MADRID 28 mar. (EUROPA PRESS) -
O aumento do derretimento do gelo e das chuvas é responsável por 60% de um descompasso de décadas entre as temperaturas oceânicas previstas e observadas ao redor da Antártica.
Os modelos climáticos globais preveem que o Oceano Antártico deveria estar se aquecendo, mas, na realidade, essas águas têm se resfriado na maior parte das últimas quatro décadas.
Cientistas da Universidade de Stanford descobriram que a discrepância entre os resultados dos modelos e o resfriamento observado deve-se principalmente à falta de água de degelo e à subestimação da precipitação.
"Descobrimos que a tendência de resfriamento no Oceano Antártico é, na verdade, uma resposta ao aquecimento global, que acelera o derretimento da camada de gelo e a precipitação local", disse Earle Wilson, professor associado de ciência do sistema terrestre na Doerr School of Sustainability de Stanford e principal autor do estudo publicado na Geophysical Research Letters, em um comunicado.
DERRETIMENTO ANTÁRTICO
À medida que o aumento da temperatura derrete a camada de gelo da Antártica e causa mais precipitação, a camada superior do Oceano Antártico se torna menos salgada e, portanto, menos densa. Isso cria uma camada que limita a troca de água fria da superfície com a água mais quente subjacente. "Quanto mais fria a camada superficial se torna, mais difícil é misturar a água quente", explicou Wilson.
No entanto, esse resfriamento não é totalmente representado nos modelos climáticos mais modernos, uma falha que os cientistas reconhecem há muito tempo como a principal fonte de incerteza nas projeções do aumento futuro do nível do mar. "O impacto da água de derretimento glacial na circulação oceânica está completamente ausente na maioria dos modelos climáticos", disse Wilson.
A discrepância entre as temperaturas observadas e simuladas da superfície do mar ao redor da Antártica é parte de um desafio maior para cientistas e governos que buscam se preparar para os impactos climáticos.
Em geral, os modelos climáticos globais não simulam com precisão o resfriamento observado nos últimos 40 anos no Oceano Antártico e no Pacífico oriental ao redor do equador, nem a intensidade do aquecimento observado nos oceanos Índico e Pacífico ocidental. Há também uma discrepância entre as simulações e a frequência observada das condições climáticas de La Niña, definidas por um Pacífico oriental mais frio do que a média.
Os eventos de aquecimento no Oceano Antártico nos últimos oito anos, aproximadamente, atenuaram um pouco a tendência de resfriamento de 40 anos. Mas se as tendências globais da temperatura da superfície do mar continuarem a se assemelhar aos padrões que surgiram nas últimas décadas, em vez de se aproximarem dos padrões previstos nas simulações, isso mudaria as expectativas dos cientistas sobre alguns impactos de curto prazo das mudanças climáticas. "Nossos resultados podem ajudar a reconciliar essas discrepâncias globais", disse Wilson.
Os oceanos em todo o mundo absorveram mais de um quarto do dióxido de carbono emitido pelas atividades humanas e mais de 90% do excesso de calor retido em nosso sistema climático pelos gases de efeito estufa. "O Oceano Antártico é um dos principais locais onde isso está acontecendo", disse o principal autor do estudo, Zachary Kaufman, pesquisador de pós-doutorado em ciência do sistema terrestre.
Como resultado, o Oceano Antártico tem uma influência descomunal no aumento global do nível do mar, na absorção de calor do oceano e no sequestro de carbono. Suas temperaturas superficiais afetam os padrões climáticos do El Niño e do La Niña, que, por sua vez, influenciam a precipitação em locais tão distantes quanto a Califórnia.
UMA DESCOBERTA SURPREENDENTE
Para entender o mecanismo físico do resfriamento do Oceano Antártico e possibilitar projeções mais confiáveis de seus impactos futuros no sistema climático da Terra, Wilson e Kaufman se propuseram a determinar o quanto as temperaturas da superfície do mar ao redor da Antártica esfriaram nas simulações em resposta à descalcificação. "Ingenuamente, pensamos que não importaria exatamente onde a água doce foi depositada", explicou Wilson.
Os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que as temperaturas da superfície são muito mais sensíveis aos fluxos de água doce concentrados ao longo da costa do que àqueles que se espalham mais amplamente pelo oceano na forma de chuva.
"A aplicação de água doce perto da margem antártica tem uma influência maior na formação de gelo marinho e no ciclo sazonal de sua extensão, o que, por sua vez, tem um impacto a jusante na temperatura da superfície do mar", disse Wilson. "Esse foi um resultado surpreendente que queremos explorar ainda mais em trabalhos futuros."
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