MADRID 13 jul. (EUROPA PRESS) -
As clínicas de fertilidade registraram um aumento de “mais de 40,3% no número de pacientes em cinco anos”, esse aumento na demanda deve-se ao “adiamento da maternidade” e ao “peso crescente dos pacientes internacionais”, conforme destacou a diretora médica do Instituto Bernabeu, a Dra. Andrea Bernabeu.
“A reprodução assistida já não é uma solução pontual, mas uma ferramenta integrada ao projeto de vida de muitas pessoas”, afirmou ela, ao mesmo tempo em que destacou que ocorreu “uma transformação no perfil do paciente”. “A idade média já se situa em 39,34 anos, número que evidencia o adiamento da decisão de ter filhos”, explicou.
Nesse sentido, ela afirmou que “a idade materna continua sendo o principal fator determinante da fertilidade”. “A partir dos 35 anos, observamos uma queda muito acentuada na qualidade e na quantidade dos óvulos”, destacou.
A representante desse centro de medicina reprodutiva, que garantiu que a Espanha é “uma referência na Europa” nessa área, declarou que “a maternidade tem se deslocado para idades mais avançadas por motivos profissionais, econômicos e sociais”. Isso “tem um impacto direto na fertilidade e explica em grande parte o aumento da demanda”, insistiu ela.
Por outro lado, Bernabeu afirmou que “outros modelos familiares ganharam destaque”, como “mães solteiras por opção e casais de mulheres que desejam ter filhos”, os quais “já constituem uma parte fundamental das pessoas que procuram essas clínicas, consolidando uma mudança estrutural na sociedade”.
'MOBILIDADE REPRODUTIVA'
Além disso, ele retomou o tema da ‘mobilidade reprodutiva’, ao destacar que “a Espanha se tornou um polo de atração para pacientes estrangeiros, que encontram no país uma combinação de alta qualidade médica, marcos regulatórios mais flexíveis e custos mais competitivos do que em seus países de origem”.
Nesse sentido, indicou que, segundo dados do Instituto Bernabeu, “os pacientes internacionais representam 49,71% das primeiras consultas, uma tendência que se mantém estável em torno de 50% ano após ano”. “A Espanha oferece elevados padrões clínicos e ampla experiência em reprodução assistida”, acrescentou.
Além disso, ele mencionou o aumento do número de embriões criopreservados no país, baseando-se em dados da Sociedade Espanhola de Fertilidade (SEF). Esta última apresentou o dado de que “já se ultrapassaram os 916.190”, o que “implica um crescimento acumulado próximo a 45% nos últimos cinco anos”.
“Se esse crescimento anual observado, de 7 a 8 por cento, se mantiver, na próxima década será ultrapassado o número de 1,5 milhão de embriões congelados”, continuou a especialista, embora tenha mencionado, por fim, um “desafio”. Trata-se da “redução do número de doadores de esperma”, pois “nos últimos anos, o número de candidatos diminuiu 25%, o que dificulta o equilíbrio do sistema”, alertou ela.
Segundo Bernabeu, a essa situação soma-se “um endurecimento dos critérios de seleção”, pelo qual “apenas entre 20% e 22% dos candidatos conseguem ingressar no programa de doação, contra os 30% registrados em 2021”. “A essa queda soma-se um aumento significativo de amostras afetadas por doenças sexualmente transmissíveis, que passaram de 32% em 2019 para 42% atualmente”, concluiu.
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