Ricardo Rubio - Europa Press
Ela considera que alguns sindicatos têm um “incentivo” para “manter o conflito” e “atrasar” a aprovação do Estatuto
MADRID, 18 maio (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, instou as comunidades autônomas a concretizar as “melhorias” previstas no projeto do Estatuto-Quadro e, com isso, “desbloquear” a greve mantida pelos sindicatos médicos, após lembrar que as condições de trabalho dos profissionais são de competência das comunidades autônomas.
"Há comunidades que conseguiram fazer esses acordos, baseados e inspirados no quadro comum do Estatuto-Quadro. Por exemplo, temos Aragão, Navarra, Cantábria, Astúrias e Galícia, que conseguiram já transpor as melhorias do Estatuto-Quadro para acordos específicos, para seus próprios trabalhadores”, afirmou em declarações à imprensa na Assembleia Mundial da Saúde, que se realiza em Genebra (Suíça).
No âmbito da quarta semana de greves convocadas pelo Comitê de Greve, que se estenderá até esta sexta-feira, García observou que, apesar dos “esforços” para pôr fim ao conflito, “há um incentivo em alguns sindicatos médicos” para mantê-lo e “evitar ou atrasar” que as “melhorias” cheguem aos profissionais.
Paralelamente, ele insistiu que as comunidades autônomas detêm “a maioria” das competências, tanto em recursos humanos quanto em incentivos, remunerações, organização do quadro de funcionários, organização dos plantões, redução da jornada de trabalho e da jornada dos plantões. “Por isso, acreditamos que é importante que as demais comunidades também façam sua parte”, afirmou.
Nesse sentido, destacou que o Ministério da Saúde já ajudou as comunidades autônomas por meio do “marco comum” que é o Estatuto-Quadro, uma lei “muito ambiciosa”, mas que são elas que precisam “concretizá-la”. Como exemplo, observou que o texto prevê o fim dos plantões de 24 horas, mas que, para contribuir com essa redução, é necessário mais pessoal.
“Para isso, é preciso ter bons recursos e um bom orçamento na área da saúde. E isso depende e está nas mãos, na chave e na responsabilidade das comunidades autônomas”, enfatizou.
MOSTRA-SE “EMPÁTICA” COM A SITUAÇÃO DOS MÉDICOS
A ministra da Saúde garantiu que é “totalmente solidária” com a situação de seus “colegas” médicos e “plenamente consciente” dos “mal-estares” que vêm se acumulando ao longo dos anos.
"Acho que o maior erro que eu poderia ter cometido ao chegar ao Ministério seria deixar o Estatuto-Quadro em uma gaveta, sugerindo que as melhorias trabalhistas ficariam a cargo do próximo", afirmou, ressaltando que, pela primeira vez em 23 anos, seu departamento colocou sobre a mesa "melhorias trabalhistas concretas".
A esse respeito, ele destacou que os “mesmos desafios” que a Espanha enfrenta estão presentes em toda a Europa, como pôde constatar em uma reunião com a ministra da Saúde de Portugal, Ana Paula Martins. “Temos mais profissionais do que nunca, temos mais demanda do que nunca e temos uma mudança na lógica e nas condições de trabalho dos profissionais”, explicou.
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