Alberto Ortega - Europa Press
MADRID 6 fev. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, instou nesta sexta-feira a combater a “desinformação dos tecnocratas e dos algoritmos sem controle”, não apenas por “necessidade democrática”, mas também como “política de saúde pública”, já que esse fenômeno representa um “desafio direto” para todos, inclusive para a democracia, a confiança institucional e a saúde.
“Vivemos num momento em que temos certos tecnocratas que, a partir de uma posição de poder sem precedentes, tendem a influenciar a opinião pública, as decisões coletivas das nossas sociedades, também através da tolerância a essa desinformação nas redes sociais”, afirmou na inauguração da jornada “Como frear a epidemia da desinformação em saúde”, organizada pela Associação Nacional de Informantes de Saúde (ANIS).
García afirmou que não se pode aceitar que “interesses privados opacos e não sujeitos ao controle democrático” interfiram em debates que afetam a vida da população, sua proteção, a prevenção de doenças, a saúde pública e os direitos dos cidadãos.
A jornada, realizada no Ministério da Saúde, teve como objetivo gerar consenso em torno de uma estratégia nacional para acabar com a desinformação na saúde, uma questão que, na opinião da ministra, “é exigente”, tendo em conta que “nunca houve tanta informação disponível sobre saúde (...) e, no entanto, nunca foi tão difícil orientar-se entre os dados, os dados contrastados, as opiniões, as crenças ou, diretamente, as mensagens que são prejudiciais e enganosas”.
Nesse sentido, ela alertou que a desinformação sobre saúde encontra “um terreno muito fértil” em “situações de incerteza” que “contribuem para amplificar medos”, “distorcer” a percepção dos riscos e da realidade e “condicionar decisões”, o que impacta diretamente a saúde e os sistemas sanitários. A ministra exemplificou isso referindo-se aos boatos que surgiram nos recentes episódios de emergência climática e inundações.
Segundo ela, essa “dinâmica” de desinformação tem um “efeito cumulativo” sobre a confiança, enfraquecendo esse “vínculo fundamental” entre os cidadãos, entre os cidadãos e os profissionais e entre os cidadãos e as instituições, complicando a tomada de medidas preventivas, “mesmo quando elas são respaldadas pelas melhores evidências possíveis, mesmo quando visam proteger a saúde de nossos cidadãos”.
Nesse ponto, ele referiu que questionar as evidências científicas e desacreditá-las em momentos em que, juntamente com o multilateralismo, elas ajudam na “proteção coletiva” é uma prática “perniciosa” e “antidemocrática” que “erosiona a confiança social e mina os direitos dos cidadãos”.
A AESAP, “UMA REFERÊNCIA SÓLIDA” Diante disso, destacou o “fortalecimento institucional” que o Ministério da Saúde está promovendo com instrumentos voltados para reforçar a capacidade do Estado de antecipar riscos, avaliar as evidências e comunicar bem, sendo a Agência Estatal de Saúde Pública (AESAP) uma “referência sólida” nesse sentido.
“A criação da Agência de Saúde Pública permite dotar o sistema de uma referência sólida, que tenha autonomia, credibilidade e seja capaz de integrar a vigilância, a análise e a comunicação dos riscos numa perspetiva de saúde global e numa perspetiva de saúde populacional”, explicou.
Assim, reivindicou o “intenso trabalho diário” do Ministério da Saúde, juntamente com o Governo, contra a desinformação, através de campanhas institucionais como “É popular, mas não é ciência” e do trabalho conjunto com os meios de comunicação e verificadores.
Nesse contexto, destacou o papel que o jornalismo de saúde desempenha para informar “com rigor” a população. “Informar não significa colocar no mesmo nível a evidência científica e o boato, nem apresentar como equivalentes o conhecimento comprovado e a falsidade e as opiniões. Significa assumir a responsabilidade democrática de explicar os fatos com clareza, contexto e honestidade. Especialmente quando estão em jogo a confiança social e a saúde coletiva”, detalhou. Para concluir, apelou à colaboração entre instituições, profissionais e comunicação, sociedades científicas e organizações sociais para avançar em direção a um ecossistema informativo mais robusto.
“Queremos continuar avançando em direção a um sistema de saúde mais resiliente, mais confiável, mas também queremos continuar avançando em direção a uma sociedade onde a confiança seja um dos elementos que garanta a proteção da saúde de nossos cidadãos”, concluiu.
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