Publicado 20/07/2026 08:30

O Ministério da Saúde estima que haja cerca de 168.000 técnicos de assistência clínica trabalhando na Espanha, sendo 90% mulheres

Quase 40% das profissionais poderiam apresentar sintomas compatíveis com depressão

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MADRID, 20 jul. (EUROPA PRESS) -

O Ministério da Saúde estima que, em 2025, trabalhavam na Espanha cerca de 168.000 técnicos em cuidados auxiliares de enfermagem (TCAE), mais de 136.000 no âmbito da saúde do Sistema Nacional de Saúde, dos quais nove em cada dez eram mulheres e a idade média era de 47 anos.

É o que indica o relatório “Situação do Pessoal Técnico em Cuidados Auxiliares de Enfermagem na Espanha. 2025”, a primeira análise nacional específica sobre esse grupo, apresentada nesta segunda-feira pelo Ministério da Saúde.

No entanto, o Ministério da Saúde ressalta que a estimativa deve ser interpretada com cautela, uma vez que não existe um registro único e homogêneo dos TCAE em atividade.

O documento combina as informações disponíveis nos registros e sistemas de informação com os resultados de uma pesquisa na qual participaram mais de 30.000 profissionais e analisa suas condições de trabalho, necessidades de formação, satisfação profissional e bem-estar emocional.

“É a primeira grande aproximação à demografia dos TCAE em nosso sistema, um elemento fundamental para antecipar as necessidades de formação e definir o desenvolvimento de competências e funções que eles devem ter no futuro”, destacou o secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla.

Nesse contexto, a análise alerta para o envelhecimento da população e o aumento das doenças crônicas, da dependência e dos cuidados de longa duração. Entre 2014 e 2025, a população residente na Espanha cresceu cerca de 6%, passando de 46,5 para 49,1 milhões de habitantes. Nesse mesmo período, o índice de envelhecimento aumentou 31,4%, passando de 112,63 para 148,05, e o índice de dependência das pessoas com 65 anos ou mais passou de 27,53 para 31,73.

“Embora os números de TCAE tenham crescido durante esse período, essa análise deixa claro que a complexidade dos pacientes que atendemos aumentou notavelmente, o que se traduz em uma carga de cuidados duas ou até três vezes maior”, destacou a responsável pelo Comitê Nacional de Cuidados, Paloma Calleja.

FALTA DE PROFISSIONAIS

Apenas 25,4% dos TCAE consideram que sempre ou quase sempre há profissionais suficientes para prestar cuidados de qualidade, enquanto cerca de três em cada quatro apontam que as limitações de pessoal dificultam a atenção necessária e aumentam a sobrecarga assistencial.

Da mesma forma, 73,3% consideram que seu trabalho contribui sempre ou quase sempre para melhorar os resultados em saúde. No entanto, uma em cada quatro profissionais afirma que precisa deixar de realizar atividades próprias do cuidado com essa mesma frequência por falta de tempo, o que reflete o impacto da sobrecarga sobre a assistência prestada.

Embora 80% afirmem que seu trabalho tem um elevado valor social e 69% avaliem positivamente sua profissão, apenas 9,57% acreditam que a população reconhece adequadamente seu trabalho sempre ou quase sempre. Quando a avaliação se refere ao cargo específico, a porcentagem de respostas positivas cai para 57,8%.

As condições de trabalho apresentam, além disso, uma elevada heterogeneidade. 48% possuem contrato efetivo e 26,6% ocupam um cargo temporário. A isso somam-se diferenças salariais entre as comunidades autônomas que podem chegar a 500 euros mensais para profissionais com funções equivalentes, bem como jornadas semanais que oscilam entre 35 e 37,5 horas.

O relatório destaca que o risco de perda de profissionais não se limita às aposentadorias. Se suas circunstâncias pessoais o permitissem, 38% deixariam a profissão nos próximos doze meses e outros 2,59% o fariam imediatamente.

Entre aqueles que pensam em abandonar a profissão, os principais motivos são o baixo salário, apontado por 57,6%; a percepção de pertencer a uma profissão pouco valorizada, com 49,3%; e a sobrecarga física, com 45,2%.

QUASE 40% PODERIAM APRESENTAR SINTOMAS COMPATÍVEIS COM DEPRESSÃO

Além disso, 90,7% relatam cansaço ou falta de energia pelo menos vários dias por semana, e 74,9% apresentam problemas de sono com a mesma frequência. Da mesma forma, 37% das TCAE apresentam sintomatologia compatível com depressão, contra os 30% observados entre profissionais da medicina e da enfermagem na pesquisa europeia MeND da Organização Mundial da Saúde, e 24,38% apresentam sintomas de ansiedade moderada ou grave. No âmbito socio-sanitário, praticamente metade das profissionais apresenta um baixo nível de bem-estar mental.

Os resultados também apontam para a necessidade de atualizar a formação e adequar as competências à realidade da prestação de cuidados. O curso de Técnico em Cuidados Assistenciais (TCAE) tem duração de 1.400 horas, em comparação com as 2.000 horas que caracterizam, de maneira geral, os cursos de formação profissional de nível médio, e é o único perfil da área da saúde que mantém uma duração reduzida em relação ao modelo vigente.

O reconhecimento das competências é a principal prioridade para 60,4% das participantes, seguido pela adequação das cargas de trabalho e dos quadros de pessoal, com 52,6%, e pelo desenvolvimento de uma carreira profissional específica, com 43,2%.

A esse respeito, Padilla lembrou que atualmente está em tramitação o decreto real que regulamenta a formação das TCAE, enquanto no Congresso está em tramitação a proposta de lei sobre a dotação ideal e segura de profissionais de enfermagem, que também inclui esse grupo. “Além disso, o projeto de Estatuto-Quadro prevê uma reclassificação dos TCAE”, concluiu Padilla.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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