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MADRID 20 fev. (EUROPA PRESS) -
A neuropediatra e coordenadora do Grupo de Trabalho de Neuroimunologia e Neuroinfecções da Sociedade Espanhola de Neurologia Pediátrica (SENEP), Dra. Thaís Armangué, destacou os avanços que levaram à identificação da autoimunidade mediada por anticorpos como uma das causas mais importantes de encefalite.
"Tradicionalmente, a encefalite tem sido atribuída quase que exclusivamente a causas infecciosas, principalmente vírus, mas nos últimos anos uma nova categoria de encefalite, a encefalite autoimune mediada por anticorpos, foi descoberta e melhor compreendida. Isso tornou possível encontrar a causa de muitos casos de encefalite cuja causa era desconhecida e, ao mesmo tempo, tratá-los adequadamente e melhorar o prognóstico desses pacientes", disse Armangué.
O especialista destacou a importância de encontrar melhores tratamentos, já que se trata de uma doença "rara" e "devastadora" que afeta pessoas de todas as idades, cujas vidas mudam "completamente" depois de serem diagnosticadas, pois essa inflamação do cérebro ocorre quando as defesas do corpo "dão errado" e atacam as proteínas neuronais como se fossem prejudiciais.
"A prevalência é desconhecida porque é uma entidade que só foi definida recentemente e com avanços contínuos e descobertas de novos anticorpos; mas sua incidência poderia colocá-la entre as doenças muito raras, com um caso por 100.000 habitantes", disse ele.
Embora seus sintomas possam ser "muito variados", dependendo da área do cérebro mais inflamada, do anticorpo associado e da idade do paciente, eles podem começar com manifestações psiquiátricas, às quais podem ser acrescentadas crises epilépticas, distúrbios de movimento e até mesmo alteração da consciência.
A DIFICULDADE DE DIAGNÓSTICO
É por isso que um diagnóstico preciso é "muito importante", pois se for causado por um vírus ou bactéria, as defesas do corpo devem ser "fortes", enquanto que se for devido a uma causa autoimune, serão necessários tratamentos baseados em imunossupressores para conter a resposta inflamatória exagerada ou errônea do corpo.
Nesse sentido, ela lembrou que um estudo liderado por ela mesma e publicado na revista Lancet Neurology mostrou que o diagnóstico é "complexo" porque há outras doenças que podem imitar uma encefalite autoimune em sua apresentação e que há limitações nos critérios de diagnóstico atuais.
O especialista destacou que esse trabalho nos permitiu entender melhor essas entidades e conhecer os pontos fortes e as limitações dos atuais critérios de diagnóstico da encefalite autoimune.
Apesar disso, ela enfatizou que é "importante continuar a entender melhor" esse tipo de mecanismo para personalizar ainda mais o tratamento, para que ele seja mais eficaz; ela também afirmou que quanto mais cedo for diagnosticado, maior a probabilidade de não haver sequelas no paciente.
"A encefalite, em geral, não pode ser prevenida hoje em dia. Nesse campo, é muito importante continuar a pesquisa para identificar melhor os mecanismos, para que no futuro seja possível diagnosticar mais cedo ou até mesmo evitar, em alguns casos, a encefalite autoimune, por exemplo, causada por uma infecção anterior", observou Armangué.
Da mesma forma, ele considerou que "é essencial continuar a pesquisa nesse campo para melhorar o diagnóstico de casos que ainda não têm um biomarcador ou um anticorpo associado, bem como para entender melhor os mecanismos para otimizar o tratamento".
Por outro lado, o neuropediatra explicou que o papel dessa figura é de grande importância no processo, pois essa é uma categoria "relativamente nova" de encefalite que ainda é desconhecida por muitos clínicos gerais e pediatras.
"Nos últimos anos, os neuropediatras têm feito um trabalho muito importante de atualização de seus conhecimentos, de modo que são capazes de identificar esse tipo de encefalite muito cedo", disse ele.
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