MADRID 1 abr. (EUROPA PRESS) -
O membro do Grupo de Trabalho sobre TDAH e Transtornos do Neurodesenvolvimento da Sociedade Espanhola de Neurologia Pediátrica (SENEP), Dr. Aránzazu Hernández-Fabián, pediu que se identifique o risco de sofrer de transtorno do espectro do autismo (TEA), o mais "cedo possível", enfatizando que alguns grupos são mais vulneráveis ao acesso ao diagnóstico ou ao atendimento precoce, como meninas, mulheres ou pessoas com um idioma predominante diferente.
"Em alguns casos, um diagnóstico estável pode ser feito já aos dois anos de idade, ou os sinais de alerta podem ser reconhecidos ainda mais cedo. É necessário apoiar a identificação do risco de autismo o mais cedo possível. As intervenções precoces podem ter um impacto maior na aquisição de habilidades e na autonomia na vida adulta da pessoa com TEA", disse o Dr. Hernández-Fabián, por ocasião do Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, que é comemorado nesta quarta-feira.
Depois disso, ela reconheceu um aumento nos esforços nessa direção, alcançando "um aumento de 300% no diagnóstico nas últimas duas décadas", tudo graças ao melhor acesso ao diagnóstico, à inclusão no espectro do autismo de pessoas com sintomas menos óbvios, mas que causam interferência em suas vidas diárias, bem como ao aumento de alguns fatores de risco relacionados ao TEA.
Embora sua prevalência em todo o mundo seja de 1% ou 2%, o neuropediatra enfatizou que "cada pessoa com autismo é única", com diferentes pontos fortes ou necessidades, de modo que o nível de apoio necessário pode ser diferente dependendo do caso.
"O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição precoce de neurodesenvolvimento. As pessoas com autismo têm dificuldades de comunicação e socialização, além de comportamentos repetitivos, interesses restritos, menor tolerância a mudanças ou respostas sensoriais atípicas", disse ela.
Apesar dessas melhorias, ele alertou que a identificação precoce desses distúrbios não faz sentido se não forem desenvolvidas estratégias de intervenção adequadas, considerando que é uma "responsabilidade social" garantir atendimento precoce "universal, sistemático, específico e suficientemente intensivo", bem como apoio às famílias.
AS PSEUDOTERAPIAS GERAM "FALSAS ESPERANÇAS".
Por outro lado, o Dr. Hernández-Fabián destacou que as pseudoterapias "contribuem para gerar falsas esperanças" sobre a suposta cura do autismo, enfatizando que algumas delas podem até "colocar em perigo real" a saúde das pessoas com TEA.
"O autismo é uma condição que acompanha a pessoa durante toda a sua vida. Não é uma doença, trata-se de neurodiversidade", insistiu, ressaltando que o foco deve ser a melhoria da assistência médica inclusiva, da educação de qualidade, da acessibilidade no local de trabalho, da redução das desigualdades e do projeto de cidades e comunidades favoráveis às pessoas com autismo e outros transtornos.
O papel do neuropediatra também é "fundamental" na abordagem e no acompanhamento do TEA, e o especialista lembrou que, nos primeiros estágios, é feito o diagnóstico precoce e devem ser descartadas doenças orgânicas que possam estar por trás dos sintomas, para as quais é necessário treinamento específico.
Durante o acompanhamento posterior, será "fundamental" que o neuropediatra acompanhe e oriente as famílias nos recursos necessários, para que o "potencial máximo" das pessoas com TEA seja alcançado.
"O credenciamento como Área de Treinamento Específico (ACE) em Neuropediatria fortaleceria a homogeneidade do treinamento, a assistência médica e a força da especialização pediátrica", concluiu.
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