Publicado 09/04/2025 08:22

Novo alvo terapêutico identificado para a forma mais comum de câncer de pulmão

Imagem do pulmão do camundongo com focos de tumor (amarelo), antes e depois do tratamento.
PIXABAY

MADRID 9 abr. (EUROPA PRESS) -

Pesquisadores do Centro de Pesquisa do Câncer (CIC, CSIC-USAL-FICUS) e do Instituto de Biomedicina de Sevilha (IBiS, US-CSIC-Junta de Andalucía) identificaram a proteína SOS1, um ativador universal das proteínas RAS em células de mamíferos, como um novo alvo terapêutico no adenocarcinoma do pulmão - o tumor mais comum nesse órgão - e em outros cânceres dependentes de oncogenes RAS mutantes.

De acordo com os cientistas, o RAS é uma família de proteínas cruciais na sinalização celular, que atuam como interruptores moleculares para regular processos como a sobrevivência, a proliferação e a diferenciação das células. Os oncogenes RAS mutados são variantes das proteínas RAS que, devido a mutações genéticas, são constantemente ativadas, promovendo o crescimento e a proliferação descontrolados das células.

Quando ocorrem mutações em genes como o KRAS, as proteínas RAS não respondem aos sinais de desativação, o que promove o desenvolvimento do tumor. As mutações no KRAS são comuns em cânceres de pulmão, pâncreas e cólon.

Nesse estudo, publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)", os pesquisadores demonstraram em camundongos com adenocarcinoma de pulmão, causado pelo oncogene KRASG12D mutado, que a inibição farmacológica da proteína SOS1 pelo BI-3406 (um inibidor específico desenvolvido pela empresa Boehringer Ingelheim) bloqueia o desenvolvimento do tumor.

O resultado observado é semelhante ao demonstrado anteriormente pela ablação genética dessa mesma proteína desenvolvida no mesmo laboratório do CIC, dirigido pelo professor Eugenio Santos.

A ablação gênica é um procedimento experimental que consiste na eliminação ou interrupção de um gene específico. Neste estudo, ele foi usado para testar o impacto da eliminação do gene SOS1 e validar o papel crucial dessa proteína no desenvolvimento do tumor, comparando seus efeitos com os resultados obtidos no tratamento com o inibidor BI-3406.

UMA PORTA ABERTA PARA TERAPIAS COMBINADAS

Os pesquisadores afirmam que, além de apresentar baixa toxicidade sistêmica em camundongos, o tratamento com o BI-3406 não apenas reduz a carga tumoral intrínseca (características biológicas do tumor, como mutações, perfil de expressão gênica etc.), mas também modula o microambiente tumoral de forma benéfica.

Os resultados também revelam que a combinação do BI-3406 com um inibidor (MRTX1133) que tem como alvo específico a mutação KRASG12D produz efeitos antitumorais sinérgicos, sugerindo um potencial significativo para o desenvolvimento de terapias combinadas mais eficazes para o câncer de pulmão.

"Os resultados obtidos nessa pesquisa confirmam que o SOS1 é um alvo terapêutico viável em uma variedade de cânceres dependentes do oncogene RAS. Além disso, identificamos uma janela terapêutica para o desenvolvimento de uma intervenção farmacológica apropriada com inibidores de SOS1, tanto em monoterapia quanto em uma combinação de medicamentos direcionados a mutações específicas de KRAS. Portanto, os resultados sugerem que os inibidores de SOS1 poderiam ser componentes válidos em múltiplas terapias antitumorais direcionadas", disse Fernando C. Baltanás, um dos principais autores do estudo.

O estudo foi realizado em colaboração com pesquisadores da Universidade de Torino (Itália) e da Boehringer Ingelheim (Viena, Áustria), e foi financiado por várias instituições, como o Cancer CIBER (CIBERONC) do Instituto de Saúde Carlos III, o Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, a Associação Inés de Pablo Llorens, a Fundação Eugenio Rodríguez Pascual e a Associação Espanhola Contra o Câncer (por meio do programa Stop Ras Cancers).

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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