Publicado 25/01/2026 06:08

O modelo de megaprisão de Bukele atravessa fronteiras e se instala na América Central

14 de janeiro de 2026: 14/01/2026 Visita do presidente Nayib Bukele para a inauguração da nova prisão CACCO com o presidente Rodrigo Chaves. Foto Alonso Tenorio
Europa Press/Contacto/Alonso Tenorio

A construção de uma nova prisão na Costa Rica evidencia a popularidade da estratégia de mão dura contra o narcotráfico MADRID 25 jan. (EUROPA PRESS) - O modelo salvadorenho de mão dura contra o crime organizado impulsionado pelo presidente Nayib Bukele começou a cruzar fronteiras e a se instalar na América Central como referência para combater a violência e a insegurança na região, sendo o último exemplo disso a inauguração de uma nova prisão na Costa Rica semelhante ao polêmico Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT) salvadorenho, para o qual os Estados Unidos enviaram membros de gangues e organizações criminosas em troca de pagamentos ao país. Bukele colocou, junto com o presidente da Costa Rica, Rodrigo Chaves, de forma simbólica, a primeira pedra do chamado Centro de Alta Contenção do Crime Organizado (CACCO), uma construção de mais de 31.000 metros quadrados, localizada na província costarriquenha de Alajuela, que abrigará líderes do crime organizado, presos altamente perigosos e pessoas com processos de extradição pendentes. A construção, com cinco módulos de alojamento para um total de 5.100 presos, é inspirada no CECOT salvadorenho — uma instalação prisional com capacidade para cerca de 40.000 presos questionada por organizações de direitos humanos por supostos abusos, tortura e até violência sexual — e custou ao Estado costarriquenho cerca de 21 bilhões de colones.

A visita de Bukele para inaugurar o projeto gerou tensão no país, pois ocorre em plena campanha eleitoral para as eleições gerais de 1º de fevereiro. Nesse contexto, o Tribunal Supremo de Eleições (TSE) rejeitou um recurso que pedia a proibição da entrada do presidente salvadorenho na Costa Rica por supostas interferências eleitorais, mas lembrou que, em virtude da Convenção de Viena, os representantes estrangeiros não devem “interferir nos assuntos internos” do país. A EXPORTAÇÃO DO MODELO CECOT

Embora existam complexos prisionais semelhantes em termos de isolamento ou condições de segurança máxima, o CECOT se destaca por sua alta capacidade e finalidade, uma vez que foi projetado especificamente para encarcerar milhares de membros de gangues ligados a grupos criminosos como a Mara Salvatrucha (MS13) ou Barrio 18, detidos no âmbito do controverso estado de exceção em El Salvador.

Especialistas em direitos humanos apontam que as condições no CECOT seriam “presumivelmente desumanas, contrárias às normas internacionais”, com “pessoas detidas amontoadas em jaulas, sem artigos de primeira necessidade, como colchões, e sem assistência médica adequada”. Apesar disso, outros países da América Central e da América Latina têm demonstrado interesse neste conceito de megaprisão. No Equador, o presidente Daniel Noboa transferiu, em novembro de 2025, centenas de prisioneiros altamente perigosos para a prisão de Santa Elena, na província costeira com o mesmo nome. Por sua vez, no Peru, o governo de José Jerí habilitou um pavilhão de segurança máxima na prisão de Ancón I, ao norte da capital, Lima, para isolar os líderes do crime organizado, seguindo o modelo salvadorenho.

Da mesma forma, na vizinha Honduras, a presidente Xiomara Castro anunciou a construção do chamado Centro de Reclusão de Emergência (CRE), com capacidade para 20.000 presos, após declarar estado de emergência em matéria de segurança para combater o crime, a extorsão e o narcotráfico.

Na Guatemala, o governo do presidente Bernardo Arévalo declarou estado de sítio após uma série de ataques e motins em várias prisões ligados à gangue Barrio 18, embora existam dúvidas no país sobre a promoção de políticas de mão dura sem abordar outros fatores, como a exclusão social.

A postura de enfrentar a criminalidade com prisões foi reforçada também pela mudança na política migratória dos Estados Unidos após a chegada de Donald Trump à Casa Branca em janeiro de 2025, que empreendeu uma campanha massiva de detenções contra imigrantes irregulares e deixou claro em sua nova política externa que busca controlar o “hemisfério ocidental”.

DÚVIDAS SOBRE A SUPERPOPULAÇÃO CARCERAL A aproximação do governo de Chaves às políticas de mão dura de Bukele provocou mal-estar dentro da oposição costarriquenha. O candidato presidencial Álvaro Ramos, do Partido Liberação Nacional (PLN), mostrou-se a favor da construção de mais prisões devido ao aumento da densidade carcerária, embora considere inadequada a narrativa de uma megaprisão. Nesse sentido, ele tem ensinado que é fundamental investir em prevenção e educação, além de reforçar as autoridades policiais em diferentes pontos do país. Outros setores da oposição, como o Partido Liberal, afirmam que a medida de construir um CECOT adaptado à realidade costarriquenha responde a um “show eleitoral” para impulsionar a campanha da candidata oficialista, Laura Fernández, que figura como grande favorita nas eleições gerais.

Chaves, no entanto, questionou a oposição por não propor medidas severas contra a violência diante de um aumento progressivo dos homicídios desde 2020. Concretamente, de acordo com dados do Órgão de Investigação Judicial (OIJ), em 2025 foram registrados um total de 876 assassinatos — grande parte deles perpetrados com armas de fogo e ligados a vinganças ou acertos de contas —, com uma taxa de 16,7 por cada 100.000 habitantes.

O subdiretor da OIJ, Michael Soto, alertou no início de janeiro que 589 das vítimas de homicídios em 2025 eram pessoas entre 18 e 39 anos e que houve 50 mortes de menores de idade. “Se a Costa Rica quer resolver seus problemas de criminalidade, precisa investir na polícia, mas também na questão do desenvolvimento humano”, disse ele, instando as autoridades a fortalecer o sistema educacional ou os programas de prevenção.

Outras figuras do Executivo, como o vice-ministro da Justiça, Nils Ching Vargas, criticaram o projeto, alegando que a construção dessa nova instalação não resolverá a superlotação atual nas prisões costarriquenhas, já que ela abrigaria apenas 1 em cada 10 presos.

De acordo com um estudo recente do Mecanismo Nacional de Prevenção da Tortura (MNPT), a capacidade real do sistema prisional do país centro-americano é de 13.666 pessoas, embora haja um total de 17.692 detentos. Além disso, a maioria dos centros penitenciários tem entre 20 e 25 anos de idade.

Por outro lado, a Controladoria Geral da República (CGR), liderada por Marta Acosta, alertou em agosto que o órgão não teve acesso ao dossiê do projeto e que mais de 50% dos recursos para construir as instalações provinham de cortes no Ministério da Segurança Pública (MSP) relacionados com bolsas de estudo, habitação social ou ajudas a famílias em situação de pobreza.

Várias organizações em defesa dos direitos dos migrantes também denunciaram que os cortes no orçamento do Estado afetam a emissão de documentos e passaportes, bem como programas para a regularização e atendimento de populações vulneráveis.

Chaves, que questionou várias vezes o sistema judicial por supostamente “proteger” os criminosos, afirma que, graças à doação dos planos do CECOT por parte de El Salvador, o Estado conseguiu economizar entre 1,8 e 2 bilhões de colones no projeto do CACCO, construído — com um orçamento público extraordinário — no terreno da antiga prisão La Reforma.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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