Fernando Sánchez - Europa Press - Arquivo
MADRID 21 fev. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, enfatizou que é necessário criar um "ecossistema" no qual os interesses da indústria e os interesses gerais da população estejam "alinhados", razão pela qual ela pediu para "aprofundar" a Estratégia da Indústria Farmacêutica, que se concentra nesse objetivo, a fim de avançar na inovação e na pesquisa.
"Temos o melhor ecossistema, no qual a única coisa que precisamos fazer é alinhar todos os interesses, os interesses legítimos do setor com os interesses do interesse geral, não apenas dos governos, mas do interesse geral da população. E foi nisso que nos concentramos na Estratégia da Indústria Farmacêutica", disse ele nesta sexta-feira durante a reunião "Novas oportunidades em pesquisa clínica para a Espanha", organizada pelo El País e pela Roche.
A Estratégia da Indústria Farmacêutica 2024-2028, aprovada pelo Conselho de Ministros no final do ano passado, reúne os Ministérios da Saúde, Finanças, Indústria e Turismo, e Ciência, Inovação e Universidades, juntamente com as principais associações da indústria farmacêutica na Espanha, como Farmaindustria, AESEG, BioSim, AFAQUIM e ASEBIO.
García enfatizou que o objetivo desse Plano é que esses cinco ministérios trabalhem com o setor e as empresas para ver o que cada um dos envolvidos pode fazer em cada uma das fases do processo que começa com a pesquisa e termina com o desenvolvimento e a comercialização de medicamentos.
O objetivo é fortalecer o setor e avançar na inovação, colocando a população, os pacientes, no centro, que é outro dos pontos destacados pelo Ministro da Saúde.
"Vamos ver o que nossos pacientes precisam, vamos colocar o paciente, as necessidades do público, no centro e, a partir daí, atrás da saúde, vamos todos. Acredito que essa é uma das lições que aprendemos durante a pandemia: se colocarmos a saúde, a ciência e a pesquisa no centro, o resto, políticos, interesses privados, empresariais e econômicos, se vierem atrás de nós, faremos muito melhor", disse.
DESAFIOS FUTUROS NA SAÚDE
Mónica García enfatizou que os desafios do futuro na saúde são "inúmeros" e detalhou cinco deles. Em primeiro lugar, ela destacou as terapias avançadas, que "vieram para mudar a forma como oferecemos soluções a alguns pacientes que, em muitos casos, não tinham outras soluções", e apontou o Plano desenvolvido pelo Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII), o PERTE de Salud Vanguardia e o Ministério da Ciência para garantir o acesso e promover a pesquisa nessa área.
Ele também apontou a transformação digital como outro dos desafios a serem enfrentados, com o objetivo de "acelerar" o conhecimento. "Precisamos liberar tempo para nossos profissionais. Tempo para estudar, tempo para pensar, tempo para pesquisar, tempo para treinar", explicou.
Paralelamente a isso, ele apontou o desafio da sustentabilidade ambiental, da qual falou em dois sentidos: mitigar os efeitos das mudanças climáticas e adaptar-se a elas. "Se juntássemos todos os sistemas de saúde do mundo, seríamos o quinto país mais poluente do mundo. Temos que transformar isso aos poucos. O sistema de saúde e os medicamentos são responsáveis por 20% da pegada de carbono relacionada ao nosso sistema de saúde", disse ele.
Ele também enfatizou a necessidade de progredir na atração e retenção de talentos, não apenas para os profissionais de saúde, mas também para os pesquisadores, para que eles tenham todas as habilidades necessárias para desenvolver seus conhecimentos e continuar a progredir na pesquisa básica, clínica e translacional.
Sobre esse ponto, ela se referiu ao papel das mulheres, já que o setor é altamente feminizado. "Nós, mulheres, viemos com outras demandas, com nossas demandas para dignificar nosso local de trabalho e para coordenar ou cooperar nas condições de trabalho que possam permitir que os profissionais tenham tempo e que esse tempo seja decisivo para poder desenvolver o maior valor possível", disse ela.
Como desafio final, ele mencionou o compromisso com a inovação, que exige tanto o desenvolvimento da inovação quanto a democratização de seu acesso e a sustentabilidade do sistema. A esse respeito, ele se referiu ao trabalho que está sendo realizado para aprovar o Decreto Real sobre a Avaliação de Tecnologias em Saúde e o Decreto Real sobre o Financiamento e Precificação de Medicamentos.
MOMENTO "DELICADO" NA SAÚDE GLOBAL
"A pandemia nos ensinou que as doenças não entendem fronteiras, que não entendem ideologias. Ela nos ensinou que vivemos em uma sociedade, que somos vulneráveis, que, para sermos saudáveis, precisamos que nossos vizinhos sejam saudáveis, que precisamos fazer essa conjunção, essa sinergia, essa combinação entre interesses públicos, interesses privados e o interesse geral", destacou García.
Ele lamentou que a saúde global esteja atualmente em um momento "delicado" após a saída dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS), em relação à qual ele lembrou que foi um dos "elementos fundamentais" durante a pandemia de Covid-19.
"E na expectativa de que, espero que o mais tarde possível, mas na expectativa de que em algum momento haverá outra pandemia, haverá outro problema de saúde global, acho que é irresponsável", disse ele sobre a retirada anunciada pelo presidente Donald Trump.
Por esse motivo, ele reiterou que o governo espanhol reforçará seu compromisso com a OMS e com "os elementos do multilateralismo" que nos permitem ter uma visão global da saúde.
"Acredito que estamos no caminho certo, que os desafios são infinitos (...) Estamos gradualmente alcançando a perfeição, estamos pouco a pouco tentando alcançar cem por cento de perfeição, mas, enquanto isso, estamos colocando os pacientes no centro, com diálogo e compromisso também no centro. Acho que estamos fazendo um bom trabalho e continuaremos a fazer melhor", concluiu.
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