Publicado 10/04/2025 12:17

Nossa galáxia vizinha mais próxima pode estar sendo despedaçada

As velocidades de candidatos a estrelas massivas dentro da Pequena Nuvem de Magalhães são mostradas como vetores.
SATOYA NAKANO

MADRID 10 abr. (EUROPA PRESS) -

A atração gravitacional da Grande Nuvem de Magalhães (LMC) pode estar separando sua companheira, a Pequena Nuvem de Magalhães (SMC), a galáxia vizinha mais próxima da nossa Via Láctea.

Essa descoberta, feita por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Nagoya, revela um novo padrão no movimento de estrelas massivas na SMC que pode transformar nossa compreensão da evolução e das interações galácticas. Os resultados foram publicados no Astrophysical Journal Supplement Series.

"Quando obtivemos esse resultado pela primeira vez, suspeitamos que poderia haver um erro em nosso método de análise", afirmam os pesquisadores da Universidade de Nagoya, Satoya Nakano e Kengo Tachihara. "Entretanto, após uma análise mais aprofundada, os resultados são indiscutíveis e ficamos surpresos.

RASTREANDO 7.000 ESTRELAS EM OUTRA GALÁXIA

A proximidade da SMC (210.000 anos-luz) permitiu que a equipe de pesquisa identificasse e rastreasse aproximadamente 7.000 estrelas maciças dentro da galáxia. Essas estrelas, com uma massa oito vezes maior que a do nosso Sol, normalmente sobrevivem apenas alguns milhões de anos antes de explodir como supernovas. Sua presença indica regiões ricas em gás hidrogênio, um componente crucial para a formação de estrelas.

"As estrelas da Pequena Nuvem de Magalhães estavam se movendo em direções opostas em ambos os lados da galáxia, como se estivessem se afastando", diz Tachihara. "Algumas dessas estrelas estão se movendo em direção à Grande Nuvem de Magalhães, enquanto outras estão se afastando, o que sugere a influência gravitacional da galáxia maior. Esse movimento inesperado apoia a hipótese de que a Grande Nuvem de Magalhães está sendo perturbada pela Grande Nuvem de Magalhães, levando à sua destruição gradual.

Outra descoberta surpreendente foi a ausência de movimento rotacional entre as estrelas maciças. Ao contrário da nossa Via Láctea, onde o gás interestelar gira junto com as estrelas, o estudo revelou um padrão distinto. Normalmente, as estrelas maciças jovens se movem junto com o gás interestelar do qual nasceram, pois ainda não tiveram tempo de se desacoplar de seu movimento. Entretanto, as estrelas maciças da Pequena Nuvem de Magalhães não seguem um padrão de rotação, indicando que o próprio gás interestelar também não gira.

"Se a Pequena Nuvem de Magalhães não estiver realmente girando, as estimativas anteriores de sua massa e seu histórico de interação com a Via Láctea e a Grande Nuvem de Magalhães podem precisar ser revistas", explica Nakano, colaborador do estudo, que também fez um vídeo explicando as descobertas. "Isso poderia mudar nossa compreensão da história da interação de três corpos entre as duas Nuvens de Magalhães e a Via Láctea.

O estudo tem implicações mais amplas para a compreensão da dinâmica das interações entre galáxias vizinhas, especialmente no início do universo. Os astrônomos consideram a SMC um modelo ideal para estudar a infância do universo, pois ela compartilha muitas condições com as galáxias primitivas, como baixa metalicidade e potencial gravitacional fraco. As descobertas dos pesquisadores sobre a interação entre as Nuvens de Magalhães poderiam, portanto, assemelhar-se aos processos que moldaram as galáxias há bilhões de anos, fornecendo informações valiosas sobre sua evolução ao longo do tempo cósmico. As descobertas do grupo podem gerar uma nova compreensão desses processos.

"Não podemos ter uma visão aérea da galáxia em que vivemos", diz Tachihara. "Como resultado, a Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães são as únicas galáxias nas quais podemos observar os detalhes do movimento estelar. Essa pesquisa é importante porque nos permite estudar o processo de formação de estrelas em relação ao movimento das estrelas em toda a galáxia.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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