MADRID, 21 mar. (EUROPA PRESS) -
A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou que a situação no Líbano assumiu proporções catastróficas desde o reinício em força total das operações militares israelenses contra o Hezbollah em Beirute e no sul do país, que causaram a morte de pelo menos 34 profissionais de saúde somente neste mês de março.
“A situação humanitária no sul do Líbano e em Beirute é catastrófica”, declarou Emmanuel Massart, coordenador de emergências da Médicos Sem Fronteiras no Líbano. “O que estamos vivendo agora no Líbano me lembra demais o que vivemos nos últimos três anos em Gaza. Vê-se claramente uma repetição de um cenário em que as pessoas recebem, de um dia para o outro, ordens de evacuação. Ou, às vezes, nem mesmo isso”, lamentou, referindo-se aos avisos israelenses para que a população abandone as zonas que serão alvo de seus bombardeios.
“Suas casas são bombardeadas, elas perdem tudo de repente e são obrigadas a se deslocar para outro lugar. Chegam a esse outro lugar e também há ordens de evacuação, por isso precisam se deslocar novamente. Não há mais, na verdade, espaços que possam ser considerados seguros, nem mesmo nos campos de refugiados”, alertou o coordenador da MSF antes de avisar que, no que diz respeito a suprimentos e ajuda, “falta de tudo”: atendimento médico, água e também estruturas sanitárias; ou seja: banheiros e chuveiros.
“Muitos desses serviços estão sendo gerenciados por organizações humanitárias, mas, neste momento, há muito poucas. E também por iniciativas individuais, mas essas iniciativas individuais se esgotarão em algum momento, disso não há dúvida”, lamentou.
À medida que as operações terrestres israelenses se intensificam, 53 centros médicos tiveram que fechar suas portas e 34 profissionais de saúde perderam a vida, segundo o balanço apresentado pela Médicos Sem Fronteiras. As ordens de evacuação emitidas pelo exército israelense abrangem hoje 15% do território libanês e os bombardeios estão afetando uma área ainda mais ampla. Isso provocou o deslocamento forçado de mais de um milhão de pessoas que tiveram que abandonar suas casas em questão de horas.
A MSF lembra que, em um país onde 70% da população vive abaixo da linha da pobreza, “o apoio internacional deve ser intensificado o mais rápido possível para evitar uma crise humanitária”, e faz um apelo “pela proteção da população civil, dos profissionais humanitários e das estruturas de saúde. E para que seja garantido o acesso à ajuda humanitária às populações necessitadas”.
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