Publicado 24/07/2026 08:00

Neurologistas alertam que a população negligencia dois exames essenciais para proteger a saúde cerebral

Lembram que controlar a pressão arterial e fazer exames ajuda a proteger o cérebro

Archivo - Arquivo - Exame de sangue.
YAKOBCHUKOLENA/ISTOCK - Arquivo

MADRID, 24 jul. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN) alertou que grande parte da população espanhola negligencia dois dos controles mais simples e eficazes para proteger a saúde cerebral a longo prazo: a realização de exames de sangue preventivos e o controle periódico da pressão arterial.

De acordo com a pesquisa “Hábitos saudáveis para o cérebro da população espanhola”, elaborada pela SEN, apenas 51% dos espanhóis realizam pelo menos um exame de sangue por ano por precaução. Cerca de 32,4% só o fazem quando o médico solicita, diante de algum problema de saúde; 12,6% limitam-se aos exames de rotina exigidos pelo trabalho; e 4% nunca realizam exames de sangue.

Quanto ao controle da pressão arterial, embora cerca de metade dos entrevistados (49%) a monitore em casa com um aparelho próprio e 10% recorram ao posto de saúde ou à farmácia, mais de 40% praticamente nunca a verificam ou só o fazem quando já apresentam algum sintoma.

Por ocasião do Dia Internacional do Autocuidado, comemorado todo dia 24 de julho, a SEN destaca que tanto a hipertensão arterial quanto certas alterações detectáveis em um exame de sangue — como os níveis de colesterol ou de glicose, entre outros — figuram entre os principais fatores de risco modificáveis das doenças neurológicas mais prevalentes, como o AVC ou as demências.

“O autocuidado não deve ser um gesto ocasional, mas sim um hábito: verificar a pressão arterial e fazer exames de laboratório regularmente são duas das medidas mais simples, mais baratas e mais eficazes que existem para proteger a saúde do cérebro ao longo de toda a vida”, explicou o presidente da Sociedade Espanhola de Neurologia, Jesús Porta-Etessam.

OS JOVENS, O GRUPO QUE MAIS NEGLIGENCIA O AUTOCUIDADO

A análise por faixa etária da pesquisa da SEN mostra que o hábito preventivo aumenta à medida que se avança na idade; portanto, a janela de oportunidade para prevenir os danos vasculares acumulados ao longo dos anos pode ter se reduzido consideravelmente. Enquanto 55,8% das pessoas com mais de 60 anos realizam um exame preventivo por ano, essa porcentagem cai para 45,6% entre os jovens de 18 a 34 anos.

A diferença é ainda mais acentuada no controle da pressão arterial. Apenas 5,1% dos jovens de 18 a 34 anos têm um esfigmomanômetro em casa e o utilizam regularmente, contra 40,9% das pessoas com mais de 60 anos. E enquanto 26,7% dos jovens admitem nunca ter medido a pressão arterial, esse número cai para 8,4% entre os maiores de 60 anos.

A pesquisa também revela diferenças por gênero. No caso dos exames de sangue, 56,6% das mulheres realizam pelo menos um por ano como medida preventiva, contra 45,1% dos homens. No controle da pressão arterial, embora as porcentagens gerais sejam semelhantes entre ambos os sexos, as mulheres demonstram uma atitude um pouco mais autônoma — com medições em casa ou no consultório —, enquanto os homens recorrem mais à farmácia ou aguardam a indicação médica.

O AUTOCUIDADO, A MELHOR FERRAMENTA CONTRA O AVC E A DOENÇA DE ALZHEIMER

As demências, com a doença de Alzheimer à frente, e o AVC são a primeira e a quarta causas de morte na Espanha e, além disso, o AVC é a primeira causa de incapacidade adquirida em adultos.

De acordo com a SEN, até 90% dos AVCs e até 40% das demências estão relacionados a fatores de risco modificáveis, entre os quais se encontra a hipertensão arterial. Portanto, os especialistas destacam que controlar a pressão arterial, juntamente com outros fatores como o colesterol, a glicemia ou o sedentarismo, não apenas reduz o risco de acidente vascular cerebral, mas também protege contra o declínio cognitivo, uma vez que a saúde vascular e a saúde cerebral estão intimamente ligadas.

Por tudo isso, a SEN recomenda o controle periódico da pressão arterial a partir dos 3 anos de idade e, especialmente, a partir dos 40 anos — ou antes, caso haja histórico familiar de hipertensão, AVC ou outra doença vascular. Além disso, é importante realizar exames de sangue regularmente, mesmo que não haja sintomas, para detectar precocemente alterações nos níveis de colesterol, glicose ou outros marcadores de risco vascular.

Além disso, aconselha não esperar o surgimento de sintomas para fazer exames, pois muitos fatores de risco neurológico, como a hipertensão, são assintomáticos. Também recomenda manter hábitos de vida saudáveis: alimentação equilibrada, atividade física regular, bom descanso e evitar o tabagismo e o consumo de álcool. Além disso, incentiva-se a prevenção desde cedo, já que os hábitos adquiridos na juventude condicionam a saúde cerebral nas décadas seguintes.

“Começar a cuidar-se cedo é o melhor investimento que podemos fazer pelo nosso cérebro. Não se trata de esperar até ficarmos mais velhos para nos preocuparmos com a pressão arterial ou com exames laboratoriais: os dados mostram que os jovens são, justamente, os que menos fazem exames, e isso pode ser uma oportunidade perdida de prevenção. De qualquer forma, nunca é tarde para começar a cuidar do nosso cérebro”, conclui Porta-Etessam.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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