Jesús Hellín - Europa Press - Arquivo
MADRID 19 maio (EUROPA PRESS) -
Navarra, com 62,5% das vagas atribuídas, lidera o processo de atribuição de vagas de MIR em Medicina Familiar e Comunitária (MFyC), seguida pela Cantábria (37,8%) e pelo País Basco (37,4%), enquanto Castela-La Mancha, Extremadura e Ceuta registram as porcentagens mais baixas, de acordo com um relatório da Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária (semFYC).
O documento identifica uma cobertura heterogênea entre comunidades autônomas, províncias e unidades de ensino, com um padrão caracterizado por maior concentração inicial em áreas urbanas e centros de ensino consolidados e uma cobertura progressiva em territórios rurais ou periféricos.
O trabalho ressalta que essas diferenças não devem ser interpretadas como desinteresse pela especialidade, mas como consequência da própria configuração territorial da Medicina Familiar e Comunitária, da Atenção Primária e do Sistema Nacional de Saúde.
Além disso, a análise destaca a Andaluzia, a Catalunha e Madri, as três comunidades com maior volume de formação do país, tanto em Medicina Familiar e Comunitária quanto nas demais especialidades. Embora concentrem o maior número absoluto de vagas atribuídas, apresentam porcentagens relativas inferiores devido ao tamanho da oferta e à própria distribuição territorial da especialidade.
O relatório, elaborado por ocasião do Dia Mundial da Medicina de Família, constitui a primeira análise aprofundada do processo de adjudicação MIR 2026 e propõe uma mudança de paradigma interpretativo: entender a escolha MIR não apenas como um indicador de preferência profissional, mas também como uma expressão da arquitetura territorial e da sustentabilidade futura do Sistema Nacional de Saúde.
Até 18 de maio, a Medicina Familiar e Comunitária acumulava 444 vagas atribuídas sobre uma oferta total de 2.544, o que equivale a uma cobertura de 17,45%, mantendo-se como a especialidade com maior volume de formação do sistema e também a de maior implantação territorial.
"Os dados do MIR devem ser interpretados com responsabilidade e contexto. A Medicina Familiar e Comunitária não compartilha as mesmas características nem necessidades que outras especialidades. É a especialidade que responde ao maior volume de atendimento, garante a presença da saúde em todo o território, nas cidades e no meio rural, e assegura a continuidade da atenção centrada nas pessoas. Analisar seus números sem levar em conta esses elementos leva facilmente a conclusões parciais e incompletas. Apelamos a uma leitura responsável dos dados”, destacou a presidente da semFYC, Remedios Martín.
O trabalho apresenta ainda uma análise comparativa entre Medicina Familiar e Comunitária, Medicina Interna e Pediatria, defendendo que cada especialidade, apesar de serem as três grandes de perfil generalista, responde a uma lógica territorial e assistencial distinta.
Enquanto a Pediatria reproduz redes de alta complexidade e a Medicina Interna reflete a arquitetura hospitalar, a MFyC constitui a principal especialidade de coesão territorial do SNS, mantendo presença docente e assistencial em cidades pequenas, áreas rurais e territórios onde outras especialidades têm implantação limitada.
A partir dessa perspectiva, a semFYC propõe que o processo MIR também deva ser entendido como uma ferramenta de ordenamento territorial e sustentabilidade do sistema de saúde, capaz de distribuir capacidades futuras de atendimento e cobertura sobre realidades assistenciais muito diversas. “O Sistema Nacional de Saúde e seu ordenamento, que está sujeito a modismos ou interesses singulares, é um modelo de atendimento às necessidades de saúde da cidadania”, destaca Martín.
QUATRO PONTOS-CHAVE PARA UMA INTERPRETAÇÃO RESPONSÁVEL DO MIR
O relatório conclui com um apelo explícito para evitar interpretações simplificadas e propõe incorporar variáveis estruturais à análise do processo. Assim, indica que uma menor cobertura inicial não equivale automaticamente a menor interesse profissional. Além disso, as comparações entre especialidades devem ser ajustadas pelo volume de vagas e pela exposição territorial.
Por outro lado, o documento ressalta que as grandes cidades, por si só, não explicam o comportamento do processo e que deve-se distinguir entre especialidades de concentração hospitalar e especialidades de cobertura territorial.
A semFYC destaca que este relatório é o primeiro a ser apresentado pelo Observatório MIR da semFYC no processo de seleção MIR 2026, com o objetivo de fornecer evidências, contexto e ferramentas interpretativas que permitam construir um debate em saúde rigoroso e alinhado às necessidades futuras do Sistema Nacional de Saúde.
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