Inclui um “Manual de reparação” com ferramentas para acompanhar pessoas com sofrimento psíquico
MADRID, 5 set. (EUROPA PRESS) -
O Ministério da Saúde lançou a campanha “Aproxime-se, ouça, acompanhe... repare”, uma iniciativa que busca dar visibilidade à deficiência psicossocial, combater o estigma e promover uma sociedade mais inclusiva por meio do cuidado com os laços sociais.
Segundo explica o Ministério, a deficiência psicossocial refere-se às limitações que algumas pessoas com problemas de saúde mental — como depressão, ansiedade ou psicose — podem enfrentar quando o sofrimento psíquico se soma a barreiras como o estigma, a falta de apoio, a exclusão social ou as dificuldades para participar plenamente da vida cotidiana.
O Ministério da Saúde lembra que, a partir de uma abordagem baseada nos direitos humanos, a deficiência não depende apenas de uma condição de saúde, mas também das barreiras que a pessoa encontra em seu ambiente e que podem limitar sua participação em condições de igualdade.
A campanha parte de uma ideia central: quando uma pessoa passa por uma situação de intenso sofrimento psíquico, seus laços familiares, sociais ou afetivos também podem ser afetados. O medo, a falta de conhecimento ou a sensação de não saber como agir podem gerar distância e aumentar o isolamento.
Diante disso, “Aproxime-se, ouça, acompanhe... repare” convida a mudar a forma como nos relacionamos com as pessoas que passam por essas situações e lembra que existem gestos cotidianos ao alcance de qualquer um que podem ajudar: aproximar-se, ouvir sem julgar, acompanhar e respeitar.
Assim, a campanha oferece orientações simples para saber como estar ao lado de uma pessoa que está passando por um momento de especial vulnerabilidade. Nesse sentido, o nome da campanha resume sua abordagem: não se trata de reparar as pessoas, mas de reparar os laços que o sofrimento, o estigma ou a solidão possam ter deteriorado.
Além disso, a campanha inclui o “Manual de Reparação”, um guia prático voltado para toda a população que reúne recomendações para acompanhar pessoas que passam por situações de sofrimento psíquico.
A partir de situações cotidianas, o manual oferece orientações baseadas na escuta, no respeito e no acompanhamento, e mostra como determinadas atitudes podem contribuir para manter os laços e evitar que a falta de conhecimento ou o medo aumentem o isolamento da pessoa.
QUASE 800.000 PESSOAS TÊM UMA DEFICIÊNCIA RECONHECIDA
Nesse ponto, o Ministério da Saúde ressalta que a deficiência psicossocial continua sendo uma realidade pouco conhecida e não dispõe de uma categoria estatística específica que permita determinar com exatidão quantas pessoas se encontram nessa situação.
Como referência, a Base de Dados Estadual de Pessoas com Avaliação do Grau de Deficiência do IMSERSO registrava, em 31 de dezembro de 2024, 793.220 pessoas com grau de deficiência reconhecido igual ou superior a 33% devido a deficiências classificadas na categoria “sistema nervoso ou função mental”.
Essas pessoas representam 23,2% das 3.420.552 pessoas com deficiência reconhecida registradas nessa base de dados estadual. A categoria inclui os transtornos mentais, mas também outras patologias neurológicas; portanto, esse número não equivale ao número de pessoas com deficiência psicossocial.
Com esta campanha, o Ministério da Saúde reforça seu compromisso com um modelo de saúde mental baseado nos direitos humanos, na participação, na inclusão social e no combate ao estigma, e valoriza o papel de toda a sociedade na construção de ambientes mais inclusivos e no cuidado das pessoas que passam por situações de sofrimento psíquico.
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