Carlos Luján - Europa Press - Arquivo
MADRID 5 ago. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, assegurou nesta terça-feira que os reitores das faculdades de Enfermagem e Medicina endossam as mudanças introduzidas no Comitê de especialistas do MIR (residente médico interno), o que levou à renúncia de vários membros há algumas semanas.
"Ajustamos esse comitê de especialistas, mudamos e, de certa forma, melhoramos o procedimento no desenvolvimento das perguntas. E bem, como em muitas dessas coisas, as mudanças nem sempre agradam a todos", explicou ele em uma entrevista à RNE, relatada pela Europa Press.
O Partido Popular criticou essas mudanças, que afetam as condições de trabalho, a remuneração e a composição das equipes que compõem esse órgão, por causarem uma situação "caótica" e "sem precedentes". Por esse motivo, exigiu que o governo "retifique" e "limpe as responsabilidades" na área da saúde. O grupo também apresentou uma série de perguntas no Congresso para pedir explicações a esse respeito.
Entre os detratores dessas modificações está a Ministra Regional da Saúde da Comunidade de Madri, Fátima Matute, que acusou Mónica García de "criar problemas onde não há". "Não é que não houvesse um problema, é que o que existia era um procedimento que tinha melhorias claras e nós fizemos isso, melhoramos, porque estamos no governo para melhorar, para fortalecer nosso sistema de saúde e, é claro, para fortalecer e melhorar nosso sistema MIR", respondeu García.
No entanto, o ministro insistiu que eles continuarão a trabalhar para melhorar todos os procedimentos relacionados ao sistema de treinamento especializado em saúde (FSE). "É um dos sistemas que garante que tenhamos talentos garantidos entre os profissionais de saúde", enfatizou.
LEI DA EUTANÁSIA
Por outro lado, quando perguntada sobre como proteger o acesso à eutanásia, após os obstáculos que algumas pessoas estão encontrando para receber esse serviço, García explicou que seu Ministério está avaliando esses casos e defendeu o fato de que a eutanásia "é um direito".
"A eutanásia é uma lei que surge de um direito, que também surge de um consenso social contra a possibilidade de uma minoria muito pequena neste país morrer com dignidade. E é verdade que estamos vendo como, através dos tribunais, as decisões estão sendo adiadas, que são decisões pessoais, que são as decisões das pessoas que têm que ter e que têm o direito de decidir sobre sua própria vida e sua própria morte", explicou.
"Vamos continuar lutando por um país que seja o mais seguro e livre possível em termos de direitos, incluindo o direito de morrer com dignidade", enfatizou o ministro, que disse que o desenvolvimento dessa lei é "em grande parte muito satisfatório" porque permitiu que muitas pessoas fizessem uso desse direito.
Com relação à chamada Lei ALS, destinada a melhorar a qualidade de vida das pessoas com ALS, que carece de financiamento nove meses após sua aprovação no Senado, García garantiu, como em outras ocasiões, que a legislação será providenciada.
Ele se referiu à ajuda direta no valor de 10 milhões de euros que o Conselho de Ministros aprovou no final de julho para aliviar a carga dos cuidados complexos exigidos pelos pacientes em estágios avançados da doença. "Esse é o plano de choque enquanto a Lei ALS está sendo desenvolvida, o que desbloqueia e acelera a Lei de Dependência, e o que precisa ser desenvolvido é a Lei ALS", comentou.
"Porque neste país, ao contrário de outros países, ninguém vai à falência por causa de um problema médico, mas as pessoas vão à falência ou entram em dificuldades financeiras por causa de um problema de assistência e de dependência. E é isso que queremos resolver com o desenvolvimento da lei ELA e com o desenvolvimento, a melhoria e, é claro, o orçamento da Lei de Dependência", enfatizou.
SAÚDE BUCAL, ÓCULOS E LENTES DE CONTATO
Em sua última reunião do ano político, o Conselho de Ministros aprovou a distribuição territorial de 68 milhões de euros para promover a extensão da carteira comum de serviços de saúde bucal no Sistema Nacional de Saúde (SNS) e para incorporar progressivamente pessoas com mais de 65 anos como beneficiárias.
"Acreditamos que a saúde bucal é um direito, assim como a saúde visual é um direito, e é por isso que estamos expandindo a carteira de serviços para alcançar o maior número possível de cidadãos, começando pelos mais vulneráveis", disse o ministro a esse respeito.
Ela também expressou a intenção do Ministério da Saúde de estender a mais grupos o auxílio "universal" de 100 euros que começará a ser concedido em setembro a crianças com menos de 16 anos que precisem de óculos ou lentes de contato.
LEI ANTITABACO
Por fim, quando questionada sobre se a proibição de fumar em terraços de bares estará em vigor antes do final desta legislatura, García expressou "total" confiança. Ela destacou a ambição de seu Ministério com essa lei e o consenso social de não fumantes e fumantes para ampliar os espaços livres de fumo e evitar afetar outras pessoas com o tabaco.
"E é isso que vamos levar para a lei, que terá de ser aprovada no Congresso. Mas acho que há também um consenso social de que precisamos avançar. Fomos um país pioneiro há mais de 10 anos e estamos alinhados com a Europa na questão de que devemos continuar a progredir na luta contra o tabagismo, que é responsável por 30% dos cânceres, e que responde por uma porcentagem de doenças que acredito que podemos evitar no século 21", concluiu.
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