Eduardo Parra - Europa Press
MADRID 16 set. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, manifestou nesta quarta-feira seu receio de que a investigação que será realizada pela Comunidade de Madri sobre a suposta manipulação das listas de espera no Hospital Universitário Ramón y Cajal se concentre no médico que denunciou a situação.
Ela se manifestou assim em uma entrevista ao programa “La Cafetera”, da Radiocable, divulgada pela Europa Press, depois que a secretária de Saúde da Comunidade de Madri, Fátima Matute, anunciou nesta terça-feira a abertura de “procedimentos de investigação interna para revisar tudo novamente”.
García destacou que vem denunciando “há muito tempo” que a Comunidade de Madri realiza “esse tipo de prática”, “manipulação estatística”, para, posteriormente, “poder enviar dados ao Ministério da Saúde alegando que são os que melhor atuam”.
“E nós que moramos em Madri sabemos que as listas de espera em Madri são um problema e também são, de certa forma, o terreno fértil para os encaminhamentos” para o setor privado, afirmou.
Diante da suposta “manipulação” das listas, que ele classificou como “fraude”, ele destacou que o Ministério da Saúde vem trabalhando há meses na reforma do decreto real sobre listas de espera para conferir-lhe “transparência e rastreabilidade”. No entanto, ele criticou o fato de o Partido Popular ter colocado “todos os obstáculos” e “todas as desculpas possíveis”.
“Porque por trás de cada uma das pessoas que você transfere de uma lista de espera para outra ou deixa em um limbo, há uma pessoa que está esperando que um problema de saúde seja resolvido. E, claro, os dados estão nas comunidades autônomas, os dados estão na secretaria estadual”, explicou.
SUPOSTA MANIPULAÇÃO NO HOSPITAL RAMÓN E CAJAL
Conforme divulgado pelo jornal “El País”, dois chefes médicos do Hospital Ramón e Cajal reduziram o grau de gravidade dos pacientes para melhorar o saldo de suas listas de espera para cirurgias, sem o conhecimento dos cirurgiões.
O jornal, que teve acesso a documentos e e-mails que comprovam essa suposta alteração, relata que 57 pacientes na lista de espera cirúrgica do serviço de Cirurgia Ortopédica e Traumatologia do hospital passaram da prioridade preferencial (que devem ser operados em até 90 dias) para a normal (operação em até 180 dias). Dessa forma, os responsáveis ganhavam tempo para garantir que os pacientes fossem operados dentro do prazo.
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