Publicado 04/06/2026 06:04

O Ministério do Consumo abre consulta pública para proibir a venda de bebidas energéticas a menores de 16 anos

O ministro dos Direitos Sociais, do Consumo e da Agenda 2030, Pablo Bustinduy, intervém durante o evento “TaxTheSuperRich: por uma tributação da riqueza para o século XXI', no Círculo de Bellas Artes, em 25 de maio de 2026, em Madri (Espanha). As jor
Jesús Hellín - Europa Press

MADRID 4 jun. (EUROPA PRESS) -

O ministro dos Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030, Pablo Bustinduy, anunciou nesta quinta-feira que seu departamento iniciou a consulta pública prévia ao anteprojeto de lei que proibirá o acesso de menores de 16 anos a bebidas com alto teor de cafeína e regulamentará sua publicidade.

"Vamos insistir quantas vezes for preciso até que isso se torne lei, porque aqui se unem a obrigação democrática de garantir ambientes saudáveis e seguros para a infância e a adolescência, o conhecimento científico e as reivindicações estabelecidas pelas organizações internacionais, e também a demanda social e a consciência social de uma esmagadora maioria da nossa sociedade, da qual até 90% apoia esta medida”, destacou na abertura do evento pelo 25º Aniversário da Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição (AESAN).

Essa regulamentação visa proibir a venda de todas as bebidas energéticas a menores de 16 anos, uma restrição que se estenderia até os 18 anos no caso de as bebidas conterem mais de 32 miligramas de cafeína por cada 100 mililitros, conforme detalhou o ministro. “Vamos avançar o mais rápido possível para garantir que ela se torne lei o mais cedo possível”, assegurou.

O Ministério do Consumo explicou que essa regulamentação servirá para complementar o Decreto Real sobre Refeições Escolares Saudáveis e Sustentáveis, que já está em vigor e prevê a proibição da venda de bebidas energéticas em escolas de todo o país.

A futura norma pretende dar resposta a uma série de problemas detectados, como, em primeiro lugar, a “proteção efetiva insuficiente” dos menores contra os riscos à saúde decorrentes do consumo de bebidas energéticas. Além disso, o texto publicado para consulta aponta para a “alta exposição” de crianças e adolescentes a práticas publicitárias “intensivas e atraentes, em muitos casos de produtos com efeitos prejudiciais”.

Dessa forma, o objetivo principal é garantir a proteção da saúde e do bem-estar dos menores de idade, limitando sua exposição e acesso a bebidas com alto teor de cafeína, em consideração à sua especial vulnerabilidade como consumidores. Especificamente, visa reduzir os riscos associados ao consumo desse tipo de produto, tais como distúrbios do sono, efeitos sobre o sistema nervoso ou a consolidação de hábitos de consumo não saudáveis, por meio do estabelecimento de restrições claras sobre sua publicidade, promoção e fornecimento a menores.

Os cidadãos, organizações e associações potencialmente afetados pela norma podem enviar suas opiniões sobre os problemas que se pretende resolver com a iniciativa, a necessidade e a oportunidade de sua aprovação, os objetivos da norma e as possíveis soluções alternativas, até 19 de maio, para o e-mail 'consultapublicaaesan@aesan.gob.es'.

Em sua intervenção, Pablo Bustinduy destacou a “convicção” existente sobre “a necessidade de remover os obstáculos” que impedem que a alimentação “saudável, nutritiva e sustentável” seja um “direito garantido de forma universal”. “Acredito que é uma obrigação dos poderes públicos fazê-lo e acredito que esse consenso existe na sociedade”, afirmou.

FUNDAMENTADA EM RECOMENDAÇÕES CIENTÍFICAS

A proposta do Ministério do Consumo baseia-se nas recomendações de organismos científicos como a própria AESAN ou a Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam que o consumo excessivo de cafeína pode provocar efeitos fisiológicos indesejados, como alterações do sono, até efeitos psicológicos, alterações de comportamento ou distúrbios cardiovasculares. Da mesma forma, o consumo regular de bebidas energéticas também tem sido associado a overdose de cafeína, hipertensão, perda de massa óssea e osteoporose, entre outras patologias.

Por outro lado, o ministério afirmou que esta iniciativa está em consonância com as medidas que estão sendo adotadas por países europeus como Alemanha, Noruega, Letônia, Polônia, Hungria ou Lituânia; bem como com a legislação já aprovada ou em tramitação na Espanha por parte de alguns governos regionais, como o da Galícia e o das Astúrias. Por isso, o Ministério do Consumo reiterou a importância de harmonizar essa legislação em nível nacional, promovendo a unidade do mercado.

De acordo com a pesquisa ESTUDES, elaborada anualmente pelo Ministério da Saúde, 38,4% dos jovens entre 14 e 18 anos consomem bebidas energéticas, com maior incidência entre os meninos (45,7%) do que entre as meninas (31%). Além disso, o relatório revela que 15% desses adolescentes misturam bebidas energéticas com álcool, uma prática que multiplica os riscos para a saúde.

O Ministério do Consumo insistiu que essa medida conta com amplo apoio social, conforme mostra o último barômetro sobre publicidade de alimentos e bebidas energéticas da AESAN, segundo o qual nove em cada dez pessoas na Espanha concordam com essa proibição.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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