voz de saúde do PSOE na Câmara dos Deputados, Carmen Martínez, destacou a necessidade de “incorporar critérios ambientais na avaliação de tecnologias de saúde”. O objetivo é “que a inovação seja analisada não apenas por sua eficácia, segurança ou custo, mas também por seu impacto ambiental”, destacou ela.
CONTINUIDADE NAS ESTRATÉGIAS
“As reformas necessárias não podem ser condicionadas pelos prazos eleitorais”, declarou, ao usar da palavra, a porta-voz do Partido Popular (PP) na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, Elvira Velasco, que acrescentou que “a reforma não pode depender de um ciclo político”. Por isso, ela apelou à “continuidade, ao planejamento e à visão de longo prazo”.
Em seguida, os políticos deram a palavra a especialistas internacionais, como a diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente da Organização Mundial da Saúde (OMS), María Neira, que destacou que “a energia renovável é uma questão de saúde”, pelo que “não há desculpas”. “Há evidências científicas contundentes”, afirmou ela, acrescentando, nesse ponto, que “os prefeitos são os novos ministros da Saúde”.
Antes do encerramento do evento, com uma sessão protagonizada por jornalistas, o pesquisador sênior do ISGlobal e copresidente do ‘Lancet Countdown in Europe’, Josep Maria Antó, e o presidente da Federação Temática de Prática Médica Sustentável da União Europeia de Médicos Especialistas (UEMS, na sigla em inglês), Carlos Cabrera López, abordaram as evidências científicas disponíveis e o papel dos profissionais de saúde diante da emergência climática.
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