Diego Radamés - Europa Press
MADRID 19 set. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, destacou que o primeiro caso de varíola dos macacos detectado em um menor marroquino desacompanhado acolhido em Ceuta “demonstra claramente a eficácia da vigilância epidemiológica” que está sendo realizada na cidade autônoma.
García ressaltou que “para se poder realizar uma boa vigilância epidemiológica”, é necessário que todos os migrantes estejam em instalações de acolhimento para que essas infecções possam ser diagnosticadas, rastreadas e tratadas.
Assim, ela explicou que, uma vez que a população migrante se encontra em locais de acolhimento, as autoridades de saúde podem “realizar essa vigilância, podemos realizar esses tratamentos, esse diagnóstico, esse rastreamento”, o que permitiu detectar vários casos de doenças infecciosas na cidade autônoma. “Detectamos cinco casos de varíola, detectamos esse Mpox e também detectamos oito casos de tuberculose”, enumerou a ministra.
A ministra da Saúde esclareceu que muitos dos casos de tuberculose detectados “são casos anteriores, que estavam em tratamento antes desta crise ou que já se encontravam em Ceuta”, o que evidencia a importância da coordenação sanitária.
“Temos um rastreamento muito bom, um serviço muito bom em conjunto com a cidade de Ceuta”, afirmou García, reconhecendo que “as competências em matéria de saúde pública são da cidade de Ceuta e estamos realizando uma coordenação e cooperação muito boas para poder detectar todas essas possíveis infecções”.
No entanto, García fez um apelo ao Partido Popular e ao Governo de Ceuta para que “deixem de criar obstáculos” na gestão da crise migratória, insistindo que é “indispensável que todas as pessoas migrantes deixem de viver nas ruas, deixem de estar amontoadas e deixem de estar em condições insalubres, para que possam estar em locais de acolhimento”.
A ministra destacou que o acolhimento em centros é fundamental não apenas para a vigilância epidemiológica e os tratamentos, mas também “para que possamos realizar todos esses registros, a fim de determinar se a lei de estrangeiros deve ou não ser aplicada”, completando assim a resposta integral que a situação em Ceuta exige.
Mónica García fez essas declarações à imprensa neste sábado, durante o lançamento da campanha “porta a porta” organizada pelo Más Madrid.
GREVE DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Por outro lado, ao ser questionada sobre a convocação de greve por tempo indeterminado por parte dos profissionais da saúde, García classificou como “estranha” uma mobilização de âmbito nacional quando, em sua opinião, as reivindicações apresentadas são “total e simplesmente regionais” e o texto do Estatuto-Quadro encontra-se atualmente em tramitação no Congresso dos Deputados.
Nesse sentido, a ministra instou as organizações convocantes a encaminharem suas reivindicações por meio dos grupos parlamentares para “debater com transparência e honestidade” na Câmara dos Deputados por meio de emendas.
“Nós estabelecemos os limites, mas quem tem a competência são as comunidades autônomas, que são as responsáveis por contratar, regular os quadros de funcionários e garantir o reforço de pessoal”, ressaltou a ministra, lembrando ainda que seis regiões autônomas já chegaram a acordos com os sindicatos médicos na mesma linha estabelecida pelo Ministério da Saúde para avançar em medidas como a redução dos plantões de 24 horas.
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