NASA/JPL/SPACE SCIENCE INSTITUTE
MADRID 22 maio (EUROPA PRESS) -
A atmosfera densa e nebulosa de Titã, a maior lua de Saturno, não gira em linha com sua superfície, mas oscila como um giroscópio, mudando com as estações do ano.
Titã é a única lua do sistema solar com uma atmosfera significativa. Agora, após 13 anos de observações térmicas em infravermelho da missão Cassini, pesquisadores da Universidade de Bristol rastrearam como a atmosfera de Titã se inclina e muda ao longo do tempo. Os resultados foram publicados no The Planetary Science Journal.
"O comportamento da inclinação atmosférica de Titã é muito estranho", disse Lucy Wright, autora principal e pesquisadora de pós-doutorado da Escola de Ciências da Terra de Bristol, em um comunicado. A atmosfera de Titã parece agir como um giroscópio, estabilizando-se no espaço. Acreditamos que algum evento no passado pode ter deslocado a atmosfera de seu eixo de rotação, fazendo com que ela oscilasse. Ainda mais intrigante é o fato de termos descoberto que a magnitude dessa inclinação muda com as estações do ano em Titã.
A equipe estudou a simetria do campo de temperatura atmosférica de Titã e descobriu que ele não está centrado exatamente no polo, como esperado. Em vez disso, ele muda com o tempo, em sintonia com o longo ciclo sazonal de Titã: cada ano em Titã é equivalente a quase 30 anos na Terra.
O coautor, Professor Nick Teanby, um cientista planetário de Bristol, disse em um comunicado: "O que é intrigante é como a direção da inclinação permanece fixa no espaço, em vez de ser influenciada pelo Sol ou Saturno. Isso teria nos dado pistas sobre a causa. No entanto, temos um novo mistério em nossas mãos.
MISSÃO LIBÉLULA
Essa descoberta terá impacto na próxima missão Dragonfly da NASA, um helicóptero semelhante a um drone programado para chegar a Titã na década de 2030. À medida que o Dragonfly desce pela atmosfera, ele será impulsionado pelos ventos rápidos de Titã, ventos cerca de 20 vezes mais rápidos do que a rotação da superfície.
Entender como a atmosfera oscila com as estações do ano é fundamental para calcular a trajetória de pouso do Dragonfly. A inclinação afeta a forma como a carga útil será transportada pelo ar, portanto, essa pesquisa pode ajudar os engenheiros a prever melhor onde ela aterrissará.
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