MICHIGAN STATE UNIVERSITY
MADRID 8 abr. (EUROPA PRESS) -
Os cientistas descobriram um novo filo microbiano na Zona Crítica da Terra, uma zona profunda do solo que restaura a qualidade da água.
A água subterrânea, que se torna água potável, passa por onde esses micróbios vivem e consomem os poluentes restantes. A descoberta foi publicada na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).
"A Zona Crítica se estende das copas das árvores até o solo, passando pela superfície e chegando a profundidades de até 213 metros", explica Jame Tiedje, especialista em microbiologia da Michigan State University e principal autor do estudo.
Essa zona suporta a maior parte da vida no planeta, regulando processos essenciais, como a formação do solo, o ciclo da água e o ciclo de nutrientes, que são vitais para a produção de alimentos, a qualidade da água e a saúde do ecossistema. Apesar de sua importância, a Zona Crítica Profunda representa uma nova fronteira, pois é uma parte importante da Terra que é relativamente inexplorada.
Tiedje descobriu nesse vasto e inexplorado mundo microbiano um filo completamente diferente, ou categoria primária, de micróbios, chamado CSP1-3.
EM PROFUNDIDADES DE ATÉ 21 METROS
Esse novo filo foi identificado em amostras de solo de Iowa e da China em profundidades de até 21 metros. Por que Iowa e China? Como essas duas áreas têm solos muito profundos e semelhantes, os pesquisadores queriam saber se a presença desses micróbios é mais ampla e não se limita a uma área, explicou Tiedje.
A equipe de Tiedje extraiu o DNA desses solos profundos e descobriu que os ancestrais da CSP1-3 viveram na água (fontes termais e água doce) há muitos milhões de anos. Eles passaram por pelo menos uma grande transição de habitat para colonizar ambientes de solo, primeiro o solo superficial e depois os solos profundos, durante sua história evolutiva.
Tiedje também descobriu que os micróbios eram ativos. "A maioria das pessoas pensaria nesses organismos como esporos ou dormentes", disse ele. "Mas uma das principais descobertas que obtivemos ao examinar seu DNA é que esses micróbios são ativos e crescem lentamente."
Tiedje também ficou surpreso ao descobrir que esses micróbios não eram membros raros da comunidade, mas eram dominantes; em alguns casos, eles representavam 50% ou mais da comunidade, algo que nunca acontece em solos superficiais.
"Acho que isso aconteceu porque o solo profundo é um ambiente muito diferente, e esse grupo de organismos evoluiu durante um longo período de tempo para se adaptar a esse ambiente de solo empobrecido", acrescentou Tiedje.
COMO OS MICRÓBIOS PURIFICAM A ÁGUA
O solo é o maior filtro de água do nosso planeta. Quando a água passa pelo solo, ela é purificada por processos físicos, químicos e biológicos. O solo raso, onde reside a maioria das raízes das plantas, geralmente é um volume muito pequeno pelo qual a água da chuva passa rapidamente. Mas o solo profundo tem um volume muito maior. É nesse ponto que a CSP1-3 ajuda. Elas se alimentam do carbono e do nitrogênio transportados da camada superficial do solo para concluir o processo de purificação.
"As CSP1-3s são as catadoras que limpam o que penetrou na camada superficial do solo", disse Tiedje, "Elas têm um papel a desempenhar."
A próxima etapa, disse Tiedje, é cultivar alguns desses micróbios no laboratório e, se eles crescerem, poderemos aprender mais sobre suas fisiologias exclusivas que lhes permitem prosperar nesse ambiente de solo profundo. Isso não é fácil. A maior parte do mundo microbiano não é cultivada porque é muito difícil reproduzir as condições em que eles vivem e crescem.
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