MADRID 2 set. (EUROPA PRESS) -
O Ministério da Saúde recusou-se a alterar, “pelo menos a curto e médio prazo”, os critérios de financiamento que restringem, na Espanha, o acesso aos medicamentos anti-CGRP para a enxaqueca, conforme informaram a Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN), a Associação Espanhola de Enxaqueca e Cefaleias (AEMICE) e a Fundação Espanhola de Cefaleias (FECEF), que reivindicam que esses critérios sejam equiparados aos aprovados pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA).
As três organizações enviaram uma carta conjunta ao Ministério da Saúde na qual solicitam a eliminação dos critérios restritivos atuais e que os pacientes possam ter acesso aos medicamentos anti-CGRP seguindo os critérios aprovados pela Agência Europeia de Medicamentos, ou seja, a partir de quatro dias de enxaqueca por mês e sem a necessidade de ter havido falha prévia em três tratamentos preventivos.
Conforme explicam, na Espanha esses medicamentos estão restritos a pacientes que apresentam pelo menos oito dias de enxaqueca por mês e que já tenham experimentado previamente três tratamentos preventivos distintos. A SEN considera que esses critérios, que podiam ser compreendidos na época do lançamento dos novos medicamentos devido à falta de estudos comparativos diretos, já não correspondem às evidências científicas disponíveis.
No entanto, segundo as organizações, o Ministério da Saúde já comunicou à SEN que esses critérios restritivos não serão alterados, pelo menos a curto e médio prazo.
ISSO SIGNIFICA “MAIS DE UM ANO DE DOR EVITÁVEL”
As organizações destacam que os medicamentos anti-CGRP demonstraram maior eficácia e segurança em comparação com outros tratamentos preventivos da enxaqueca. Nos últimos anos, segundo explicam, foram publicados novos estudos e metanálises que corroboram esses resultados, bem como ensaios clínicos comparativos que demonstram seus benefícios em relação a outros tratamentos preventivos.
O coordenador do Grupo de Estudo de Cefaleias da SEN, Robert Belvís, explicou que atualmente estão disponíveis na Espanha seis medicamentos anti-CGRP e que esses tratamentos representaram “um grande avanço” na prevenção da enxaqueca, especialmente em pacientes com alta frequência de crises ou com baixa resposta aos tratamentos tradicionais.
O diretor da Fundação Espanhola de Cefaleias, José Miguel Laínez, alertou que atrasar o acesso a esses medicamentos pode ter consequências clínicas importantes. “Tempo é sinônimo de dor na enxaqueca”, destacou ele, antes de acrescentar que “obrigar os pacientes a passar por vários tratamentos menos eficazes antes de poderem ter acesso aos anti-CGRP pode significar mais de um ano de dor evitável, com o risco adicional de que a doença progrida, o cérebro se torne mais sensível e a resposta posterior ao tratamento seja menor”.
Esses medicamentos tinham inicialmente um custo elevado, mas lembram que, atualmente, seu custo para o Sistema Nacional de Saúde giraria em torno de 100 a 200 euros por mês por paciente, “um valor que os neurologistas consideram aceitável se levarmos em conta o impacto e os custos para a saúde, o trabalho, a família e a sociedade decorrentes de uma enxaqueca mal controlada”.
“Esperamos que o Ministério da Saúde reconsidere, pois as recomendações clínicas devem ser orientadas pela evidência científica e pelas necessidades individuais de cada pessoa com enxaqueca”, afirma o Dr. Jesús Porta-Etessam, presidente da Sociedade Espanhola de Neurologia.
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