Jesús Hellín - Europa Press
MADRID 8 set. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, acusou nesta terça-feira o Partido Popular de transformar Ceuta em um “campo de batalha político” por meio do uso “absolutamente distorcido” do “sofrimento legítimo” da população da cidade autônoma.
Ela fez essa afirmação na Câmara Alta em resposta ao senador do Partido Popular, Abdelhakim Abdeselam Al Lal, que afirmou que a chegada em massa de migrantes em julho passado provocou em Ceuta uma crise humanitária, sanitária, social e política.
Em sua intervenção, García insistiu que o sistema de saúde de Ceuta “pode estar sobrecarregado, mas não está colapsado” e reiterou que “em nenhum momento” foi suspensa uma cirurgia ou uma consulta, pelo que agradeceu o “esforço extra” dos profissionais de saúde. “Mas isso não faz a menor diferença para vocês”, repreendeu ele o PP.
Nessa linha, afirmou que “metade” do Hospital Universitário de Ceuta está “vazio”. “Neste exato momento, hoje, há 104 pessoas internadas, das quais apenas 13 são migrantes”, precisou.
Em seguida, defendeu o trabalho do governo, garantindo que “desde o primeiro minuto” todos os ministérios com competências em Ceuta se empenharam ao máximo para que a população de Ceuta pudesse recuperar a normalidade, que, segundo ele, foi rompida “pela chegada em massa de migrantes” e “pela disseminação massiva do discurso de ódio”.
“O primeiro problema será resolvido nas próximas semanas; o segundo nunca será resolvido se vocês continuarem assim e permanecerá enraizado em uma sociedade que, se é exemplo de alguma coisa, é exemplo de convivência”, destacou.
“VOCÊ MENTE, COMO SEMPRE”
Abdelhakim Abdeselam, que pediu à ministra que considere Ceuta e Melilla como áreas de difícil atendimento e que não sobrecarregue o sistema de saúde de Ceuta com suas competências, além da realização das reuniões do Conselho de Ministros necessárias para recuperar a normalidade e o repatriamento dos migrantes, acusou García de mentir, “como sempre”.
“Os dados que a senhora apresenta estão sempre errados”, afirmou ele, ressaltando que, no primeiro dia da chegada dos migrantes, foram atendidas mais de 500 emergências e que, de 1º a 5 de setembro, foram atendidas mais de 1.550 emergências.
“A senhora transfere suas competências para a cidade autônoma. E só no dia 16 é que a senhora apareceu em Ceuta. No dia 11, nossa vice-secretária de Política Sanitária e Social compareceu para que vocês ativassem a área de resposta a catástrofes e emergências”, acrescentou.
Por tudo isso, ele concluiu ressaltando que a secretária de Saúde está “totalmente deslegitimada para emitir qualquer opinião” e exigiu sua renúncia.
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