Publicado 27/04/2026 06:37

A neuralgia do trigêmeo provoca crises de dor "repentina" que podem ser extremamente incapacitantes, segundo um neurocirurgião

Archivo - Arquivo - Nervo trigêmeo.
RUBER INTERNACIONAL - Arquivo

MADRID 27 abr. (EUROPA PRESS) -

A neuralgia do trigêmeo, que ocorre quando um vaso sanguíneo comprime esse nervo facial, é caracterizada por crises repetidas de dor “repentina” que podem chegar a ser muito incapacitantes, segundo o neurocirurgião Juan Carlos Gómez Angulo, da equipe do Dr. José Manuel del Pozo do Hospital Ruber Internacional.

O nervo trigêmeo, como explicou o especialista, é responsável por captar a sensibilidade do rosto — dor, temperatura ou tato — e é “fundamental” em funções como a mastigação. Trata-se de uma patologia que, embora pouco conhecida, afeta milhares de pessoas na Espanha.

“O trigêmeo é como um cabo que capta toda a sensibilidade do rosto. Quando esse 'cabo' se danifica, geralmente porque um vaso sanguíneo o comprime, começa a enviar sinais de dor intensos”, acrescentou.

Os pacientes descrevem esses episódios como “descargas elétricas”, e eles costumam ser desencadeados por ações cotidianas como falar, mastigar ou até mesmo “pelo simples toque da pele ou pelo vento no rosto”. A localização da dor costuma ser “muito precisa” em um lado do rosto.

PERDA DA CAMADA QUE PROTEGE O NERVOSO

Gómez Angulo destacou que o problema está na mielina, a camada que protege o nervo. Quando esse isolamento se perde, o nervo entra em “uma espécie de curto-circuito”, de modo que “estímulos normais desencadeiam uma dor desproporcional”.

Embora a dor seja muito característica, seu diagnóstico não se baseia em exames laboratoriais. “O diagnóstico é fundamentalmente clínico, ou seja, depende do que o paciente nos conta. Não há nenhum exame que o confirme”, afirmou o médico.

Os exames de imagem, como a ressonância magnética, têm um papel complementar para descartar outras causas ou identificar o vaso sanguíneo que comprime o nervo.

Embora não se trate de uma patologia degenerativa em si, sua evolução pode afetar “gravemente” a qualidade de vida se não for tratada adequadamente. “Não destrói o nervo, mas costuma piorar com o tempo. As crises tornam-se mais frequentes, mais longas e os medicamentos perdem eficácia. Por isso é importante não se resignar e buscar soluções”, alertou o neurocirurgião.

A abordagem inicial é farmacológica e visa controlar a hiperatividade do nervo. Esses medicamentos, como detalhou Juan Carlos Gómez Angulo, costumam funcionar bem no início, mas com o tempo podem “perder eficácia e produzir efeitos colaterais importantes, como sonolência ou dificuldade de concentração”.

Quando o tratamento médico deixa de ser “eficaz ou tolerável”, considera-se que o caso é “resistente” e avaliam-se outras opções, como a cirurgia aberta ou os procedimentos minimamente invasivos.

“A descompressão microvascular é a opção mais definitiva porque atua diretamente sobre a causa, separando o vaso do nervo. Mas também existem técnicas menos invasivas, como os procedimentos percutâneos ou a radiocirurgia estereotáxica com Gamma Knife”, afirmou.

Entre essas opções menos invasivas, destaca-se a técnica de compressão com balão, realizada por meio de uma abordagem percutânea. “Consiste em introduzir um pequeno balão que comprime o nervo para interromper os sinais de dor. É feita com sedação e sem necessidade de abrir a cabeça”, acrescentou.

Por outro lado, a radiocirurgia estereotáxica com Gamma Knife é útil em pacientes que, por razões médicas ou idade avançada, não podem ou simplesmente não querem ser operados. Essa opção não requer internação hospitalar e é “muito bem tolerada”, embora o efeito não seja imediato e os resultados geralmente apareçam semanas após o tratamento.

Mesmo assim, a escolha do tratamento depende de múltiplos fatores, como a idade, o estado de saúde ou as preferências do paciente. Por isso, o neurocirurgião insistiu na importância de procurar centros que contem com equipes multidisciplinares e experiência nas diferentes alternativas terapêuticas disponíveis, já que isso permite “oferecer uma abordagem mais completa e adaptada a cada caso”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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