Eduardo Parra - Europa Press
MADRID, 20 nov. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, pediu nesta quinta-feira que "todos os radares funcionem" para que nenhum caso de violência masculina fique "impune ou invisível", para o qual ela pediu "compromissos concretos, sustentados e transversais" nas esferas institucional, clínica, comunitária, de saúde e educacional.
"Se há uma premissa que está clara para nós, é que a violência masculina é estrutural. Alguns são mais visíveis e outros permanecem em silêncio, na privacidade ou em espaços onde é mais difícil identificá-los", disse ela na abertura da conferência 'Eu acredito em você', organizada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Nesse evento, foi apresentado o relatório 'Atenção, coragem, mudança: liderança do setor de saúde para acabar com a violência contra mulheres e meninas', que alerta que a resposta do setor de saúde europeu às mulheres e meninas vítimas de violência é "muito insuficiente".
Esse documento destaca a Espanha como um dos únicos 12 países da região europeia da OMS que possui uma estrutura de política abrangente que facilita a ação do setor de saúde contra a violência contra a mulher. Para García, isso é um "reconhecimento" do Sistema Nacional de Saúde (NHS), mas também uma "responsabilidade". "O que está claro é que ninguém pode relaxar, ainda há muito dever de casa a ser feito e muito trabalho pela frente", disse ela.
Sobre o trabalho realizado na Espanha a esse respeito, a Ministra da Saúde enfatizou que a Atenção Primária (AP) é "um dos pilares essenciais" para a detecção precoce e o atendimento integral das vítimas de violência. "É aqui que as mulheres geralmente entram em contato pela primeira vez com o sistema de saúde, com um sistema que pode ajudá-las", explicou.
Nesse sentido, ela detalhou que o treinamento especializado dos profissionais e a coordenação com recursos judiciais, forenses e sociais garantem uma resposta de saúde "homogênea", "empática" e focada na "segurança" e na "recuperação" das vítimas. Ela lembrou que o Plano de Ação de Atenção Primária e Comunitária 2025-2027 inclui um programa para a detecção precoce da violência de gênero.
Ela também destacou a ação no campo da saúde mental, onde lembrou que o Plano de Ação de Saúde Mental 2025-2027 reconhece as vítimas de violência de gênero como um grupo prioritário e reforça o treinamento em violência de gênero na saúde mental. "Isso é importante porque, por muito tempo, os sistemas de saúde trataram a saúde mental das mulheres sem olhar para o que estava por trás disso, a violência", disse ela.
"A violência de gênero é um determinante social da saúde da mulher. Não se trata de um fenômeno periférico. Ela condiciona a saúde física, psicológica, sexual e social de milhões de mulheres. Afetam o sono, a saúde mental, o risco cardiovascular, a capacidade de trabalho e os planos de vida. Têm um impacto cumulativo e transversal comparável ao de outros determinantes reconhecidos, como a pobreza ou a precariedade", alertou.
"DÍVIDAS PENDENTES".
Mónica García expressou que os sistemas de saúde têm "dívidas pendentes" com as mulheres, já que durante anos elas foram atendidas de forma "desigual", seus sintomas foram ignorados ou subestimados e questões incômodas como a saúde mental ou a menopausa foram relegadas.
Por essa razão, ela disse que o enfrentamento da violência masculina também é uma forma de dizer que a saúde da mulher "importa" em toda a sua complexidade e diversidade, em todas as fases da vida, e que não podemos deixar assuntos tabus. Nesse sentido, defendeu a defesa da saúde da mulher, garantindo sua autonomia, seus direitos sexuais e reprodutivos, sua maternidade e sua vida, e aludiu à garantia do direito ao aborto "sem obstáculos".
Sobre esse ponto, alertou que em "alguns cantos" da Europa estamos começando a ver um discurso negacionista sobre a violência masculina, que "questiona o progresso alcançado" e "mais uma vez exclui as mulheres e seus direitos", colocando sua saúde e suas vidas "em risco".
"Diante disso, nossa resposta não pode ser o silêncio ou a indiferença. Deve ser o compromisso, a evidência científica e a cooperação entre os países", concluiu.
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