GULCIN RAGIBOGLU - Arquivo
MADRID 11 ago. (EUROPA PRESS) -
O professor de Fisioterapia da Universidade Europeia, o Dr. Carlos Villarón, destacou que existem quatro erros principais ao mergulhar na água que podem causar lesões cervicais irreversíveis, a saber: “não verificar a profundidade real, mergulhar de cabeça em áreas rasas, dar um salto com impulso ou fazer acrobacias e não verificar se há outras pessoas na trajetória”.
Durante o banho, “surge uma falsa sensação de controle porque conhecemos o ambiente, estamos relaxados, há pessoas ao redor e, justamente por isso, baixamos a guarda”, explicou ele a esse respeito, acrescentando que “esse relaxamento leva a cometer erros fatais”. Por isso, no verão ocorrem inúmeros acidentes.
Além disso, Villarón afirmou que o fato de saber nadar também não deve ser motivo de falsa tranquilidade, algo que ajuda, “mas não evita um traumatismo” se o salto for mal executado, se a profundidade for calculada incorretamente ou se a pessoa entrar na água de forma impulsiva. “Uma boa técnica de natação não protege contra um impacto nem autoriza a pular de qualquer jeito”, enfatizou.
“O perfil nesse tipo de acidente costuma ser de homens ou jovens adultos em um ambiente de descontração”, insistiu, acrescentando que “muitas vezes são pessoas saudáveis, ativas, que sabem nadar e se sentem seguras na água”. No entanto, “as consequências dessas atitudes de risco vão desde simples contusões até lesões cranioencefálicas”, lamenta.
Sobre a parte do corpo mais delicada nessas situações, ele explicou que “ao bater a cabeça no fundo, a força do impacto é transmitida diretamente para o pescoço”. “Isso pode causar fraturas vertebrais e lesão medular”, bem como “sequelas de extrema gravidade que podem afetar braços e pernas, causar tetraplegia e até mesmo comprometer a respiração”, aprofundou.
RECOMENDAÇÕES
Diante disso, ele recomendou “entrar na água de forma gradual e controlada, usando as escadas ou sentando-se na beira”. No caso de mergulhos em áreas permitidas, ele lembrou que “é preciso se lançar com os braços estendidos para proteger o pescoço e sempre evitar que a cabeça seja a primeira parte do corpo a bater na água”.
“Se, apesar das precauções, ocorrer um acidente e a vítima ficar atordoada na água, a forma de socorrê-la é fundamental para não agravar o quadro clínico”, continuou ele, ao mesmo tempo em que explicou que “se houver uma lesão cervical, mover o pescoço de forma brusca pode agravar o dano”. “Uma lesão medular incompleta pode piorar se manusearmos a pessoa de maneira incorreta”, ressaltou.
Dessa forma, ele informou que o protocolo exige acionar o serviço de emergência imediatamente e evitar ações bem-intencionadas, como puxar o pescoço, sentá-la, levantá-la, virá-la de qualquer maneira ou tentar ver se ela consegue se levantar.
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