Gustavo Valiente - Europa Press
MADRID, 11 ago. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, anunciou nesta terça-feira que visitará Ceuta em breve para tratar da crise migratória e defendeu que, apesar do aumento substancial da atividade de atendimento, os dados estão longe de corresponder a uma situação de “crise sanitária”, “colapso do sistema de saúde” ou “catástrofe sanitária”.
Ela comunicou isso por meio de uma carta enviada ao presidente da Ordem dos Médicos de Ceuta, Enrique Roviralta, que havia solicitado sua presença na cidade autônoma para que ela pudesse conhecer em primeira mão a “autêntica catástrofe na prestação de assistência médica” que, segundo ele, está ocorrendo atualmente.
A ministra lembrou a Roviralta que os dados relativos à assistência médica a migrantes e cidadãos de Ceuta estão sendo monitorados diariamente pelo Instituto Nacional de Gestão Sanitária (INGESA) e pelo Ministério da Saúde. Além disso, ela garantiu que a assistência à população de Ceuta não foi afetada nem atrasada graças à mobilização de forças especiais.
“Não houve nem há atualmente qualquer falta de atendimento na Área de Saúde de Ceuta, como algumas fontes alarmistas insistem em transmitir à população; seu principal objetivo não parece ser a melhoria do atendimento à saúde dos ceutianos, mas sim semear confusão e medo na população, em função de seus interesses particulares. O serviço público de saúde, ao contrário, zela pelos interesses gerais da cidadania”, destacou García.
Em seguida, ele ressaltou que, na cidade autônoma de Ceuta, as competências sobre as ações na área da saúde pública cabem ao governo da cidade autônoma.
Nesse contexto, ele lembrou que há mais de 1.300 profissionais públicos na Área de Saúde de Ceuta, que possui uma extensão de 18,5 km², o que representa 70,3 profissionais por km². “Esse investimento em profissionais, como é de conhecimento geral, não tem precedentes, devido à sua ampla dotação, em nenhuma outra área de saúde de todo o Sistema Nacional de Saúde que atenda a uma população semelhante”, acrescentou na carta.
Além disso, ele destacou que o INGESA, em coordenação com a Delegação do Governo e o Governo da cidade de Ceuta, em colaboração com organismos como a Cruz Vermelha, ativou, desde o primeiro dia da crise, um dispositivo especial de assistência médica para atender ao aumento de pessoas provenientes de Marrocos que chegaram à cidade.
Dessa forma, indicou que os dispositivos de assistência do INGESA em Ceuta foram reforçados com mais de 60 profissionais, que permanecerão, por enquanto, em atividade até 31 de agosto, dependendo da evolução da situação.
Por outro lado, informou que o Hospital Universitário de Ceuta conta atualmente com 26 pacientes migrantes internados, em um centro que registra 110 leitos ocupados dos 175 disponíveis.
Em relação a alguns dos pacientes internados, a ministra informou que estão sendo realizados os exames diagnósticos e epidemiológicos pertinentes diante de quadros febris e intestinais de gravidade variável que surgiram. Esses estudos epidemiológicos, ressalta ela, são realizados em colaboração com as autoridades competentes de Ceuta na área de saúde pública. “Além disso, não foi registrado nenhum óbito no âmbito do INGESA relacionado a essa situação”, acrescentou.
AUMENTO DO ORÇAMENTO DO INGESA
García também lembrou ao presidente da Ordem dos Médicos de Ceuta que o Governo da Espanha aumentou o orçamento do INGESA em 70% desde 2018, de 246 milhões para os atuais 416,7 milhões de euros, e que, somente a partir de 2023, foram investidos na Área de Saúde de Ceuta mais de 13 milhões de euros em equipamentos para melhorias nas instalações e nos equipamentos.
Além disso, está previsto investir até 18 milhões de euros em novos equipamentos e infraestruturas. García indica que esse “esforço de investimento” ocorre após um período (2011-2018) em que o corte nos investimentos foi “drástico” e “deixou uma marca no sistema de saúde de Ceuta difícil de ser recuperada”.
Nesse sentido, ele afirmou que o INGESA é o principal empregador de Ceuta, com mais de 1.300 funcionários contratados, e vem aumentando a contratação de profissionais da área médica desde 2018. Assim, de 2018 a 2026, o Hospital Universitário de Ceuta contará com mais 16 médicos, passando de 135 para 151, o que representa um aumento de 11,85%. No mesmo período, o quadro de funcionários da Atenção Especializada aumentou 5,59%. Na Atenção Primária, aumentamos o número de médicos em 2,77% e o quadro total de funcionários em 2,47%.
“Todos esses aumentos no quadro de funcionários e nos recursos ocorreram enquanto a atividade assistencial global se reduzia em cerca de 34% devido ao fechamento da fronteira no ano de 2020. É importante ressaltar isso, pois não há nenhum outro lugar em que, apesar de uma redução global de 34% na atividade assistencial, tenha ocorrido um aumento no número de profissionais”, afirmou a secretária de Saúde.
Por fim, García afirmou que o Ministério da Saúde disponibilizará todos os reforços de saúde que forem necessários e pelo tempo que for necessário, mas agindo dentro do âmbito de suas competências.
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