Ricardo Rubio - Europa Press - Arquivo
MADRID 13 abr. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, apelou nesta segunda-feira para que se "transforme" a desigualdade de gênero na área da saúde, que faz com que a assistência não seja igual para homens e mulheres, e instou a impulsionar essa mudança "com urgência", já que "a vida" e "a saúde" das mulheres dependem disso.
“Estamos falando de diagnósticos que demoram a chegar, de sintomas que são minimizados e de vidas marcadas por um atendimento que não é igual e que não trata homens e mulheres da mesma forma”, afirmou ela na apresentação da segunda edição do “Livro Branco de Saúde e Gênero: Igualdade na Saúde”, promovido pelo Estudio de Comunicación e pelo Observatório de Saúde (OdS).
García defendeu a necessidade de “romper” os preconceitos de gênero na saúde “desde a raiz”, pois explicou que estes não surgem no sistema de saúde, no consultório, mas nascem da estrutura social. “Na forma como trabalhamos, na disparidade salarial, na disparidade no acesso aos cuidados, em toda uma sociedade onde o olhar feminino, o olhar da mulher, não esteve no centro, mas muito pelo contrário”, precisou.
Por isso, destacou que o Sistema Nacional de Saúde (SNS) “não pode limitar-se apenas a reparar o dano causado”, mas deve incorporar uma visão “transversal” e “holística” que leve em conta o que está acontecendo também no conjunto da sociedade.
“Essa desigualdade também se mede no tempo, em anos de espera pelo diagnóstico, em tempos de espera pela investigação, em consultas encadeadas, em anos e anos ouvindo que o que nos afeta é o estresse ou os nervos, um ‘já se sabe’, um ‘vai passar’, ‘isso é normal’”, assinalou para afirmar que “não é normal”.
LIVRO BRANCO E TRABALHO MINISTERIAL
Nesse contexto, a ministra destacou a elaboração do “Livro Branco de Saúde e Gênero”, que combina evidências científicas com histórias reais para apontar as falhas do sistema, mas também para explicar como elas podem ser resolvidas a partir de uma perspectiva multidisciplinar, que inclui profissionais médicos, enfermeiros e farmacêuticos.
García destacou que o Ministério da Saúde compartilha dessa abordagem “integral”, que se concretiza por meio de políticas que garantem o acesso ao aborto na rede pública de saúde, reforçam a atenção à saúde mental com perspectiva de gênero, promovem a prevenção oportuna e protegem “grandes conquistas”, como o rastreamento do câncer de mama.
“Sabemos que mudar toda essa estrutura não é fácil, que há inércias, que há hábitos, que há uma cultura muito arraigada, com uma visão muito masculina há muito tempo, em muitos setores da nossa sociedade, e que não mudá-la tem um custo muito alto que não podemos nos permitir”, afirmou.
O diretor-geral de Saúde Pública, Pedro Gullón, destacou o trabalho do Observatório de Saúde das Mulheres, dirigido por Pilar Campos desde a semana passada. “Neste Observatório, a ideia que temos é abordar o gênero sob a ótica da saúde pública, com todas as ferramentas próprias da saúde pública”, indicou.
Gullón explicou que o objetivo é desenvolver estratégias e metas comuns para diminuir a desigualdade de gênero na saúde, para o que irão promover a participação de outros ministérios e agentes sociais. Entre as ações já iniciadas, destacou a formação dos profissionais de saúde em equidade de gênero.
Além disso, destacou que, para além do âmbito da saúde, a saúde pública defende políticas de igualdade de gênero em todos os setores, razão pela qual manifestou seu apoio à ampliação das licenças de paternidade, à regularização de migrantes, às políticas habitacionais e ao benefício universal por filho.
Nesse ponto, ela assinalou que também existem protocolos de saúde para reforçar a igualdade de gênero e se referiu à nova estratégia de saúde sexual e reprodutiva, em desenvolvimento, e ao protocolo de atuação contra a violência de gênero. “Precisamos reformá-lo”, afirmou sobre este último, detalhando que ele deve ser adaptado à “realidade atual” e incorporar a violência vicária.
AÇÕES PARA UMA SAÚDE COM PERSPECTIVA DE GÉNERO
A segunda edição do “Livro Branco de Saúde e Gênero” busca enriquecer a primeira publicação, de fevereiro de 2024, incorporando 11 novos capítulos, artigos de 12 conselheiros de Saúde e contribuições de mais de 60 autores, com o objetivo de “despertar uma reflexão em toda a sociedade sobre a necessidade de incorporar políticas e ações sanitárias com perspectiva de gênero”.
Nesse sentido, a vice-presidente I do Conselho Geral de Enfermagem (CGE), Raquel Rodríguez, e a presidente da Plataforma de Organizações de Pacientes (POP), Carina Escobar, destacaram durante uma mesa redonda a necessidade de impulsionar políticas que respondam à situação da mulher.
Escobar lembrou que 50% das mulheres consideram seu estado de saúde ruim ou muito ruim, contra 28% dos homens. Além de uma saúde pior, a presidente da POP destacou que as mulheres também sofrem com o fardo emocional dos cuidados, já que 90% dos cuidadores são mulheres.
Por sua vez, a tesoureira do Conselho Geral das Ordens Oficiais de Farmacêuticos (CGCOF), Rita de la Plaza, destacou que a farmácia “tem uma posição privilegiada” para contribuir para a igualdade de gênero, devido ao seu trabalho no terreno, que permite atuar como um “radar” diante de situações de solidão e violência de gênero, além de promover a educação em saúde e o empoderamento das mulheres.
O Livro Branco inclui um decálogo para uma saúde com perspectiva de gênero, no qual estão incluídas propostas de ação como a formação em perspectiva de gênero para profissionais de saúde, pesquisa com enfoque de gênero, acesso equitativo à assistência médica, protocolos de assistência médica diferenciados e monitoramento e avaliação com enfoque de gênero.
Destaca-se também a promoção da saúde mental sob uma perspectiva de gênero, a prevenção e detecção precoce de doenças com barreiras de gênero, a participação ativa das mulheres na tomada de decisões em saúde, a prevenção e atendimento à violência de gênero e a promoção da saúde sexual e reprodutiva.
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