MADRID 13 out. (EUROPA PRESS) -
Um grupo de pesquisa do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) publicou um artigo científico na revista "Frontiers in Immunology", no qual descreve a identificação de possíveis biomarcadores da leishmaniose visceral (LV) em pacientes afetados por essa doença infecciosa.
A leishmaniose visceral é a forma mais grave dessa doença parasitária, caracterizada por alta morbidade e mortalidade, especialmente em pacientes com sistema imunológico debilitado. Essa doença infecciosa negligenciada é causada por protozoários da família "Leishmania", é transmitida principalmente pela picada de flebotomíneos - que atuam como vetores do parasita - e é caracterizada por febre crônica, aumento do baço e do fígado e pancitopenia.
A pesquisa é coordenada por Eugenia Carrillo e Javier Moreno, do Centro Nacional de Microbiologia (CNM) do ISCIII. Em um estudo anterior, sua equipe já havia determinado em modelos animais que as vesículas extracelulares (EVs) plasmáticas, estruturas com material genético e proteico liberado pelas células, representam uma fonte promissora de biomarcadores clínicos para essa doença.
No estudo agora publicado, é usada uma metodologia semelhante à do trabalho anterior, mas aplicada ao acompanhamento clínico de pacientes humanos, graças à análise de amostras de pacientes de um surto epidemiológico de leishmaniose ocorrido em Madri anos atrás, que foram armazenadas no biobanco CNM-ISCIII.
Esse trabalho com amostras de pacientes nos permitiu dar mais um passo em direção à aplicação clínica da identificação de biomarcadores medidos com um teste ELISA, um dos testes mais usados na medicina clínica.
SEIS PROTEÍNAS-ALVO, COM SAA1 DESEMPENHANDO UM PAPEL DE LIDERANÇA
A análise de EVs de soro de pacientes com LV permitiu a identificação de 132 proteínas humanas expressas diferencialmente entre pacientes ativos - doentes, mas não tratados - e pacientes tratados. Testes adicionais validaram por ELISA seis biomarcadores especificamente candidatos à detecção da leishmaniose visceral.
Entre eles, destaca-se a detecção da proteína A1 amiloide sérica (SAA1), característica da fase aguda da doença e cuja expressão diminuiu significativamente um mês após o tratamento em pacientes afetados pela doença. A equipe do ISCIII explica que essa proteína, associada a processos inflamatórios sistêmicos, "está posicionada como um marcador prognóstico precoce, acessível e útil para o monitoramento clínico da resposta terapêutica em pessoas com leishmaniose visceral".
Juntamente com a SAA1, o estudo identificou 29 outras proteínas de 'Leishmania' em vesículas extracelulares humanas, "o que representa uma nova fonte de biomarcadores de parasitas para melhorar o diagnóstico, o monitoramento pós-tratamento e a compreensão da dinâmica da infecção", concluem os pesquisadores do ISCIII.
Em resumo, os cientistas dizem que essas descobertas permitem distinguir entre infecção ativa e curada e oferecem ferramentas em potencial para melhorar o monitoramento clínico e o desenvolvimento de novas estratégias diagnósticas e terapêuticas nessa doença.
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