MADRID, 16 jun. (EUROPA PRESS) -
O Ministério da Saúde, em colaboração com o Instituto de Saúde Carlos III e o Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde para a Europa, inaugurou o “Datathon sobre Complexidade Individual e Intensidade de Cuidados por Competências (InCa)’, um encontro pioneiro de análise de dados e trabalho colaborativo para melhorar o planejamento da equipe de enfermagem no Sistema Nacional de Saúde e classificar os pacientes de acordo com a complexidade dos cuidados.
A iniciativa, que acontece em Madri até 18 de junho, reúne cerca de 60 especialistas com o objetivo de avançar na criação de um marco nacional unificado que permita classificar os pacientes de acordo com a complexidade de seus cuidados, melhorar o planejamento do pessoal de enfermagem e contribuir para uma alocação mais segura, equitativa e baseada em evidências.
Segundo explica o Ministério da Saúde, ao contrário de outros encontros técnicos, este “datathon” se caracteriza por uma abordagem colaborativa e não competitiva. Durante três dias, nove equipes multidisciplinares trabalharão em conjunto para transformar dados reais anonimizados, fornecidos pelas comunidades autônomas, em protótipos aplicáveis à gestão da saúde.
As equipes participantes contam com perfis diversos, entre os quais diretores de enfermagem, especialistas em sistemas de informação, analistas de dados e engenheiros. Assim, o Ministério da Saúde destaca que essa combinação de conhecimento clínico, tecnológico e de gestão permitirá abordar a complexidade dos cuidados a partir de uma perspectiva prática e orientada para a tomada de decisões.
CONSTRUÇÃO DE UM ALGORITMO DE COMPLEXIDADE DOS CUIDADOS
O encontro se concentrará em dois desafios estratégicos: o primeiro será a construção de uma primeira aproximação a um algoritmo de complexidade dos cuidados, que permita estratificar os pacientes de acordo com sua carga individual de cuidados por meio da combinação de análise de dados e julgamento especializado.
O segundo desafio será o mapeamento e a harmonização de variáveis, com o objetivo de traduzir os bancos de dados regionais para uma linguagem comum, baseada em padrões como o SNOMED CT ou a CID-10. Essa harmonização facilitará a comparação e a integração das informações em nível nacional.
O Ministério destaca que este projeto responde a desafios fundamentais do Sistema Nacional de Saúde, como a escassez de profissionais de enfermagem, as desigualdades territoriais e o aumento da demanda por cuidados complexos. “Atualmente, o SNS carece de um sistema nacional interoperável e validado para medir essa complexidade, informação essencial para alocar recursos com base em critérios de evidência e necessidade assistencial”, acrescenta.
Além disso, ressalta que o “Datathon InCa” representa um passo fundamental para passar do projeto conceitual para ferramentas práticas que reforcem a tomada de decisões e contribuam para um sistema de saúde mais eficiente, equitativo e sustentável.
APOIO EUROPEU E CONTEXTO INTERNACIONAL
A iniciativa faz parte do Instrumento de Apoio Técnico da Comissão Europeia, um programa que apoia reformas estruturais nos Estados-Membros. O projeto, denominado “Dotação segura de pessoal de enfermagem de acordo com a intensidade do atendimento e os sistemas de classificação de pacientes”, conta com a assistência técnica do Escritório Regional da OMS para a Europa.
Como fase preliminar a este encontro, uma delegação espanhola realizou, em março de 2026, uma visita de estudo à Irlanda para conhecer seu modelo de “Safe Nurse Staffing”. Dessa experiência foram extraídas lições fundamentais sobre liderança, uso de dados para a tomada de decisões e a importância de contar com sistemas digitais sólidos e interoperáveis.
O “Datathon InCa” será encerrado em 18 de junho com uma sessão plenária na qual serão validados os resultados obtidos e definidos os próximos passos para a fase piloto e a implementação nacional desses modelos.
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