UNSPLASH - GUILLAUME LORAIN E
MADRID 24 out. (EUROPA PRESS) -
Durante o dia, os aviões fazem parte da paisagem sonora e visual. À noite, porém, eles parecem desaparecer e, quando um passa, soa com uma força surpreendente. Por que isso acontece? Por que, à noite, os aviões parecem parar de voar, mas quando o fazem, parecem mais altos do que nunca?
Há uma explicação. Por um lado, os aeroportos reduzem sua atividade à noite para limitar o impacto acústico nas áreas habitadas. Por outro lado, as condições do ar mudam com a temperatura e o vento, e isso altera a maneira como o som viaja e é percebido. Menos voos e uma atmosfera mais estável são a combinação perfeita para fazer com que o céu noturno pareça mais silencioso até que alguém passe por cima dele.
MENOS VOOS E LIMITES ACÚSTICOS À NOITE
A maioria dos aeroportos europeus e espanhóis aplica restrições de ruído entre as 23h e as 6h para proteger o resto dos vizinhos. Nesse intervalo, o número de operações é drasticamente reduzido e somente voos com necessidades especiais - como emergências, serviços médicos ou aeronaves com motores mais silenciosos - são autorizados.
Essas limitações estão definidas nos Planos de Ação contra o Ruído publicados pela AENA e na Diretiva 2002/49/CE do Parlamento Europeu, que obriga os Estados-Membros a controlar a exposição ao ruído ambiental. O objetivo é claro: reduzir a poluição sonora e seus efeitos sobre a saúde.
É por isso que, em muitas áreas próximas aos aeroportos, as noites são surpreendentemente silenciosas. As decolagens e aterrissagens são espaçadas e, por horas a fio, não se ouve nada.
QUANDO SOA MAIS ALTO, É PORQUE O AR PERMITE
Mas o silêncio não depende apenas do tráfego aéreo. A física do som também está envolvida. À noite, o ar próximo ao solo esfria e se torna mais denso, permitindo que as ondas sonoras se propaguem de forma mais uniforme e por distâncias maiores. Durante o dia, por outro lado, o calor do solo cria correntes ascendentes que dispersam o ruído.
A NASA explica que nessas condições atmosféricas estáveis - conhecidas como "inversão térmica" - o som tende a se refratar em direção ao solo em vez de se perder no céu. É por isso que um avião voando a quilômetros de distância pode parecer muito mais próximo quando passa por cima dele no início da manhã do que em plena luz do dia.
O vento também desempenha um papel importante: se soprar do avião em direção ao solo, ele carrega as ondas sonoras e faz com que elas cheguem com mais intensidade. E há um fator adicional que aumenta o efeito: o silêncio do ambiente. Com menos tráfego, construção ou atividade humana, o ouvido percebe qualquer som isolado como mais alto, mesmo que o nível real de decibéis seja o mesmo.
UM FENÔMENO COMUM, MAS POUCO PERCEBIDO
A combinação de menos voos e uma atmosfera mais estável cria esse paradoxo reconhecível: um céu aparentemente silencioso onde, de vez em quando, uma aeronave rompe a quietude com um estrondo aparentemente amplificado.
Na realidade, não há mais ruído, mas nosso ambiente e a física do ar o tornam mais perceptível.
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