MADRID, 10 abr. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, destacou que a integração do direito à saúde visual no Sistema Nacional de Saúde (SNS), por meio do reconhecimento do trabalho dos oftalmologistas e optometristas ou do impulso a estratégias como o Plano VEO, permitiu começar a “corrigir uma dívida histórica”.
“Por muito tempo, a saúde visual, um pouco como a saúde bucal, viveu numa espécie de periferia do sistema de saúde, viveu como algo distante, como num espaço alheio, como se a saúde visual não fizesse parte da nossa saúde, da saúde das pessoas”, assinalou na inauguração do 29º Congresso Nacional de Optometria, Contatologia e Óptica Oftálmica (OPTOM 2026).
García destacou que isso “está mudando” graças ao trabalho dos ópticos-optometristas, mas também porque se compreendeu que a saúde visual “não é algo acessório” à saúde geral, mas sim que “pertence ao sistema de saúde com letras maiúsculas”, pois “não se trata apenas da visão”, mas “de ter autonomia, dignidade, segurança e qualidade de vida”.
“Por isso, nesta legislatura, passamos das palavras aos atos”, destacou ela ao se referir ao Plano VEO, que o Ministério da Saúde lançou em dezembro passado, em colaboração com o Conselho Geral de Ópticos-Optometristas (CGCOO). Essa iniciativa oferece auxílios diretos de até 100 euros para o financiamento de óculos e lentes de contato para menores de 16 anos.
A ministra destacou que a saúde visual tem sido, há muito tempo, um “buraco silencioso” no orçamento das famílias, uma situação que a Espanha, como “uma das principais economias da Europa”, não pode permitir. “Com este Plano VEO, demos um passo para mudar isso”, enfatizou.
INTEGRAR “DE VERDADE” OS ÓPTICOS-OPTOMETRISTAS
Para continuar impulsionando a saúde visual no SNS, ela explicou que o “desafio” passa também por integrar “de verdade” os ópticos-optometristas ao sistema e, concretamente, à Atenção Primária (AP), “porta de entrada” e “coração” do sistema de saúde.
Nesse ponto, ele destacou que o Plano de Ação de Atenção Primária e Comunitária 2025-2027 “traza esse caminho”, ao prever a formação de equipes mais “amplas”, “completas” e “capazes”, incluindo os optometristas como parte delas, profissionais “essenciais” para detectar, diagnosticar e fazer os encaminhamentos necessários.
Além disso, ele destacou que se está trabalhando para aproximar a tecnologia da população, como já foi feito com os retinógrafos nos centros de saúde. “Isso significa levar a inovação tecnológica para esse primeiro degrau do nosso sistema de saúde, por onde passam 80% dos nossos cidadãos, e também é um sinal de equidade territorial”, afirmou.
Paralelamente, ela comentou que o Governo quis colocar a saúde visual “no centro do debate público”, por meio de iniciativas como o Mês da Saúde Visual, celebrado em maio, que busca dar visibilidade, prevenir, conscientizar e agir antes que os problemas surjam.
Assim, a secretária de Saúde reiterou que o SNS “já não faz vista grossa” no que diz respeito à visão e incentivou a continuar trabalhando de forma coordenada para seguir ampliando direitos e tornando o sistema de saúde “mais forte”. “Porque, no fim das contas, é disso que se trata: de podermos dizer que enxergar bem não é um privilégio, mas sim um direito”, concluiu.
APOIO DA PARTE DO CGCOO
O presidente do Conselho Geral das Ordens dos Ópticos-Optometristas, Juan Carlos Martínez Moral, agradeceu em sua intervenção a presença de Mónica García, destacando que é a primeira vez que um ministro em exercício inaugura a OPTOM, e valorizando a colaboração para a implementação do Plano VEO, que qualificou como “a iniciativa mais importante no setor de ajuda e colaboração social realizada pela Administração”.
Segundo ele detalhou, até o momento, há 7.600 óticas envolvidas, das 10.000 existentes na Espanha; mais de 14.000 ópticos-optometristas, dos 20.000 associados; foram abertos 160.000 processos e atendidas mais de 215.000 crianças. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o programa registrou mais de 130.000 solicitações. “Ainda temos o resto do ano pela frente e a meta de chegar a 500.000 ou 600.000”, acrescentou Martínez.
O presidente da sociedade científica destacou que a maioria das prescrições para menores que receberam os auxílios provém dos oftalmologistas e optometristas. Dessa forma, ele ressaltou o trabalho dos profissionais que, há mais de 60 anos, realizam exames de visão, prescrevem auxílios ópticos, diagnosticam problemas oftalmológicos e, diante de uma suspeita patológica para a qual não estão suficientemente capacitados, encaminham ao especialista correspondente.
“Sem a necessidade de supervisão de nenhuma autoridade superior que nos diga como devemos fazer nosso trabalho e, assim, com a ajuda de todos vocês, continuaremos a fazê-lo sempre com independência”, afirmou.
Por outro lado, o presidente do CGCOO agradeceu à ministra por impulsionar a reforma da lei de ordenamento das profissões da saúde, que não era atualizada desde 2003. “Você, que é médica, sabe melhor do que ninguém que a saúde não é apenas medicina”, destacou a García, a quem transmitiu o apoio dos ópticos-optometristas nesta “necessária, esperada e nunca tardia reforma da lei de ordenamento de todas as profissões da área da saúde”.
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