Publicado 25/03/2026 10:13

O Novo México aplica uma multa de 375 milhões de dólares à Meta por ter enganado o público sobre a segurança infantil

Archivo - Arquivo - 31 de janeiro de 2024, EUA, Washington: O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, presta depoimento durante a audiência da Comissão de Justiça do Senado dos EUA intitulada “As grandes empresas de tecnologia e a crise da exploração sexual infanti
Michael Brochstein/ZUMA Press Wi / DPA - Arquivo

MADRID 25 mar. (Portaltic/EP) -

Um júri do Novo México (Estados Unidos) condenou a Meta a pagar uma multa de 375 milhões de dólares (aproximadamente 323,2 milhões de euros) por violar as leis estaduais de proteção ao consumidor ao “enganar os consumidores sobre a segurança de suas plataformas e colocar menores em risco”.

O procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, entrou com uma ação contra a empresa de Mark Zuckerberg em 2023, acusando-a de criar um “mercado para predadores em busca de crianças” e de apresentar de forma enganosa seus produtos como seguros para adolescentes.

Após a conclusão do julgamento, em um processo que durou mais de dois anos e foi encerrado nesta semana, o Departamento de Justiça do Novo México indicou em um comunicado em seu site que as provas apresentadas, entre as quais se incluíam documentos internos e depoimentos de ex-funcionários, demonstraram que as características de design da Meta permitem que pedófilos e predadores sexuais explorem menores em suas plataformas, como é o caso do Facebook e do Instagram.

Precisamente no âmbito desse julgamento, durante o mês de fevereiro foram revelados documentos internos da Meta nos quais se especificava que Mark Zuckerberg chegou a considerar se a empresa deveria mudar sua abordagem em relação à investigação dos possíveis danos sociais de suas plataformas, já que os resultados dos relatórios realizados estavam causando problemas para a empresa de tecnologia.

Especificamente, essa reflexão do CEO da Meta surgiu em 2021 após a publicação de relatórios baseados em vazamentos que indicavam que o Instagram piorava a imagem corporal de 32% das adolescentes que usavam a rede social e que já se sentiam mal com seu corpo.

Os documentos internos da Meta e os depoimentos durante o processo judicial também revelaram que, em repetidas ocasiões, funcionários da Meta e especialistas externos em segurança infantil alertaram sobre os perigos presentes em suas plataformas.

Além disso, para comprovar como as plataformas da Meta servem como espaços de exploração sexual de menores, o Estado criou contas falsas no Facebook simulando perfis de menores e, como resultado, recebeu múltiplas solicitações e mensagens de usuários adultos, conforme relatado pelo The Verge. A Meta, por sua vez, afirmou que a investigação foi falha.

Por fim, após analisar as provas, o júri decidiu contra a Meta, alegando que ela violou as leis de proteção ao consumidor e, consequentemente, aplicou a multa máxima prevista de US$ 5.000 (aproximadamente 4.300 euros) por infração, totalizando US$ 375 milhões (aproximadamente 323,2 milhões de euros).

Diante da sanção, o porta-voz da Meta, Andy Stone, divulgou um breve comunicado na rede social X, no qual antecipou que irão recorrer da decisão. “Trabalhamos arduamente para manter a segurança dos usuários em nossas plataformas e estamos cientes das dificuldades que implica identificar e eliminar usuários mal-intencionados ou conteúdo prejudicial”, afirmou.

Dessa forma, o Novo México tornou-se o primeiro estado do país a vencer um processo contra uma importante empresa de tecnologia por prejudicar jovens. “O Novo México se orgulha de ser o primeiro estado a responsabilizar a Meta perante os tribunais por enganar os pais, facilitar a exploração infantil e prejudicar as crianças”, comemorou Torrez.

No entanto, apesar da multa imposta, ainda está pendente o resultado da ação final do Departamento de Justiça do Novo México (NMDOJ) contra a Meta, cujo julgamento sem júri terá início no próximo dia 4 de maio. O NMDOJ adiantou que argumentará seu caso de dano público e solicitará uma medida cautelar que obrigue a Meta a pagar por danos adicionais e realizar mudanças específicas em suas plataformas.

Entre essas mudanças estão a implementação de uma verificação de idade eficaz, a remoção de predadores das plataformas e a proteção de menores contra comunicações criptografadas que protegem agentes mal-intencionados.

JULGAMENTO POR VÍCIO EM MENORES

Por outro lado, o Departamento de Justiça do Novo México detalhou que os depoimentos de testemunhas e especialistas durante este julgamento demonstraram que a Meta projeta “intencionalmente” suas plataformas para gerar dependência em jovens e os expõe a conteúdos perigosos relacionados a distúrbios alimentares e automutilação.

Em fevereiro passado, Zuckerberg negou que o Instagram tivesse sido projetado para criar dependência perante um júri em Los Angeles (Estados Unidos), no âmbito de um julgamento histórico sobre a dependência das redes sociais.

O CEO da Meta alegou que os recursos de suas redes sociais foram projetados para tornar o Instagram e o Facebook uma plataforma “útil” e que, além disso, usuários menores de 13 anos mentiam para contornar a idade mínima exigida para acessá-las.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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