MADRID 14 out. (EUROPA PRESS) -
O Grupo de Estudos sobre Despertares e Distúrbios do Sono da Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN) alertou sobre o aumento de produtos e serviços "milagrosos" sem validade médica e destinados a pessoas com insônia, o que não só acarreta um gasto econômico "significativo" para o paciente, mas também pode ser prejudicial à sua saúde.
Além de gerar frustração no próprio paciente por não obter os resultados esperados, também atrasa a busca por ajuda médica adequada, o que favorece sua cronificação.
"Embora seja positivo que o interesse pela importância do sono e pelas medidas para melhorá-lo esteja crescendo, é cada vez mais comum encontrar afirmações categóricas e propostas que carecem de validade científica, muitas vezes oferecendo soluções falsas ou medicamente inválidas. Nos últimos anos, temos visto um aumento exponencial de produtos e serviços voltados para pessoas com insônia crônica", disse a coordenadora do grupo, Dra. Celia García Malo.
Esses produtos incluem suplementos e pílulas que são apresentados como "naturais", sprays ou infusões milagrosas, travesseiros especiais, máscaras para os olhos com tecnologia incorporada, aplicativos de meditação, dispositivos eletrônicos, óculos com filtros de luz, lâmpadas coloridas ou até mesmo retiros de fim de semana destinados a "curar" a insônia.
Além disso, ele detalhou que os últimos dados disponíveis mostram que a venda de remédios para dormir sem prescrição médica em farmácias na Espanha em 2022 representou um mercado de mais de 130 milhões de euros.
"No entanto, a realidade é que nenhum desses produtos demonstrou eficácia no tratamento desse distúrbio. É uma indústria com grande poder de marketing que busca seu nicho entre aqueles que sofrem com esse problema de saúde", acrescentou o especialista.
A insônia afeta até 15% dos adultos espanhóis de forma crônica, o que afeta a qualidade de vida, o desempenho no trabalho e aumenta o risco de desenvolver outras doenças, como depressão, ansiedade, pressão alta ou diabetes.
A IMPORTÂNCIA DE CONSULTAR UM PROFISSIONAL
É por isso que os especialistas da SEN alertaram sobre a importância de consultar um profissional de saúde treinado para obter um diagnóstico e tratamento corretos da insônia, que deve ser tratada como um distúrbio médico e que, às vezes, pode haver outras patologias do sono que exigem atenção específica, como apneia do sono, síndrome das pernas inquietas ou distúrbios do ritmo circadiano.
"Uma vez que o paciente com insônia tenha sido avaliado e outras patologias que também podem se manifestar em problemas de sono tenham sido descartadas, a terapia cognitivo-comportamental é o que consideramos ser o tratamento de primeira escolha para a insônia. Há muitos pacientes com insônia que podem ser candidatos a esse tratamento, que é uma intervenção destinada a restaurar um padrão normal de sono", acrescentou García Malo.
Ele continuou enfatizando que a terapia cognitivo-comportamental não se limita a simples orientações de higiene do sono, mas exige uma avaliação individualizada, pois cada pessoa tem características e necessidades específicas.
O especialista também reconheceu que o acesso a esse tratamento ainda está longe de "dar uma resposta" ao alto número de pacientes que precisam dele, uma realidade que devemos "continuar trabalhando e exigindo" como sociedade científica.
"Em certos casos, além da terapia cognitivo-comportamental, se necessário, pode ser preciso recorrer ao tratamento farmacológico, mas sempre sob supervisão médica. O que está claro é que a insônia não pode ser resolvida com soluções rápidas ou produtos milagrosos", disse a secretária do Grupo, Dra. Ana Fernández Arcos.
Nesse sentido, ela enfatizou que a insônia é um distúrbio complexo que deve ser avaliado dentro da estrutura de uma história clínica completa, identificando fatores desencadeantes e associados e investigando suas causas, e que "somente dessa forma" é possível oferecer soluções que resolvam o problema em sua raiz e reduzam o risco de cronificação.
Por fim, os especialistas da sociedade insistiram na importância de a população ser "cautelosa" com a publicidade "enganosa" e não se deixar "arrastar" por modismos ou promessas sem base científica.
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