COMITÉ DE EMERGENCIA ESPAÑOL - Arquivo
MADRID 28 abr. (EUROPA PRESS) -
A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusou nesta terça-feira as autoridades de Israel de utilizar a água como “arma” e “castigo coletivo” contra a população palestina na Faixa de Gaza, à qual têm vindo a “privar sistematicamente como parte de uma campanha”.
Um relatório publicado pela ONG mostra que as autoridades israelenses “têm utilizado o acesso à água como arma contra os palestinos”, pelo que instou as autoridades israelenses a “restabelecer imediatamente o abastecimento de água à população de Gaza nos níveis necessários”. “Os aliados de Israel devem usar sua influência para pressionar Israel a deixar de obstruir o acesso humanitário, incluindo as necessidades de infraestrutura hídrica”, afirma o texto.
“A privação deliberada de água aos palestinos faz parte do genocídio de Israel”, alertou MSF, cujo relatório, intitulado ‘A água como arma: a destruição e a privação de água e saneamento por parte de Israel em Gaza', documenta como o uso repetido da água como arma pelas autoridades israelenses “não constitui um ato isolado, mas parte de um padrão recorrente, sistemático e cumulativo”.
“Isso ocorre juntamente com o assassinato direto de civis, a devastação de centros de saúde e a destruição de residências, o que obriga a deslocamentos em massa. Em conjunto, constituem uma imposição deliberada de condições destrutivas e desumanas à população palestina de Gaza”, observou.
A responsável por emergências da MSF, Claire San Filippo, lamentou que as autoridades israelenses ajam conscientemente, “sabendo que a vida, sem água, chega ao fim, e, no entanto, tenham destruído de forma deliberada e sistemática as infraestruturas hídricas de Gaza, ao mesmo tempo em que bloqueiam constantemente o acesso a suprimentos relacionados à água”.
“Há palestinos que ficaram feridos e perderam a vida simplesmente por tentarem ter acesso a esse bem básico”, afirmou San Filippo. “Essa privação, aliada às pésimas condições de vida, à superlotação extrema e a um sistema de saúde colapsado, cria uma tempestade perfeita para a propagação de doenças”, acrescentou.
Além disso, alertaram que Israel danificou ou destruiu quase 90% das infraestruturas de água e saneamento de Gaza, incluindo usinas de dessalinização, poços, tubulações e sistemas de esgoto, segundo dados das Nações Unidas, da União Europeia e do Banco Mundial.
A isso se somam os documentos obtidos pela MSF, que acusam o Exército de Israel de atirar contra caminhões-pipa “claramente identificados” e destruir “poços que constituíam um salva-vidas para dezenas de milhares de pessoas”. “Frequentemente ocorreram incidentes violentos durante a distribuição de água à população, que causaram ferimentos a palestinos e trabalhadores humanitários, além de danos ao equipamento”, indica o documento.
É por isso que a MSF criticou que “o resultado acumulado da escassez de água provocada pelas autoridades israelenses é que, simplesmente, não é possível fornecer água suficiente à população”. “Depois das autoridades locais, a MSF é a maior produtora e uma das principais distribuidoras de água potável em Gaza. No entanto, entre maio e novembro de 2025, uma em cada cinco distribuições de água realizadas pela MSF ficou sem água, já que os caminhões não conseguiam transportar água suficiente para todas as pessoas que precisavam”, destacou a ONG.
Além disso, afirmaram que as ordens de evacuação emitidas por Israel “impediram as equipes de MSF de acessar áreas onde haviam fornecido água a centenas de milhares de pessoas, o que provocou a interrupção de serviços essenciais e a perda de infraestruturas vitais”.
“As autoridades israelenses têm impedido a entrada de materiais essenciais para água e saneamento em Gaza. Esses suprimentos incluem unidades de dessalinização de água, bombas, cloro e outros produtos químicos para tratar a água, reservatórios de água, repelentes de insetos e latrinas”, precisou a organização, não sem antes lembrar que muitos dos itens que haviam sido previamente aprovados pelas próprias autoridades de Israel foram posteriormente “rejeitados na fronteira”.
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