Publicado 05/02/2026 08:28

Mónica García insta por carta o Comitê de Greve a conseguir um Estatuto Médico por meio de iniciativas parlamentares

Archivo - Arquivo - A ministra da Saúde, Mónica García, durante uma coletiva de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros, no Palácio da Moncloa, em 9 de dezembro de 2025, em Madri (Espanha). O Conselho de Ministros aprovou a transformação do Sepe.
A. Pérez Meca - Europa Press - Arquivo

Perante a próxima convocatória de greve médica estadual, que começa a 16 de fevereiro MADRID 5 fev. (EUROPA PRESS) -

A ministra da Saúde, Mónica García, enviou nesta quinta-feira uma carta ao Comitê de Greve Médica na qual convida os sindicatos a recorrerem a outros procedimentos, como iniciativas parlamentares, para conseguir um Estatuto próprio para o coletivo médico e facultativo, afirmando que utilizar o recurso da greve para impulsionar essa demanda impõe um impacto prolongado na assistência sanitária e na população.

Mónica García enviou esta carta no âmbito da convocatória de greve médica estadual pelo Comitê de Greve formado pela Confederação Espanhola de Sindicatos Médicos (CESM), o Sindicato Médico Andaluz (SMA), Metges de Catalunya (MC), a Associação de Médicos e Titulados Superiores de Madrid (AMYTS), o Sindicato Médico do País Basco (SME) e o Sindicato de Médicos Independentes da Galícia (O'MEGA). A greve terá início na segunda-feira, 16 de fevereiro, e está prevista para durar uma semana por mês até junho, com o objetivo de exigir um Estatuto-Quadro que reflita as particularidades dos profissionais médicos e mostrar sua rejeição ao acordo normativo alcançado pelo Ministério da Saúde e os sindicatos do Âmbito de Negociação SATSE-FSES, FSS-CCOO, UGT e CSIF, pendente de tramitação para sua remessa ao Conselho de Ministros.

Na carta, a titular da Saúde lembra ao Comitê de Greve que é precisamente a Mesa do Âmbito de Negociação o órgão legitimado para o diálogo e a adoção de acordos em matéria de legislação trabalhista, com a participação das organizações sindicais que foram democraticamente eleitas nas eleições sindicais e representam todos os profissionais, incluindo os médicos.

Apesar disso, destaca que o Ministério da Saúde se reuniu com sindicatos do Comité de Greve em mais de 20 ocasiões, tanto com a CESM, que também faz parte do Âmbito, como com organizações da APEMYF. “No seio dessas reuniões, foram alcançados numerosos pontos de convergência que ficaram refletidos no texto. O Ministério da Saúde chegou a enviar, em dezembro de 2025, um documento com propostas orientadas para a obtenção de um possível acordo, sem receber uma contraproposta”, salienta. Sobre o acordo do Estatuto-Quadro, que permitiria a sua atualização após 23 anos, a ministra sublinha que representa uma “melhoria substancial” das condições de trabalho de todos os profissionais de saúde, além de incorporar um capítulo específico e diferenciado para o coletivo médico que responde à "grande maioria" de suas demandas, algo que foi aceito de forma "expressa" pelos sindicatos que convocaram a greve em várias reuniões.

Neste ponto, ela observa que as reivindicações que não se enquadravam nas competências do Ministério da Saúde nem no âmbito de uma lei-quadro de caráter estadual foram transferidas para as comunidades autônomas, que têm plena competência em aspectos como remunerações, negociação do pagamento de horas de plantão, organização dos turnos, planejamento de quadros de pessoal e seu aumento.

Por tudo isso, afirma que a exigência reiterada de retirar este texto, acordado durante mais de três anos de negociação, para iniciar do zero a elaboração de um estatuto médico exclusivo para o pessoal médico “não é razoável nem justa para os profissionais do Sistema Nacional de Saúde (SNS)”, porque implica “a exclusão do resto dos profissionais das melhorias alcançadas, a ruptura de um sistema baseado no trabalho multidisciplinar, o desconhecimento da legislação vigente em matéria de negociação coletiva e o desperdício do extenso trabalho desenvolvido em mais de 60 reuniões”. MECANISMOS LEGÍTIMOS

Na carta, García expressa, em nome do Ministério da Saúde, o seu "máximo respeito" pelo direito à greve, mas adverte que utilizar este recurso com o objetivo de que o seu departamento impulsione a elaboração de um estatuto próprio "coloca sérias dificuldades", pelo que sugere à Comissão de Greve que opte por outras vias contempladas na legislação em vigor.

Entre elas, aponta a proposta de lei, utilizada pelos grupos parlamentares para promover leis e normas perante o Congresso dos Deputados; a Iniciativa Legislativa Popular (ILP), utilizada pela sociedade civil para promover iniciativas normativas com o apoio direto dos cidadãos; e as iniciativas legislativas promovidas pelos parlamentos ou assembleias autonômicas.

Juntamente com estas, salienta que os sindicatos podem recorrer à negociação das condições de trabalho cuja competência corresponde às comunidades autónomas no âmbito das mesas setoriais dos respetivos serviços de saúde, tal como aconteceu recentemente em alguma comunidade autónoma.

Acrescenta ainda a opção do processo de audiência e informação pública e, posteriormente, o próprio processo parlamentar do Estatuto-Quadro promovido pelo Ministério da Saúde, no qual o texto é submetido a debate e à apresentação de emendas por parte dos diferentes grupos parlamentares para sua revisão e eventual melhoria.

Sobre estas alternativas, assegura que os seus prazos não seriam mais prolongados do que os que teriam lugar no caso hipotético de o texto ser impulsionado diretamente pelo Ministério da Saúde, pelo que «não se pode invocar razões de prazo como justificação para o recurso a uma greve indefinida».

“Por tudo isso, consideramos que focar as reivindicações exclusivamente neste Ministério não é a opção mais adequada, quando existem mecanismos legais suficientes e plenamente acessíveis para canalizá-las, especialmente tendo em conta que a decisão em questão foi adotada legitimamente no âmbito do diálogo social”, destaca.

Para concluir, Mónica García reitera a sua “firme vontade” de continuar o diálogo, no âmbito dos canais legais e com base na responsabilidade institucional, com o objetivo de melhorar as condições de trabalho dos profissionais, proteger o interesse geral e salvaguardar a saúde dos cidadãos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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