Publicado 27/02/2026 09:53

Nutricionista alerta sobre a “dieta de comer plástico” e alerta para o risco de asfixia ou obstrução intestinal

Archivo - Arquivo - Primeiro plano de mulher cobrindo a boca com plástico
EYEEM MOBILE GMBH/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 27 fev. (EUROPA PRESS) - O desafio da “dieta de comer plástico”, tendência viral que consiste em mastigar alimentos envoltos em filme plástico para depois cuspi-los e não engordar, pode resultar em asfixia, irritação ou até mesmo obstrução intestinal, segundo a diretora do Mestrado em Nutrição, Composição Corporal e Metabolismo da Universidade Europeia, Andrea Calderón.

Essa prática, conhecida internacionalmente como “plastic eating”, tem como objetivo enganar o cérebro e evitar a ingestão de calorias porque, supostamente, simula “o prazer sensorial” de comer sem engolir, de modo que as pessoas que a experimentam conseguem “perder peso”.

Calderón, diante desse desafio que já se tornou viral na China, declarou que se trata de um “comportamento de risco” e não de uma estratégia nutricional. Como explicou a nutricionista, a saciedade não depende apenas “do ato mecânico de mastigar”. Para que o organismo possa ativar os mecanismos reguladores do apetite, é essencial que “os nutrientes cheguem ao trato digestivo”.

Nesse processo, hormônios como a leptina, a grelina ou peptídeos intestinais como o GLP-1 enviam sinais ao sistema nervoso central para controlar a fome e a saciedade. Portanto, quando a comida é cuspida e não digerida, essas vias não acabam sendo ativadas. Mesmo assim, pode haver uma “sensação momentânea” de saciedade, mas não há uma resposta metabólica real. TRANSTORNOS DE COMPORTAMENTO ALIMENTAR

Esse tipo de comportamento pode alterar a percepção normal da fome e pode estar relacionado a distúrbios alimentares (DA). De fato, do ponto de vista clínico, esse desafio pode se assemelhar ao comportamento conhecido como “mastigar e cuspir”, comum em pessoas com anorexia ou bulimia, com o qual elas apreciam o sabor dos alimentos sem ingerir as calorias. Como consequência dessa prática, pode-se reforçar uma relação “pouco saudável com a comida”, baseada no medo de engordar e na necessidade de controle. “Normalizar essas práticas, especialmente entre os jovens, pode ser um sinal de alerta e favorecer o desenvolvimento de comportamentos alimentares mais problemáticos”, comentou Calderón.

RISCO DE ASFIXIA E MICROPLÁSTICOS Caso alguma dessas pessoas acabe engolindo o plástico “acidentalmente”, pode ocorrer asfixia se as vias aéreas forem obstruídas ou se ele for aspirado para o sistema respiratório. Se o material acabar chegando ao aparelho digestivo, pode causar desconforto, irritação ou até mesmo um bloqueio intestinal. Além disso, se o plástico se fragmentar, os microplásticos podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares, produzir reações inflamatórias ou alterar o metabolismo, entre outras condições. Essa tendência reflete uma “ideia reducionista do que significa comer”. A alimentação envolve, além da introdução de nutrientes, a escolha dos alimentos, o planejamento, a preparação, o contexto social e o prazer. No entanto, com essa prática, a comida se torna algo que “deve ser evitado ou simulado”. Em uma “dieta” nessas condições, não há nenhum aporte energético ou nutricional real, o que pode “resultar em déficits” se mantida ao longo do tempo.

Segundo Andrea Calderón, para perder peso é necessário abordar estratégias “baseadas em evidências científicas”, como uma alimentação equilibrada, variada, adaptada e suficiente para cada pessoa, juntamente com outros hábitos de vida saudáveis, como o exercício físico. “A saúde não se constrói através de atalhos virais, mas sim através da educação nutricional e de uma relação saudável com a comida”, concluiu Calderón.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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