Jesús Hellín - Europa Press
MADRID 16 set. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, afirmou nesta quarta-feira que não apoiaria a greve por tempo indeterminado caso continuasse atuando como médica, pois considera que isso seria “dar um tiro no próprio pé” dos profissionais, depois que, pela primeira vez em 23 anos, surgiu a possibilidade de “melhorar” suas condições de trabalho.
García destacou, em entrevista ao programa “La Cafetera” da Radiocable, divulgada pela Europa Press, que dar início à reforma do Estatuto-Quadro foi uma decisão “corajosa” de seu ministério, razão pela qual defendeu que isso “não pode ter” um custo pessoal nem político para ela.
“É a primeira norma em 23 anos que abre caminho para melhorar as condições de trabalho. As comunidades autônomas precisam concretizá-las? Claro que sim. O Estatuto-Quadro é suficiente? Claro que não. Por quê? Porque os empregadores são as comunidades autônomas. E isso vai acontecer comigo no ministério e com qualquer ministro, seja qual for sua orientação política”, explicou.
Nessa linha, a ministra da Saúde insistiu que as “expectativas” que a reforma do Estatuto-Quadro colocou em pauta “devem ser cumpridas pelas comunidades autônomas”, após o que lembrou que o texto do projeto de lei já está no Congresso dos Deputados.
“Isso significa que o Estatuto-Quadro não seria, em hipótese alguma, definido em um gabinete do Ministério da Saúde, entre outras coisas porque entendo que há pessoas que queriam que esse debate permanecesse na esfera privada, que se resumisse a: ‘se eu disse, se sou, se não sou, se a ministra, se eu digo, se não digo, se eu desrespeito a norma, se não desrespeito a norma”, observou para destacar que, na Câmara dos Deputados, a norma poderá ser emendada, rejeitada ou “o que os grupos parlamentares quiserem”.
“TRISTEZA” E “CERTA ESTRANHEZA” EM RELAÇÃO À GREVE DOS MÉDICOS
Nesse ponto, ele reconheceu sentir “tristeza” e “uma certa estranheza” pela convocação dos sindicatos de médicos e profissionais da área da saúde para iniciar a greve nacional por tempo indeterminado a partir de 28 de outubro, já que considera que eles estão fazendo reivindicações sobre “competências autônomas” e, além disso, que suas reivindicações podem ser tratadas no Congresso.
“O Estatuto-Quadro estabelece o marco, pois é uma lei federal, mas as competências atribuídas para alocar recursos, definir quadros de pessoal, para que as pessoas, em vez de trabalhar 24 horas, possam trabalhar 12, e assim tenham colegas com quem dividir essa carga de trabalho, são das comunidades autônomas”, insistiu.
Em seguida, destacou que há comunidades autônomas que já chegaram a acordos com os mesmos sindicatos que convocam a greve nacional. “Portanto, há uma parte que, na minha opinião, é difícil de explicar. No entanto, que venham ao Congresso, que debatam, que proponham emendas, que aprovem e que rejeitem; afinal, é para isso que servem as leis”, concluiu.
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